O incêndio da sucata Chico Alves, que aconteceu no dia 24 de dezembro passado, em Fortaleza, foi causado por uma bomba rasga-lata. A informação foi divulgada pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) nessa terça-feira, 20, após a conclusão do laudo pericial.
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Segundo a pasta, vestígios observados no local, bem como características dos materiais atingidos e a dinâmica do evento, indicam que o sinistro foi iniciado pelo contato entre uma fonte térmica externa, identificada pela Pefoce como uma bomba rasga-lata, e materiais inflamáveis dentro da sucata.
As investigações eram conduzidas há mais de duas semanas, com uso de drones para fazer análise técnica do local.
O laudo foi enviado para a Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE), que conduz as investigações sobre a ocorrência. Oitivas e diligências seguem em andamento para apurar as circunstâncias do incêndio, bem como capturar possíveis envolvidos com a situação.
O vídeo de um incêndio no bairro Jacarecanga, que chegou a ser vinculado ao incidente pelas redes sociais, foi descartado pela Polícia durante as investigações.
O incêndio não causou morte de pessoas, entretanto levou a perdas materiais para diversos moradores no entorno da sucata. Ao todo, oito imóveis sofreram danos estruturais e precisaram ser interditados já na noite da véspera de Natal, quando o sinistro aconteceu.
O POVO esteve no local durante o início deste ano e conversou com os moradores, que além das perdas, pontuaram também uma grande dificuldade de entrar em contato com o proprietário dos imóveis onde vivem, o próprio Chico Alves, para negociar os custos dos reparos.
Durante a visita, a reportagem conversou extraoficialmente com Chico Alves, que relatou a dor de perder os objetos de sua falecida esposa, os quais garantiu guardar com a maior estima do mundo, entre eles roupas, relógios e sapatos.
Na oportunidade, a equipe do O POVO tentou entrevistar oficialmente com o proprietário sobre os danos da sucata e dos imóveis ao redor, mas foi impedida pela família, que afirmou não querer se pronunciar antes da conclusão do laudo da Pefoce.
Os trabalhos para contenção e rescaldo das chamas na sucata duraram 76 horas. Iniciado na noite de 24 de dezembro, o incêndio foi totalmente debelado apenas no domingo, 28.
Ao todo, foram empregados 600 mil litros de água na ação, com o uso combinado de viaturas-tanque, Auto Bomba Tanque (ABTs), Auto Escada Mecânica e apoio de carros-pipa da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). Cerca de 70 bombeiros militares e 23 viaturas do CBMCE participaram da operação
Dois bombeiros militares e dois civis tiveram ferimentos durante o sinistro, mas sem nenhuma evolução para quadros graves.
Além do CBMCE, a Polícia Militar do Ceará (PMCE), Defesa Civil de Fortaleza, a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Fortaleza estiveram no local.