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Economia

Estado já negocia com dez multinacionais para o hub de hidrogênio verde

Objetivo é atrair o maior número possível de investidores para formação da cadeia produtiva do setor, que vai desde a geração até a distribuição do H2
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O processo de producao e uso do hodrogenio verde (Foto: O processo de producao e uso do hodrogenio verde)
Foto: O processo de producao e uso do hodrogenio verde O processo de producao e uso do hodrogenio verde

Lançado há pouco mais de um mês com uma parceira de memorando de entendimento assinado com a Energix Energy, o hub de hidrogênio verde do Ceará tem “pelo menos dez empresas multinacionais” com os quais “há conversas, negociações e são vistas como potenciais investidores”. Mas exclusividade não faz parte do vocabulário do Governo do Estado no que diz respeito a este empreendimento, assegura Sérgio Araújo, coordenador de Atração de Empreendimentos Industriais Estruturantes da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet).

“O interesse no projeto tem sido grande. O número de empresas com quem conversamos é bom. Mas, em nenhum momento, nós fizemos contrato de exclusividade. O leque está aberto e não vamos fechar com uma única empresa. O potencial é muito grande e o Estado do Ceará tem condição de atender vários projetos”, declara, ao afirmar que o trabalho de captação de novos investidores está em pleno curso.

Para tal, o Estado prepara a contratação de uma consultoria cujo objetivo é projetar “políticas que serão necessárias para desenvolver o hub de hidrogênio e dar segurança jurídica ao investidor, que é isso que o atrai efetivamente”. Os projetos administrativos seriam um complemento a toda infraestrutura da qual o Ceará já conta e é apresentado a cada rodada de captações, nas quais o Porto do Pecém, a ZPE Ceará e o atlas eólico/solar são o carro-chefe.

Infraestrutura do Porto do Pecém está entre os destaques para a atração de investidores ao hub de hidrogênio verde
Infraestrutura do Porto do Pecém está entre os destaques para a atração de investidores ao hub de hidrogênio verde (Foto: FCO FONTENELE)

A ideia é trazer para o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) players do setor que possam atender as necessidades do hub de hidrogênio. Neste bojo, estão geradores de energia renovável (eólica a solar), fabricantes de produtos, especialistas no processo de produção do hidrogênio (H2), empresas focadas no transporte do gás e possíveis clientes, como indústrias siderúrgica, cimenteira e de gases.

“É um processo de transformação energética, então, o projeto no Ceará está em total sintonia com esse movimento a nível mundial. E gargalo exatamente não existe. Vai ser o primeiro hub de hidrogênio do Brasil e com todas as condições de colocar o País no mapa desse setor novo que está surgindo”, ressalta Monica Panik, diretora da Associação Brasileira do Hidrogênio (ABH2).

A especialista aposta no desenvolvimento do mercado nacional para o consumo do H2 e diz acreditar que o combustível deve ser tornar uma comodity, como o petróleo é atualmente. Ela conta ainda dois projetos pilotos de hidrogênio verde no Brasil: “um foi de edital da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), em 2016, da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), e o outro de Furnas, em Minas Gerais”. “Os dois em pequenas escalas, já o hub do Ceará pretende uma larga escala combinada com indústria, transporte e até no gás natural”, compara.

Para sustentar esse potencial, o Estado conta com um potencial de geração a ser explorado gigantesco, como ressaltou Jurandir Picanço, presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis da Adece, no projeto especial de Energias Limpas do O POVO. “O que nós temos explorado hoje é uma quantidade ínfima em relação à disponibilidade que se tem. Hoje, os projetos que estão em implantação e os próximos a serem desenvolvidos somam 4 gigawatts de potência. O cearense que viaja por aí vê os parques implantados. Mas o nosso potencial é de 94 gigawatts, ou seja, nós temos muito para crescer. O potencial offshore é de 117 gigawatts. De energia solar fotovoltaica, só o Ceará dispõe do potencial de 643 gigawatts. Toda a energia elétrica do Brasil soma 170 gigawatts, para se ter uma ideia da dimensão desse potencial”, destaca.

Já o presidente do Sindienergia, Luís Carlos Queiroz, toma a projeção de geração de emprego nacional no setor, da ordem de 118 mil postos, como promissora no Ceará a partir do desenvolvimento de uma cadeia produtiva.

“As perspectivas são muito favoráveis. A matriz energética do Ceará é composta por 53% de energia eólica e solar, sendo a solar 4,7% (geração centralizada), e o restante, 47%, é fóssil. Mas com os projetos contratados, os já iniciados a construção e os que tem para iniciar, em torno de 4 anos, vamos ter uma grande alteração dessa matriz, passando a ter em torno de 70% de energias renováveis e 30% fóssil. Ou seja, o Ceará vai estar numa posição muito mais confortável do que hoje porque vai ter uma matriz de geração muito mais limpa”, projeta Joaquim Rolim, consultor da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, trazendo expectativas novas que se confirmam a cada chegada de investidor.

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