Economia

Empresários apostam em adaptação e inovação para enfrentar "abre e fecha"

|RETOMADA GRADUAL| Desde o início da pandemia, atividades econômicas passaram por alternância entre períodos de lockdown e de reabertura
Edição Impressa
Tipo Notícia Por
Ethel Whitehurst expandiu em 30% as vendas online e criou novos serviços (Foto: JÚLIO CAESAR)
Foto: JÚLIO CAESAR Ethel Whitehurst expandiu em 30% as vendas online e criou novos serviços

A partir de hoje, inicia-se uma nova etapa de flexibilização das atividades econômicas, em meio à segunda onda da pandemia de Covid-19 no Ceará. Desde 20 de março do ano passado, quando o Estado parou pela primeira vez devido à crise sanitária global, o setor produtivo tem convivido com uma espécie de gangorra entre fechamento e reabertura.

Rafael Lins, é sócio do Cantinho do Frango Sul que, reabre para atendimento presencial às 10h de hoje, como outros comércios de rua (incluindo restaurantes), após 38 dias vendendo apenas de forma online. Para ele, “no ‘abre e fecha’ dessa pandemia, o desafio no fechamento é a velocidade que você tem que ter para diminuir os custos e adaptar o seu cardápio para focar 100% em delivery. Já na abertura, a principal dificuldade é montar uma estratégia em um ou dois dias”.

Ele conta que se preparou para as restrições que viriam em março, assim que começou a ouvir os primeiros indícios de que haveria uma segunda onda da pandemia em Fortaleza. “Optamos por trabalhar com diaristas e pessoas com contratos de curto prazo. A gente teve que mudar toda a nossa operação”. Apesar da rápida capacidade de adaptação, o empresário continua avaliando como fundamental o atendimento presencial. “O cliente da mesa ele é essencial para o restaurante e deixa o nosso ticket médio bem mais alto”.

LEIA MAIS | "Somos alimentação e não pudemos voltar", critica associação de barracas de praia 

Já Ethel Whitehurst, proprietária da Yamor da Ethel, além de ter expandido em 30% as vendas online, apostou em criar serviços e adaptar outros com os quais já trabalhava. Enquanto podia abrir a sua loja de vestuário, ela registrava queda de 40% nas vendas presenciais. Apesar dos prejuízos, ela não critica as medidas restritivas adotadas e afirma que não deixou se abater pela crise. “Eu acredito que eles estão baseados na ciência para tomar essas decisões. Além disso, sempre fui uma pessoa otimista”, define-se.

“No início da pandemia, eu tive uma ideia, que surgiu olhando toalhas de mesa e colchas de bordado de crochê no meu guarda-roupa. Resolvi vendê-las na minha loja e perguntar para algumas amigas se elas também tinham peças antigas de renda e, daí, nasceu o ‘Baú da Vovó, Espaço Vintage’, uma espécie de antiquário de bordados. Também adaptei vestidos infantis de festas para transformar em roupas para que as crianças pudessem usar ao descer para os parquinhos de seus condomínios”, relata.

LEIA MAIS | Academias permanecem fechadas e setor reivindica reconhecimento como atividade essencial

Como Rafael e Ethel, Alci Porto, diretor técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) defende que, principalmente, os pequenos negócios devem apostar em inovação e se fazer cada vez mais presentes no mundo digital, mesmo com o retorno parcial das atividades presenciais. “É preciso entender que o cliente já está digital, então o empresário não pode ficar analógico. O cliente dele faz tudo pelo smartphone, inclusive compras”, pontua.

Ainda assim, ele, lembra que até 60% do faturamento das empresas, especialmente as de micro ou pequeno porte, ainda venha das vendas presenciais. “A venda online é importante, mas não é suficiente para bancar toda uma estrutura de uma empresa e proporcionar capital de giro”, pondera Alci Porto.

O que abre e o que permanece fechado

Comércios e serviços

O comércio de rua e serviços, envolvendo estabelecimentos situados fora de shoppings, inclusive restaurantes, barbearias e salões de beleza, funcionarão, preferencialmente, das 10h às 16h, com limitação de 25% da capacidade de atendimento simultâneo. Os municípios podem, contudo, estabelecer o horário das 7h às 13h, conforme especificidades locais.

Os shoppings, abrangidos os restaurantes, barbearias e salões de beleza neles situados, funcionarão das 12h às 18h, com limitação de 25% (vinte e cinco por cento) da capacidade de atendimento simultâneo.

 

Construção civil

Pode funcionar a partir de 8h.

 

Hotéis

Estão autorizados a funcionar com 80% da capacidade.

O uso dos apartamentos e quartos limitado ao máximo de três adultos ou dois adultos com três crianças.

Os restaurantes de hotéis, pousadas e congêneres poderão funcionar, de segunda a sexta-feira, das 16h às 20h, bem como aos sábados e domingos, desde que exclusivamente para o atendimento de hóspedes.

 

Permanecem fechados

Academias, parques aquáticos, barracas de praia, cinemas, museus e teatros, públicos ou privados. 

Essa notícia foi relevante pra você?
Logo O POVO Mais