A Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) alterou, nesta quarta-feira, 16, a configuração viária da rua Floriano Peixoto, no Centro de Fortaleza. A mudança, que inclui a retirada da extensão da calçada na via, atende às demandas do projeto de requalificação da Praça do Ferreira e entorno.
Implantadas em maio de 2021 no Centro de Fortaleza, as chamadas Calçadas Vivas, são extensões sinalizadas das calçadas tradicionais, criadas para ampliar o espaço e garantir mais segurança aos pedestres. Questionada se a medida seria adotada em outras ruas futuramente, AMC afirmou que "no momento, a única via impactada com a medida é a Floriano Peixoto".
Na prática, a via passa a funcionar com duas faixas de tráfego, sendo uma para circulação de veículos e outra para estacionamento, no trecho compreendido entre a avenida Duque de Caxias e a rua Doutor João Moreira. A infraestrutura cicloviária existente no local será mantida.
A Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf) informou, em nota, que as obras de revitalização irão ampliar a Praça do Ferreira em oito metros sobre a rua Floriano Peixoto, por meio da implantação de travessias elevadas.
Com as intervenções, que devem ser concluídas até novembro, a região contará também com vagas de estacionamento destinadas para carga e descarga, idosos, pessoas com deficiência (PCD), zona azul, embarque e desembarque, além de área reservada para carro-forte.
Além dessas medidas, a AMC informou que está melhorando o pavimento e implantando novas sinalizações nas ruas Floriano Peixoto, Major Facundo, Travessa Pará e Pedro Borges, situadas no entorno do equipamento. Agentes de trânsito permanecerão no local até a conclusão da obra, controlando o tráfego e orientando condutores e pedestres.
Caminhando com seu filho em um carrinho de bebê, o corretor imobiliário Matheus de Oliveira, 26, acredita que a retirada das colunas que limitavam as extensões para pedestres facilitaram o trajeto, mas que ainda há o que melhorar.
"Facilitou o translado. Deixo o carro e venho a pé para cá. De carro, era um caos, mas agora tende a melhorar; se fizesse alguma coisa para pessoas com deficiência, porque, às vezes, não tem local para passar cadeira. Deveria aumentar mais para os pedestres", conta.
Natural da Paraíba, Rivonaldo de Medeiros conta que, há 10 anos, trabalha como motorista de caminhão em Fortaleza. Segundo ele, a remoção das pequenas colunas de concreto da via facilitou a rotina de entregas.
"Antes, chegava e não tinha onde encostar e ficava aquela dificuldade para a gente fazer entrega, e os colegas vendedores também estavam reclamando. A gente não sabia nem onde era a carga e descarga, porque não tinha mais nome, já tinha apagado do chão. Não dava pra estacionar. Fizeram aí o asfaltozinho novo e melhorou", conta.
Para o taxista Ipojucan Gonçalves, de 64 anos, as mudanças na rua Floriano Peixoto deixaram a desejar. "O que faltou para nós nessa requalificação foi que tínhamos seis vagas de táxi da rua Liberato Barroso para trás; e fizeram a requalificação e não devolveram as nossas vagas. Nós estamos prejudicados porque esse ponto ao lado da C.Rolim, chegando na praça, não é o suficiente para suprir a necessidade de todos os taxistas que trabalham aqui", diz.
Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Assis Cavalcante, explicou que o número de frequentadores diários no Centro caiu de 350 mil, em 2019, para cerca de 190 mil pessoas em 2025. O novo cenário foi discutido em uma reunião com a gestão municipal, realizada antes do início das obras, e uma das sugestões da CDL foi substituir as Calçadas Vivas por estacionamentos Zona Azul.
Professor do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC), Mário Angelo Nunes pondera que, caso a remoção das extensões de calçadas não seja compensada com a criação ou ampliação de outras áreas seguras para pedestres, a mobilidade urbana na região poderá ser prejudicada para quem se desloca a pé.
"A ideia do Centro da Cidade é você proteger a circulação de pessoas, de pedestres (...) Se for tirar para colocar uma calçada para melhorar o espaço, aí não tem problema. O que precisa no Centro é ter condições de você realmente caminhar", avalia.
Há 36 anos trabalhando como guardador de carros na região da Praça do Ferreira, Francisco Reynaldo Tavares, 46, pontua que não houve uma mudança tão significativa no fluxo de carros no entorno da praça, mas espera que a reforma amplie o número de vagas de estacionamento.
“O que tá faltando aqui é mais estacionamento para as pessoas pararem. Quando botaram o Bicicletar, botaram as ciclovias em uns cantos que não tinham nada a ver. Então, tem que voltar a ter estacionamento do lado das lojas, que é mais importante. Se não tiver, você tira o direito de ir e vir de algumas pessoas, como obesos, idosos e pessoas com deficiência”, relata.
Representante de RH em uma joalheria localizada na frente da praça, Socorro Oliveira relata que a poeira e o barulho das obras são os principais fatores que influenciam o fluxo de pessoas na região, mas avalia que a ampliação do estacionamento deve favorecer a movimentação dos visitantes.
Há 30 anos trabalhando como mototaxista no Centro de Fortaleza, Arthur Lima de Jesus, 65, conta que já acompanhou muitas mudanças no trânsito da região ao longo de sua vida. Desta vez, ele acredita que o tráfego de veículos e fluxo de pessoas no entorno da praça parece estar melhorando.
“Agora parece que vai melhorar mais um pouco, porque o trânsito se tornava muito engarrafado por causa de certos tipos de faixas que o ex-prefeito fez aqui, agora parece que estão desmanchando e fazendo umas mudanças. Então, tá melhorando certas ruas e outras não. Com a reforma da praça, a gente espera uma melhora maior ainda”, conta.
Com “50 anos de Praça do Ferreira”, o guardador de carros José Ribamar, 70, relembra que o equipamento sempre foi bastante movimentado e afirma que, para fomentar as visitas do público, é preciso alargar as vias.
“As ruas daqui são bem estreitinhas, tem que deixar mais larga. A outra gestão trancou as ruas todinhas com cones, aí ficou muito apertado. Não dava pra passar ali, tinha que passar por cima dos cones”, cobra.
Além da reforma da Praça do Ferreira, a atual gestão tem planos para, até 2028, fazer uma requalificação completa do Centro de Fortaleza, com a instalação de Zonas Azuis de estacionamento, além de um corredor tecnológico entre as avenidas Dom Manuel e Monsenhor Tabosa.