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Estelionatários ligavam de outros estados se passando por faccionados para extorquir comerciantes

| INSEGURANÇA| Inquéritos da Polícia Civil identificaram que as ligações feitas pelos estelionatários são oriundas de outros estados e áreas próximas a presídios.
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OPERAÇÃO Atroz predeu 11 pessoas suspeitas de integrar grupo criminoso (Foto: Polícia Civil)
Foto: Polícia Civil OPERAÇÃO Atroz predeu 11 pessoas suspeitas de integrar grupo criminoso

As ligações que realizam extorsões a comerciantes de Fortaleza e Região Metropolitana (RMF) estão vindo de outros estados e de áreas próximas a presídios. A informação é  do secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Sandro Caron, que concedeu entrevista coletiva nesta quarta-feira, 22, para falar sobre a operação “Atroz”, que capturou 11 pessoas suspeitas de integrar grupo criminoso e ameaçar moradores em Caucaia (Região Metropolitana de Fortaleza). O secretário relata que, em alguns dos inquéritos policiais, foram identificadas pessoas que se passavam por integrantes de facções criminosas que tentavam extorquir comerciantes.

Sandro Caron informou também que embora as chamadas telefônicas possuam números do Ceará, essas ligações são efetuadas de outros estados brasileiros e de áreas onde existem presídios. Ainda relatou que , em alguns casos, as ações são golpes de estelionatários que se passam por faccionados. O secretário não informou de quais delegacias são os inquéritos citados. 

O POVO apurou que as ligações vêm do Rio de janeiro e que os criminosos, que são estelionatários, ligam para os comércios pedindo transferências e ameaçam os proprietários. As contas bancárias identificadas são digitais e do Rio de Janeiro, a maioria em nomes de "laranjas". Essas pessoas estão sendo identificadas e os respectivos inquéritos estão em andamento. Uma delas, por exemplo, é do Paraná e responde na Justiça a mais de nove procedimentos por estelionato. 

Indagado se a busca das facções pelas extorsões seria relacionada ao enfraquecimento financeiro das organizações criminosas, que seria causado pelo aumento das apreensões de drogas, Sandro Caron diz que a estratégia de combate aos homicídios e crimes graves é o enfraquecimento dos grupos criminosos do estado, seja com as prisões do "primeiro escalão", que são os chefes das facções ou com a desmonetização do crime, que causa uma "asfixia financeira" na facção.

Sandro lembra que com o combate ao tráfico se corta o recurso financeiro dessas organizações. O gestor da SSPDS também afirmou que todos os chefes das facções do Ceará estão na cadeia.  Há sete dias O POVO noticiou que as apreensões de drogas no Ceará aumentaram 90,9% neste ano. No último mês de agosto, o Estado apresentava o aumento de 65% em relação ao mesmo período do ano passado. Em relação a prisões, o secretário da pasta afirma que os nove primeiros meses de 2021 ultrapassaram o ano de 2020 em número de prisões. São 22 mil capturas neste ano, sendo que nos 12 meses do ano passado foram 21 pessoas presas. 

Operação Atroz

A Polícia Civil realizou a prisão de 11 pessoas por mandados de prisão temporária relacionados a homicídios e ameaças de expulsão de criminosos contra moradores da Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza. Além da RMF, os policiais atuaram no bairro Conjunto Ceará, em Fortaleza, e no município de Pentecoste.

Francisco Ronald Ávila de Freitas, de 36 anos, conhecido como “Rony" foi um dos presos e é apontado como chefe de um grupo criminoso oriundo do Rio de Janeiro. Também foi preso Francisco Paulo Sérgio do Carmo de Melo, 26 anos. Outros nove mandados de prisão são relacionados a ameaças contra os moradores da região.

Foram Daniel Amarante de Souza ,19, conhecido como “Coreano”; José Adrianderson Cavalcante de Freitas, 21, conhecido como “Sinistro”; Francisco Renato Moura Beserra, 23, conhecido como “Renatinho”; Leonardo Cavalcante dos Santos, conhecido como “Coquinho”; Pedro Douglas Sales de Lima, 20, conhecido como “Satânico”; Kelton Avila Lopes, 30, Antonio Matheus Marinho Pereira ,21, conhecido como “Lourão”; além de Willadier Freitas Freitas do Monte Monteiro, conhecido como “Ladier” e João Vitor Melo de Oliveira, 23.

Denúncias de extorsão 

Em 18 de setembro O POVO mostrou a denúncia de que os comerciantes da avenida Mozart Lucena, no bairro Vila Velha, em Fortaleza, estariam recebendo ligações de integrantes de facção e esse contato exigia R$ 3 mil para que os proprietários de comércio possam trabalhar. Além disso, um anúncio informando que as atividades de "Jogo do Bicho, que é ilegal, também seria alvo das facções. A esposa de um trabalhador do jogo do bicho, em contato com O POVO, relata que homens passaram nas bancas dando a ordem para fechar.

 Em setembro de 2020 e abril de 2021 O POVO mostrou a dificuldade dos provedores de internet, TV a cabo e gás para prestarem serviços no Cidade Jardim II. Neste ano, a reportagem mostrou que o problema para se conectar à internet continua na mesma comunidade. O motivo é que as facções exigem dinheiro dessas empresas, e quem não paga perde o "direito" de trabalhar no local

 

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