A taxa de desocupação no Ceará caiu 0,8 ponto percentual (p.p.) no quarto trimestre de 2022, fechando em 7,8%, quando estava em 8,6% no período imediatamente anterior. É uma das oito unidades da federação do País a ter queda.
Por outro lado, o número de pessoas na informalidade no Estado aumentou, sendo o maior em três anos, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral divulgada nesta terça-feira, 28 de fevereiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Isso significa que o Ceará fechou o quarto trimestre de 2022 com 1,976 milhão de pessoas na informalidade. Maior resultado para um trimestre desde o último período de 2019 (outubro a dezembro), quando estava em 2,066 milhão.
Porém, como há mais pessoas no mercado de trabalho, a taxa de informalidade ficou em 53,3%. É igual ao resultado observado no primeiro trimestre de 2022.
No resultado do rendimento médio real habitual de todos os trabalhos, o valor é estimado em R$ 1.776, sem variação estatisticamente significativa em relação a igual trimestre do ano anterior e, também, em relação ao trimestre anterior.
Em relação à desocupação, recuo de 3,3 p.p no índice foi observado ante igual trimestre de 2021 (11,1%). Já na taxa média anual (9,5%) foi 3,9 p.p. abaixo do ano anterior (13,4%).
Para se ter ideia, a população desocupada no Ceará soma 313 mil pessoas, diminuindo 8,7%% (menos 30 mil pessoas) ante trimestre anterior.
Ainda caiu 28,7% (menos 126 mil pessoas) ante igual período de 2021. Na média anual totalizou 372 mil pessoas em 2022 contra 576 mil pessoas no ano anterior.
O analista de mercado de trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Erle Mesquita, explica que o histórico desequilíbrio regional fez com que tivéssemos diferentes formas de inserção no mercado de trabalho e as auto-ocupações - também conhecidas como trabalho autônomo ou por conta própria - tenham sido um das estrategias de sobrevivência dos trabalhadores. "No entanto, ainda que seja típico do final de ano a queda da taxa de desemprego pela maior oferta de trabalho, chama atenção que o que puxou a oferta de empregos no Ceará não foi nem o trabalho informal, mas o ilegal, na medida em que o registro em carteira é obrigatório para os assalariados."
Ele pondera que os efeitos da crise econômica associada ao desmonte das políticas do trabalho e da fiscalização no País contribuíram em grande medida para que isso ocorresse. "Tanto o desemprego quanto a informalidade possuem um veio muito estrutural que exige grandes esforços para mitigar essa realidade, pois ainda que o desemprego esteja cedendo, verifica-se uma piora nas condições de trabalho."