Entre fevereiro, março e abril, primeiros três meses da quadra chuvosa do Ceará, a probabilidade do Estado ter chuvas abaixo da média é de 40%. O prognóstico foi divulgado pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) nessa quarta-feira, 21.
O estudo, que tenta prever uma média de volume acumulado de chuva para o período, também indica 40% de probabilidade de precipitações dentro da normalidade e 20% de chances de um volume maior que a média.
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Os modelos de previsão apontam ainda uma variação espacial e temporal das chuvas no Estado. Há tendência que o Centro-Sul do Ceará tenha condições mais secas que a porção Centro-Norte do território.
Conforme Eduardo Sávio Martins, presidente da Funceme, o prognóstico causa preocupação quanto ao aporte de recursos hídricos do Ceará.
"Em cerca de 50% dos anos classificados como dentro da média, os aportes acabam ficando abaixo da média. Portanto, se fizermos uma simplificação dos cálculos, temos aproximadamente 60% de probabilidade de aportes abaixo da média (neste ano)", destaca.
Os reservatórios hídricos do Ceará estão em 38,6% da capacidade, cerca de 7 bilhões de metros cúbicos. Conforme o presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) do Ceará, Yuri Castro, o volume médio atual é considerado razoável para o Estado. Contudo, a distribuição irregular das chuvas preocupa quanto ao abastecimento de determinadas regiões.
Os reservatórios com maior volume hídrico no momento são os da bacia do Alto Jaguaribe, que superam 70% da capacidade, Acaraú (65,7%) e Coreaú (60,7%). A Metropolitana, que abastece Fortaleza, está com 49,9% de sua capacidade.
Já as bacias de Banabuiú (26,3%), Médio Jaguaribe (20,3%) e Sertões de Crateús (9,4%) registram os menores volumes hídricos do Estado.
Ramon Rodrigues, secretário Executivo de Planejamento e Gestão Interna da Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH), destaca que a região de Crateús já recebeu cinco reservatórios com capacidade superior a 100 milhões de metros cúbicos para lidar com crises hídricas.
Contudo, segundo ele, a solução definitiva seria o reservatório Lago de Fronteiras, obra do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) iniciada em dezembro de 2021 e paralisada desde junho de 2024.
O secretário ressaltou que alternativas estão sendo consideradas caso os níveis permaneçam baixos após a quadra chuvosa. “No passado, já fizemos intervenções naquela região, como a transferência de água do açude Araras”, afirmou. Uma reunião do Comitê Integrado de Segurança Hídrica está prevista para esta quinta-feira, 22, para definir ações preventivas.
Já o Médio Jaguaribe, também com cerca de 20%, não é visto como tão preocupante. “Temos o Orós integrado ao Castanhão, que está com cerca de 70% da capacidade. Somando Orós e Castanhão, nós temos aproximadamente 2 bilhões e 700 milhões de metros cúbicos, o que é suficiente para atender o Vale do Jaguaribe e, se necessário, abastecer a Região Metropolitana de Fortaleza”, destaca Ramon Rodrigues.
Na região do Cariri, abastecida principalmente pela Bacia do Salgado, a situação é relativamente confortável, com 42,9% de capacidade. Contudo, embora o Cariri seja uma área que normalmente recebe chuvas antes do início da quadra chuvosa, essas chuvas também ficaram abaixo da média.
“O Cinturão das Águas está ligado diretamente ao Rio São Francisco. Se for necessária uma intervenção mais rápida, existe água disponível por meio dessa integração.” A previsão é que a água do Cinturão das Águas chegue ao município de Barbalha até o fim de maio e ao Crato até o fim de julho de 2026.
Em relação ao período de pré-estação chuvosa, que compreende os meses de dezembro e janeiro, o mais recente foi o segunda pior observado pela Funceme.
"O nosso registro sistemático começa em 1972 e a única pior foi a de 1982 para 1983, que foi a pior de todo o histórico", informa o presidente da Funceme, Eduardo Sávio.
No mês de dezembro passado, a média observada foi de 17,9 milímetros, quando o normal seria 31 mm. Já em janeiro, até terça-feira passada, 20, foi observado uma média de 10.1 milímetros, quando o normal seria 99.8 mm.
Na divisão territorial das chuvas, apenas 3% do Estado teve precipitações acima da média em dezembro, enquanto 31% atingiram a média esperada. A maioria das regiões, 65% do território, teve menos chuvas que a média histórica para o período. Em janeiro, todo o território do Ceará registrou precipitações abaixo da média.
Pré-estação chuvosa foi a segunda pior da história
Em relação ao período de pré-estação chuvosa, que compreende os meses de dezembro e janeiro, o mais recente foi o segunda pior observado pela Funceme.
"O nosso registro sistemático começa em 1972 e a única pior foi a de 1982 para 1983, que foi a pior de todo o histórico", informa o presidente da Funceme, Eduardo Sávio.
No mês de dezembro passado, a média observada foi de 17,9 milímetros, quando o normal seria 31 mm. Já em janeiro, até terça-feira passada, 20, foi observado uma média de 10.1 milímetros, quando o normal seria 99.8 mm.
Na divisão territorial das chuvas, apenas 3% do Estado teve precipitações acima da média em dezembro, enquanto 31% atingiram a média esperada. A maioria das regiões, 65% do território, teve menos chuvas que a média histórica para o período. Em janeiro, todo o território do Ceará registrou precipitações abaixo da média.