Economia

Setor de alimentação amarga prejuízos e falências desde o início do decreto

|Sem happy-hour e jantar nos fins de semana, a movimentação nos restaurantes cai e a queda no faturamento passa dos 50%. Empresários reclamam de falta de diálogo com o Governo e projetam mais falências caso o decreto seja estendido
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 Empresários de bares e restaurantes fizeram protestos contra horário restrito (Foto: Aurelio Alves)
Foto: Aurelio Alves  Empresários de bares e restaurantes fizeram protestos contra horário restrito

Desde que o novo decreto do Estado estabeleceu que o horário de funcionamento dos estabelecimentos e serviços não essenciais fosse reduzido, o setor de alimentação fora do lar contabiliza prejuízos e fechamento de negócios na ordem de 1 mil falências. O prejuízo para a cadeia econômica impacta ainda os trabalhadores informais e causou demissão de aproximadamente 10 mil pessoas, segundo dados dos representantes do setor de bares e restaurantes.

Com a redução do horário de funcionamento para as 20 horas, de segunda a sexta-feira, e até as 15 horas, nos fins de semana, dias importantes como as tradicionais quintas-feiras de caranguejada minguaram e a demanda nos fins de semana da mesma forma. Os empresários reclamam que, mesmo com o horário de funcionamento reduzido e prejuízos acumulados, não tem encontrado retorno do Governo do Estado na petição por melhores condições na cobrança de ICMS e IPTU.

Taiene Righetto, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Ceará (Abrasel-CE), detalha que a categoria, após dias de protestos em Fortaleza, foi recebida por representantes do Estado, em reunião realizada na última segunda-feira, 8, em que apresentou as demandas e problemas enfrentados pelo setor. A promessa de resposta viria dois dias depois, mas, ao O POVO, Taiene relata que o prazo expirou e o núcleo governista não deu retorno algum. O POVO também buscou informações com o Estado, sem sucesso.

"Infelizmente, esse é o outro lado da moeda. O decreto veio sem conversa. Depois de pedirmos muito, depois de protestos, fomos procurados para reunião e até o fim dessa semana não tivemos definição", reclama.

O presidente da Abrasel explica que o decreto é compreensível pela situação complicada na saúde, mas, como 70% do setor de alimentação fora do lar funciona durante a noite, eles foram de sobremaneira impactados. "Nesses primeiros dias, e durante a semana, apuramos que houve uma queda média de 50% na semana e de 80% nos fins de semana. (Por isso,) Muitos donos decidiram não abrir mais até o fim do decreto", afirma.

O presidente do Sindicato de Restaurantes, Bares, Barracas de Praia, Buffets e Similares do Estado do Ceará (Sindirest-CE), Dorivam Rocha, deixa claro que esses que esperam o fim do decreto o fazem pois não vale a pena abrir em horário reduzido, pois não atende a demanda de happy-hour nem de jantar e nos fins de semana a abertura não compensa pelo tempo mínimo permitido. Ele destaca que a falha de comunicação do Estado (de surpreender o mercado com as regras do decreto sem aviso prévio) causou prejuízos a mais por causa dos estoques perecíveis.

"Não somos devidamente comunicados. Ficamos sabendo das medidas dos decretos pela imprensa, pois não há comunicação entre o Governo e o setor e não há tempo hábil para qualquer planejamento". E complementa: "Sabemos que a situação na saúde não está fácil, mas nós não queremos trabalhar de qualquer jeito, temos consciência. Não concordamos que a solução é fechar o setor, mas entendemos que precisa haver diálogo para que seja combatida a pandemia, mas que o setor sobreviva".

Dorivam acredita que a restrição de horário não é o ideal, pois os clientes que não estão indo para os restaurantes, se destinam a outros lugares, sem segurança, e se aglomeram. Ele ainda reconhece que uma parcela de estabelecimentos no Estado não estava seguindo as normas do decreto anterior. "Não queremos abrir de qualquer maneira, temos trabalhado com profissionais que estão à disposição dos empresários para visitar os estabelecimentos para oferecer um selo certificador, tudo com base no protocolo da Vigilância Sanitária. Mesmo com dificuldades financeiras, os empresários se dedicaram em oferecer segurança".

O atual decreto do Estado que os empresários reclamam, foi adotado após a curva de casos tomar sentido ascendente. As medidas seguem em vigor até a Quarta-Feira de Cinzas, 17, quando poderá ou não ser prorrogada ou modificada.

SITUAÇÃO DOS SEGMENTOS

BARRACA DE PRAIA

Fátima Bezerra, presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro (Aepfuturo) e da barraca Marulhos

Se na primeira semana de decreto em vigor a movimentação foi de 25% do que seria em um dia normal, na última quinta apenas 10% dos clientes foram à praia. O funcionamento até 20 horas é o vilão.

RESTAURANTE

Sabine Martins, diretora do Grupo Geppos

Sabine relata que foram pegos de surpresa com o decreto e o prejuízo tem sido grande, já que a grande movimentação nos restaurantes do grupo é no período noturno. "Estamos criando algumas promoções para puxar o público para mais cedo, mas não adiantando tanto".

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