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Não há "onda de feminicídios" quando mortes de mulheres são rotina
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Não há "onda de feminicídios" quando mortes de mulheres são rotina

Desde 2018, 280 mulheres foram mortas no Ceará vítimas de feminicídios. Somente em 2025, foram 46 mortes no Estado
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Imagem de apoio ilustrativo. Foram requeridas mais de 22 mil medidas protetivas no Ceará em 2025 (Foto: Fernanada Barros)
Foto: Fernanada Barros Imagem de apoio ilustrativo. Foram requeridas mais de 22 mil medidas protetivas no Ceará em 2025

Quem acompanha redes sociais já deve ter visto matérias sobre agressões, estupros e mortes de mulheres, quase sempre acompanhadas do comentário: “até quando vão nos matar?”. A realidade é que essa resposta está longe de ser dada.

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Dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) indicam que, desde 2018, ano em que o feminicídio passou a ser tipificado, 280 mulheres foram mortas no Estado, 46 apenas em 2025. Já o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) indica que, somente no ano passado, foram requeridas mais de 22 mil medidas protetivas.

Mulheres estão expostas à violência em casa, no trabalho, nas ruas e até em espaços como o transporte público. Em Fortaleza, a ferramenta Nina, canal de denúncias de importunação sexual em ônibus, paradas e terminais, registrou 170 denúncias ao longo de 2025. As práticas envolvem encoxar ou apalpar, intimidação e até exibicionismo.

São expressões de dominação. Partem da ideia de que o homem teria o direito de controlar e submeter a mulher à sua vontade. E, infelizmente, esse cenário pode piorar. Estudo da Universidade Federal do Ceará (UFC), com dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que a violência contra a mulher no Brasil pode aumentar até 95% até 2033.

A pesquisa ressalta que esses números não representam um cenário inevitável, mas funcionam como um alerta: sem políticas públicas eficazes, de punição, sim, mas também de prevenção, a violência continuará avançando.

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