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Bolsonaro diz que não tomará vacina contra Covid-19

Presidente da República voltou a atacar, em entrevista, campanhas de imunização contra a Covid-19 e repetiu fatos comprovadamente falsos sobre a doença e vacinas
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Bolsonaro afirmou estar imune à Covid-19 por já ter contraído a doença; fala do presidente não condiz com a realidade (Foto: Sergio Lima/AFP)
Foto: Sergio Lima/AFP Bolsonaro afirmou estar imune à Covid-19 por já ter contraído a doença; fala do presidente não condiz com a realidade

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), afirmou que não irá se vacinar contra a Covid-19. A declaração foi feita em entrevista à rádio Jovem Pan na terça-feira passada, 12. Bolsonaro havia afirmado anteriormente que só decidira sobre receber o imunizante quando toda a população brasileira já o tivesse feito. Ao ser cobrado pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ele argumentou que estaria imune à doença por já ter contraído o vírus.

A afirmação do presidente, porém, não é verdadeira. Mesmo pessoas que já tiveram Covid-19, inclusive que se vacinaram, podem ser infectadas novamente pelo vírus. A imunização auxilia, individualmente, a reduzir a gravidade da doença, e, socialmente, a reduzir a circulação do patógeno.

Outra inverdade na fala de Bolsonaro é que, ao contrário do afirmado pelo presidente, a vacinação ajuda a aumentar o número de anticorpos em pessoas que já tiveram Covid-19, mesmo recuperadas. O aumento na imunidade também pode acontecer com a combinação de vacinas, como reforço da Pfizer para pessoas que tomaram duas doses de CoronaVac.

Bolsonaro é contra passaporte de vacina

Por fim, Bolsonaro se colocou mais uma vez contra a obrigatoriedade de pessoas se imunizarem, como nas propostas de passaporte de vacina. A medida, recomendada pelo Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) para aplicação nacional, já é usada em pelo menos 249 cidades no Brasil, inclusive capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. No Ceará, 12 cidades já exigem o comprovante de imunização, e a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) estuda tornar a apresentação obrigatória no Estado inteiro.

O objetivo do passaporte de vacina é restringir, em determinados locais, o acesso de pessoas que não comprovem ter se imunizado contra a Covid-19. O coronavírus se propaga pelo ar, e lugares com circulação de pessoas, especialmente ambientes fechados, podem potencializar a transmissão.

Deste modo, o uso do passaporte de vacinas garante que frequentadores de determinado local tanto tenham menos chance de estarem com a doença quanto, caso contraiam Covid-19, apresentem variações mais leves, devido à imunização. A medida deve ser aliada à exigência do uso de máscaras e higienização das mãos.

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