Logo O POVO+
Queda, engasgo e queimadura: IJF registra 8.844 atendimentos de crianças em 2025
Comentar
CIDADES

Queda, engasgo e queimadura: IJF registra 8.844 atendimentos de crianças em 2025

As quedas lideram o volume de ocorrências na Unidade, somando 6.519 atendimentos
Edição Impressa
Tipo Notícia Por
Comentar
FRANCISCO Almeida da Silva Filho, 6, passou por uma cirurgia após uma queda de bicicleta (Foto: AURÉLIO ALVES)
Foto: AURÉLIO ALVES FRANCISCO Almeida da Silva Filho, 6, passou por uma cirurgia após uma queda de bicicleta

As principais causas de atendimentos de emergência em 2025 envolvendo crianças e jovens de 1 a 14 anos no Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza, foram quedas, casos de corpo estranho ou engasgo e queimaduras. Ao todo, somente nessas três ocorrências, foram registrados 8.844 atendimentos ao longo do ano.

LEIA TAMBÉM | Casos de picadas de escorpião aumentaram cerca de 20%, diz IJF

As quedas lideram o volume de ocorrências na Unidade, somando 6.519 atendimentos. O período com maior registro foi no último mês de dezembro, quando foram contabilizados 624 atendimentos. O período é marcado pelo início das férias escolares para muitas crianças e adolescentes.

Na ala de pediatria do Instituto Dr. José Frota (IJF), um dos pacientes é Francisco Almeida da Silva Filho, de seis anos, internado desde o dia 26 de dezembro. A mãe, Francisca Maria de Almeida, 46, moradora de Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), relata que o acidente aconteceu quando o filho saiu para comprar um “dimdim”.

“Pensei que ele tinha ido a pé, porque era pertinho, mas ele pegou a bicicleta para ir”, ela relata. Com um sorriso travesso para mãe, o pequeno explicou que tentava fazer faíscas com a bicicleta. “Eu vou falar a verdade: eu fui 'raspar o pedal'”, disse Francisco.

Na perna direita, o garotinho sofreu fraturas no fêmur e na patela. Ele passou por uma cirurgia para corrigir as lesões, com a colocação de uma estrutura metálica ao redor da perna.

No mesmo setor, outra mãe acompanha a recuperação do filho. Kamila Leite, 40, explica que Dom, de quatros anos, sofreu um acidente na ultima terça-feira, 13, em um restaurante em Fortaleza. O menino brincava no espaço kids. “O trampolim do restaurante é no chão, não é aquele pula-pula tradicional. Aí ele tropeçou, porque tem tipo um tapete. Quando tropeçou, caiu em cima do braço e fraturou.”

Dom sofreu fratura no ligamento do cotovelo. Kamila afirma que, inicialmente, não imaginou a gravidade. “Eu pensei que não fosse nada, que tinha sido só um escorregão.”

Após passar pelo susto, Kamila destaca a importância da vigilância constante. “Criança é imprevisível. A gente tem que estar de olho o tempo inteiro. É cuidado mesmo, para evitar problemas maiores.”

De acordo com Jamile Mineu, coordenadora de enfermagem da emergência do IJF, o período de férias costuma influenciar no volume de atendimentos de crianças e adolescentes na Unidade.

“É um período em que as crianças ficam mais no ambiente domiciliar ou precisam de um maior entretenimento. Aí os pais levam para parquinhos, para a praia, para alguns locais que tenham piscina”, explica.

Ela ressalta que os acidentes não se restringem a ambientes externos. Dentro de casa, situações comuns também representam risco. “Queda de cama, escorregões dentro de casa, justamente porque a criança fica correndo, pulando em cima da cama ou fazendo brincadeiras diferentes”, pontua.

Crianças entre 1 e 5 anos concentram a maior parte dos atendimentos por quedas. Os casos mais frequentes envolvem traumatismo cranioencefálico, após batidas na cabeça, e cortes no couro cabeludo, especialmente em ambientes com móveis pontiagudos.

Também são comuns fraturas complexas, sobretudo nos membros superiores, já que as crianças costumam usar os braços para se proteger durante a queda. “Se a criança bateu a cabeça, ficou muito chorosa, sonolenta, dormindo mais que o habitual ou apresentou vômitos, pode haver traumatismo craniano, e deve-se procurar o IJF.”

Casos de engasgo/corpo estranho somaram 1.743 ocorrências no ano. O mês com maior prevalência foi maio, com 161 ocorrências, já dezembro registrou 140 casos. Esse tipo de atendimento inclui situações em que crianças engolem ou aspiram objetos pequenos, alimentos ou outros materiais que podem causar obstrução das vias aéreas.

“O que mais aparece são [ingestão de] pilhas e baterias. Quando é bateria, a gente precisa de um cuidado redobrado, porque ela pode ocasionar danos graves à criança”, alerta Jamile.

Moedas pequenas também figuram entre os itens mais ingeridos. “Algumas crianças acabam pegando objetos pequenos e inserindo no ouvido ou no nariz”, completa. “Quando visualizarem ou mesmo suspeitarem da ingestão de pilha, bateria ou moeda, devem trazer a criança para o IJF”, destaca.

Já as queimaduras resultaram em 582 atendimentos entre janeiro e dezembro. O mês mais crítico foi setembro, com 68 ocorrências. Em dezembro, foram registrados 40 atendimentos.

A maioria está relacionada a líquidos quentes. “Acontecem bastante queimaduras por água ou café quente. Às vezes a panela está no fogão com o cabo para fora, a criança puxa e o líquido quente acaba caindo sobre ela”, explica Jamile.

Enzo Gabriel, de 6 anos, está internado no IJF após sofrer queimaduras de segundo grau. “Eu fui fazer o café. Já tinha colocado o açúcar e o café dentro. Na hora que eu tirei, a alça quebrou. Ele estava pertinho, sentado, e foi tudo para cima dele, na perna”, relata a tia da criança, Vitória Régia Oliveira Furtado, 26, moradora de Caucaia.

LEIA TAMBÉM | Infância segura: ambientes domésticos protegidos para crianças exigem cuidados redobrados

Em situações de queimadura, a orientação é buscar atendimento o quanto antes. “Toda queimadura precisa de avaliação, porque existem os graus: primeiro, segundo e terceiro. Não se deve passar álcool, não estourar bolhas, não passar creme dental nem qualquer tipo de remédio caseiro", afirma Jamile Mineu, coordenadora de enfermagem da emergência do IJF.

Dicas para evitar acidentes com crianças nas férias:

Para reduzir os riscos durante o recesso escolar, a prevenção deve ser baseada, principalmente, na supervisão constante.

  • Evite pisos molhados
  • Mantenha objetos pontiagudos fora do alcance de crianças
  • Não deixe panelas quentes ou alimentos sendo preparados com crianças por perto
  • Armazene corretamente produtos que possam causar intoxicação, como produtos de limpeza

Fonte: Jamile Mineu, coordenadora de enfermagem da emergência do IJF

Formas de evitar acidentes com crianças

A prevenção deve ser baseada, principalmente, na supervisão constante;

> Evite pisos molhados;

> Mantenha objetos pontiagudos fora do alcance de crianças;

> Não deixe panelas quentes ou alimentos sendo preparados com crianças por perto;

> Armazene corretamente produtos que possam causar intoxicação, como produtos de limpeza.

Fonte: Jamile Mineu, coordenadora de enfermagem da emergência do Instituto Dr. José Frota (IJF)

O que você achou desse conteúdo?