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Por que a vacinação de rotina é tão importante quanto a da Covid-19?

Com as aplicações e, consequentemente, uma alta cobertura vacinal, doenças como a poliomielite não são registradas em Fortaleza desde 1994. Entretanto, para manter a segurança, a imunização coletiva é a principal forma de combate
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Está em curso em Fortaleza, em outras 19 capitais e em Brasília (DF) o Inquérito nacional de cobertura vacinal. Na foto, vacinação do público geral contra a gripe H1N1 no Posto de Saúde Irmã Hercília Aragão, no bairro São João Tauape (Foto: Fernanda Barros)
Foto: Fernanda Barros Está em curso em Fortaleza, em outras 19 capitais e em Brasília (DF) o Inquérito nacional de cobertura vacinal. Na foto, vacinação do público geral contra a gripe H1N1 no Posto de Saúde Irmã Hercília Aragão, no bairro São João Tauape

Mesmo com os holofotes sob a imunização contra a Covid-19 na Capital, as vacinações de rotina para o público geral seguem acontecendo nas unidades básicas de saúde. Com as aplicações e, consequentemente, uma alta cobertura vacinal, doenças como a poliomielite não encontram mais espaço desde 1994 em Fortaleza. Mas quanto menos pessoas vacinadas, mais doenças podem retornar: como o sarampo. Após mais de um ano livre da doença, o Ceará registrou o primeiro caso da doença que tem como a vacina a única forma de conter sua transmissão. 

O Estado dispõe de um calendário vacinal que atende desde recém-nascidos a idosos. Desde 2015, a queda da cobertura vacinal é observada em todo o País e, em Fortaleza, não foi diferente. Segundo a coordenadora de imunização da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Vanessa Soldateli, o ano de 2020 foi marcado por uma intensa queda dos índices de cobertura. "A partir de março, quando começamos o lockdown devido aos primeiros casos de Covid, tivemos uma queda muito grande. A partir de setembro, elaboramos estratégias para atingir essa meta. Em outubro, por exemplo, o Brasil fez uma campanha de multivacinação com o intuito de resgatar esses dados", conversa ao O POVO.

A ação proporcionou uma melhora nos índices, e o ano de 2020 foi finalizado com quase todas as metas de imunização infantil atingidas na Capital cearense, segundo Vanessa. "Em 2021, tivemos uma queda maior, sem as escolas e creches para vacinarmos. Estamos com coberturas de algumas vacinas entre 54% a 60%, o que é baixo. Pois os vírus continuam circulando no ambiente", alerta.

Para a titular, o principal motivo da baixa procura por vacinas em Fortaleza ainda é a pandemia. O fator é o mesmo para a coordenadora da célula de imunização da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Carmem Osterno. No caso do Ceará, nenhuma meta do calendário infantil de vacinação foi atingida em 2020.  "Já é a segunda pandemia que passamos, a primeira foi a da H1N1. Mas seria muito pior se tivéssemos que lidar com a Covid, a influenza, a poliomielite e o sarampo juntas", exemplifica Vanessa.

"Temos a segurança que a vacina protege. E não são só crianças que devem tomar: há vacinas para adultos, gestantes e idosos. O vírus continua circulando e está encontrando as pessoas que não estão vacinadas."

Postos de Saúde

O POVO tentou contato com mais de 30 postos de saúde e conseguiu informações sobre a vacinação em quatro unidades em diferentes regionais da Capital. Destas, três delas dispõem de todas as vacinas do calendário nacional em todos os dias úteis da semana. Outra unidade tem dias específicos para aplicação de respectivas vacinas, como a da Tríplice viral e a BGC — conhecida pela cicatriz no braço e considerada por muitos como a primeira vacina aplicada na infância.

É nos postos de saúde que as vacinas de rotina são aplicadas. São 116 unidades na Capital disponíveis para atender o público, que pode estar munido de documentações como cartão de vacinação, cartão do SUS e documento com foto para receber os imunizantes faltosos. Porém, não ter o cartão de vacinação ou o do SUS não é impedimento para receber as vacinas. Cada unidade dispõe de um formulário eletrônico que disponibiliza o registro das vacinas já aplicadas durante a vida, além de horários flexíveis, das 7 às 19 horas, dependendo da unidade.

Caderneta de Vacinação

Antes da busca ao posto, Vanessa dá dicas de como conferir quais vacinas estão em falta na caderneta. "Quando a criança vai ao posto receber uma vacina, é assinada a lápis a data do próximo reforço", detalha. Ainda, o aplicativo Mais Saúde Fortaleza também dispõe de uma aba de consulta para vacinação e os postos de saúde mais próximos do endereço buscado.

Segundo a titular, é previsto que ações como o Dia "D" de vacinação retornem na Capital. A última ação do tipo aconteceu no sábado, 24 de julho, e teve o intuito de atualizar o calendário vacinal dos fortalezenses com imunizantes de rotina e o da gripe. Além do Dia "D", Ministério da Saúde também planeja uma campanha nacional de multivacinação. Em Fortaleza, também segue em curso o primeiro censo vacinal realizado em 14 anos no Brasil.

Censo vacinal segue até fim do mês em Fortaleza

Está em curso em Fortaleza, em outras 19 capitais e em Brasília (DF) o Inquérito nacional de cobertura vacinal (ICV). Financiado pelo Ministério da Saúde, a pesquisa se propõe a estimar a cobertura vacinal aos 12 meses, aos 18 meses e aos 24 meses de vida em nascidos vivos entre os anos de 2017 e 2018 nas áreas urbanas brasileiras — público-alvo que drasticamente diminuiu sua imunização de doenças como a poliomielite e a vacina BCG, contra a tuberculose. É o primeiro censo de vacinação em 14 anos. Em Fortaleza, é realizada pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), com apoio da SMS.

Na Capital, a meta é avaliar 1.808 crianças em quatro estratos — grupos separados por condições sociais, culturais, econômicas e de escolaridade. O objetivo é identificar quais vacinas as crianças já receberam ou não, sendo fundamental que os responsáveis recebam os entrevistadores e permitam a fotografia da caderneta de vacinação.

A Universidade disponibiliza canais de atendimento para tira-dúvidas sobre o ICV através dos telefones 0800 025 0174; pelo email icv.ceara2020@gmail.com e pelo Disque Saúde do MS, no número 136.

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