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Economia

Quando vale a pena usar cashback, sistema de retorno de crédito nas compras

O programa de recompensas pode ser vantajoso, com "devoluções" que chegam a 50%, mas há o alerta para o risco de compras por impulso
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O cashback é um recurso de fidelização dos clientes (Foto: Agencia Brasil)
Foto: Agencia Brasil O cashback é um recurso de fidelização dos clientes

O cashback, programa que retorna em crédito parte do dinheiro gasto em produtos ou serviços, é importante recurso das empresas para fidelização do cliente. Do outro lado, uma economia para o consumidor, que recebe de volta 5% a 10%. Em alguns casos, chega a 50%. Mas são necessários cálculos e cautela para o sistema não se tornar um argumento fácil para consumir sem freio.

Um cuidado a ser redobrado neste período de Black Friday e compras de fim de ano. Outro ponto importante é checar a credibilidade da prestadora para evitar transtornos. Mas quando vale a pena recorrer a esse programa de recompensas? O professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon/CE), Ricardo Coimbra, explica que o cashback pode, por exemplo, aliviar o impacto de alguns produtos nas finanças pessoais.

"Pode ser um agregativo de valor. Se o comprador conseguir uma redução de 3% a 5%, é como se houvesse um ganho do seu orçamento", explana. "Se em alguns itens o retorno for entre 7% e 8%, nos produtos dos quais não consegui-lo, terá uma média de diminuição daquilo que consome", calcula.

Coimbra pondera que deve-se fazer um comparativo entre os preços praticados pelo estabelecimento ou operadora que gera essa possibilidade com as demais. Ou seja, confrontar o custo cheio da comercialização das duas formas para identificar se há mesmo vantagem.

Se o consumidor não fizer avaliações, pode acabar pagando mais caro. "Para evitar entrar em cilada, é crucial verificar a credibilidade da instituição financeira para que não passe as informações a terceiros, pesquisar e observar a adesão dos programas e se existe efetividade nesse retorno", aponta.

Uma dica para conseguir melhores ganhos é acompanhar os percentuais obtidos e ter uma carteira de operações de cashback. É indispensável calcular quanto sairia determinada aquisição ou serviço à vista ou pago com o cartão de crédito e devolução, para comparar os valores finais de ambas modalidades.

Coimbra destaca que parte do cashback pode estar vinculada ao repasse para a operadora do cartão de crédito. "Nesse momento de implementação do PIX (pagamento instantâneo gratuito do Banco Central) e as operadoras perdendo parte das operações e faturamento, elas podem migrar para as de cashback para fazer uma composição", frisa.

O professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisador em Finanças Pessoais e Comportamentais, Érico Veras Marques, diz que o primeiro cuidado é se questionar antes de qualquer aquisição.

"Estou precisando e posso comprar isso? As duas respostas precisam ser sim. Se preciso e não posso, é necessário postergar. Se posso, mas não preciso, está gastando dinheiro desnecessariamente. Se nem pode e nem precisa, é a pior situação de uma compra, com componente puramente emocional", exemplifica.

Essa autoavaliação será um termômetro para a pessoa não consumir a mais em busca de recompensas, que, no fim das contas, não trariam benefícios reais. Érico frisa que adquirir algo em dobro ou apenas porque terá um desconto pode gerar até uma percepção de economia, mas, na verdade, cria-se um gasto além do essencial, além de impactos negativos no orçamento.

 

Méliuz

A Méliuz informou que está em período de silêncio, mas enviou nota sobre como funciona o negócio. Os parceiros pagam para anunciar em seus canais e, a cada compra realizada por meio da plataforma ou cartão de crédito, o usuário recebe parte desse valor (cashback), podendo resgatá-lo para conta corrente ou poupança.

O valor devolvido em cada compra é creditado no extrato do Méliuz e, ao completar R$ 20, o cliente pode solicitar o resgate, por meio do site ou do app do Méliuz, e recebê-lo de volta. 

OAB-CE tem cashback

A OAB Ceará anunciou programa cashback que oferecerá descontos e possivelmente o pagamento total do valor da anuidade por meio de compras online. Segundo a entidade, são mais de 700 estabelecimentos cadastrados, que vão desde descontos em supermercados, serviços de streaming, empresas de turismo, companhias aéreas, lojas de vestuário, eletrônicos, cursos, livros.

Dentre elas, Submarino, Americanas, Amazon, Carrefour, Shoptime, Polishop, Peixe Urbano, Etna, Tok Stok, HP, Lenovo, Booking.com, TAP, Amazon, Pontofrio e Extra. O cadastro no Programa Cashback é gratuito por meio site oabce.org.br. Basta criar um login, fornecer o nome, e-mail e criar uma senha.

Guia sobre a retomada de pontos nas compras

O que é

O conceito de cashback nasceu nos Estados Unidos. No Brasil, a modalidade surgiu em 2011, com a Méliuz, um modelo em que as lojas pagam para anunciar seus produtos e serviços no app, e a empresa devolve parte do valor pago pelo cliente que fez a compra. Ao acumular um valor mínimo de R$ 20, o usuário pode transferir para sua conta-corrente.

Quais empresas oferecem o serviço

Depois da Méliuz, surgiram outras empresas que prometem o benefício, como a Beblue e o Poup. Os bancos também entraram no negócio e a própria Méliuz lançou um cartão de crédito, em parceria com o Banco Pan. No ano passado, o banco digital Next, do Bradesco, também anunciou uma parceria com a Getmore, que oferece crédito de até 25% do valor gasto em determinadas compras. O Nubank, por sua vez, tem o serviço Rewards, que oferece uma pontuação, que pode ser utilizada para pagar valores de empresas parceiras que constem na fatura do cliente. Porém, os serviços de cashback mais conhecidos, hoje, são o Ame, da B2W, e o PicPay, de transferência de valores.

Somente vale para lojas onlines?

Na maior parte dos casos, a opção de uso do benefício acontece em e-commerce, mas também é possível baixar os aplicativos e utilizá-los na hora de fazer pagamentos em estabelecimentos físicos. Os postos de combustíveis da rede BR, por exemplo, têm parceria com o Ame (neste caso, o preço do produto é um pouco menor e o cliente acumula bônus para novas compras), e os da Ipiranga utilizam um aplicativo próprio (Abastece Aí), que oferece vantagens em compras de combustíveis, itens das lojas de conveniência da rede e produtos disponíveis no site.

Como funciona

O consumidor se cadastra em um site de cashback e, ao realizar compras em parceiros da empresa, recebe de volta determinados valores. O dinheiro vai se acumulando na conta e pode ser utilizado em futuras compras em outros sites de parceiros.

Quais cuidados tomar

Segurança da informação

Os dados do consumidor acabam ficando registrados no programa de recompensas. Portanto, somente faça a adesão a um programa de cashback que garanta de forma clara a proteção de suas informações pessoais.

Taxas

Observe se o programa cobra uma mensalidade ou taxa de adesão. Se houver mensalidade, é importante verificar qual o percentual de retorno oferecido e analisar se realmente a oferta é interessante. Será que esse dinheiro de volta será maior que a taxa paga mensalmente? O programa conta com lojas parceiras na qual você realmente costuma comprar?

Resgate

Lembre-se de verificar se o cashback significa realmente dinheiro de volta, que pode ser transferido para sua conta, ou se é uma espécie de bônus a ser utilizado nas lojas parceiras. Na segunda hipótese, vale observar se o crédito é disponibilizado para qualquer produto ou apenas para itens específicos. Ou seja, antes de fazer a adesão a qualquer programa, é essencial ler todos os detalhes descritos no contrato.

Fontes: Méliuz e Proteste

 

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