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Outubro Rosa: Fortaleza tem déficit de 20 mil mamografias por ano
Economia

Outubro Rosa: Fortaleza tem déficit de 20 mil mamografias por ano

Na Capital, são realizados cerca de 50 mil exames anualmente. O número é considerado baixo e exige mais descentralização da oferta do serviço
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MAMOGRAFIA é capaz de identificar tumor em fase inicial, com maior chance de cura (Foto: Evilázio Bezerra / em 26-10-2016)
Foto: Evilázio Bezerra / em 26-10-2016 MAMOGRAFIA é capaz de identificar tumor em fase inicial, com maior chance de cura

Pelo menos mais 70 mil mamografias deveriam ser realizadas em Fortaleza por ano. Hoje, na Capital, apenas 10 unidades de saúde oferecem o exame através do Sistema Único de Saúde (SUS), contemplando aproximadamente 50 mil mulheres anualmente. É preciso descentralizar, tornar mais acessível e informar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. E tudo começa ainda na atenção primária.

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É na Unidade Básica de Saúde (UBS) que a mulher precisa, a partir dos 40 anos, fazer sua primeira avaliação das mamas. Uma enfermeira ou um médico são responsáveis por coletar dados sobre histórico familiar e hábitos de vida, além do exame físico. "Se nessa anamnese for detectada uma maior incidência de câncer, se tiver mãe ou irmã que já tiveram a doença, por exemplo, essa paciente precisará ser monitorada de perto", explica o presidente da Comissão Municipal de Controle do Câncer de Mama da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Paulo Vasques. Ele garante que todos os 92 postos de saúde da Capital oferecem esse atendimento.

A consulta com o médico especialista, o mastologista, precisará de encaminhamento para a rede de atendimento secundário. Assim como a realização da mamografia. Em Fortaleza, de acordo com Paulo Vasques, existem 10 locais onde o exame pode ser realizado. O número não consegue suprir uma das maiores necessidades do combate ao câncer de mama: o acesso mais fácil ao diagnóstico. "O desafio é ampliar as unidades para que fique mais próximo das residências", avalia.

A Prefeitura de Fortaleza iniciou processo de chamamento público para clínicas interessadas em ofertar o exame. Para cada mamografia o SUS paga cerca de R$ 50. "Temos muitos mamógrafos ociosos em clínicas particulares. Quinze se candidataram no chamamento e quanto mais unidades, melhor", acrescentou o mastologista da SMS.

Pesquisa realizada pela Pfizer em parceria com o Ibope Inteligência, com duas mil mulheres, identificou que mais de 80% delas acreditam que o autoexame é a única forma de prevenção do câncer de mama. O dado, conforme a médica Marina Sahade, do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, deixou claro o quadro ainda existente de desinformação.

É somente através da mamografia que tumores em forma de microcalcificações, que ainda não são considerados malignos, podem ser identificados. "E nessa fase a chance de cura é altíssima. Faz cirurgia, às vezes, precisa de radioterapia, mas pode curar. E mesmo um tumor invasivo, mas que tem menos de 1 cm, é possível conter a evolução", explica Marina. Em casos específicos, como mamas mais densas, outros exames serão necessários. "Mas para o rastreamento populacional, a mamografia é imprescindível", frisa.

Agende-se

Hoje

A exposição Reflorescer, organizada pela Associação Nossa Casa, traz bordados, criados por mulheres que passaram ou estão passando pelo tratamento do câncer de mama. A abertura acontece às 19 horas, na av. Rui Barbosa, 888, Meireles.

7/10

A Maternidade-Escola Assis Chateaubriand lança sua campanha no dia 7, às 9 horas. A programação terá palestras e sessões educativas. Mais informações: (85) 3366-8577.

9/10

A Unimed Ceará realiza, em parceria com a Rede Mama, o "Passeio Ciclístico Outubro Rosa" no dia 9 de outubro. A concentração acontece às 18h na Rua Nogueira Acioli, 925, Aldeota, com previsão de saída às 20 horas. Para participar, é necessário levar uma lata de leite em pó ao dia do evento.

 

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