O Produto Interno Bruto nordestino cresceu 7% no biênio 2021/22, abaixo da média nacional, que ficou em 8%.
Os dados fazem parte de um estudo apresentado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) que mostra ainda o Ceará como o terceiro estado com maior participação na produção de riquezas do Nordeste.
O indicador cearense ficou em 2,1%, abaixo da Bahia (4%) e de Pernambuco (2,6%). A instituição usa a expressão "bastante concentrada" quando mostra que somados, os três estados detém 62,8% do PIB da região, na média de 2002 a 2020.
Dos outros seis estados, apenas o Maranhão possui um índice maior do que 1%, apresentando 1,2%, todos os demais ficaram abaixo de 1%, sendo que o menor resultado é do Piauí, com 0,6%.
Vale destacar que a região Nordeste como um todo representa 13,6% da soma de riquezas do Brasil, que tem os outros 86,4% distribuídos nas outras quatro regiões (Norte, Sul, Sudeste e Centro-Oeste).
O levantamento usa como base os dados do Sistema de Contas Regionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (SCR-IBGE).
Com este resultado, o Nordeste ficou apenas à frente da região Norte, que expandiu 6,1%. Já as demais regiões tiveram os seguintes resultados: 8,4% para o Sudeste; 8,2% para o Sul; e 8,6% para o Centro-Oeste.
O setor de serviços é o que apresenta maior participação no valor adicionado do Nordeste (72,4%), percentual semelhante ao do setor no Brasil (70,5%). Mas sua composição é diferente.
No Nordeste, a participação da atividade de ”administração, defesa, educação e saúde públicas e seguridade social” foi de 24,8% do total do valor adicionado da região, enquanto no Brasil essa atividade representou 16,8% do valor adicionado total.
Dos três estados destaque, no PIB nordestino, a Bahia e Pernambuco apresentam destaque no setor da indústria, já o Ceará, segue a tendência da região e do Brasil, com destaque no setor de serviços.
Segundo o pesquisador associado e futuro coordenador do Centro de Estudos Econômicos do Nordeste do (FGV IBRE) Flávio Ataliba, todo o movimento de expansão ou retração da economia ocorre de forma diferente na região Nordeste. “Mesmo dentro da região Nordeste existem formações econômicas muito diferentes em cada estado.”
Assim, ele aponta que as políticas públicas dos estados precisam ser pensadas e convergidas com as políticas federais. “O Nordeste precisa avançar de forma muito mais acelerada. Nos últimos 70 anos não evoluímos mais do que 16% da economia nacional.”
Ele lembrou que na pandemia, políticas públicas já foram alinhadas “Mas precisamos fazer com mais intensidade e termos uma coordenação regional que possa olhar para os potenciais de cada estado”, disse Ataliba, reforçando que é necessário o processo de melhoria do capital humano ser acelerado.
“A região precisa pensar em formas de trazer os cérebros que são nordestinos de volta para seus estados. O Ceará, por exemplo, é exportador de cérebros para o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e precisa ver uma forma de que esses profissionais fiquem no Estado”, reforçou o professor, comentando ainda que todo o investimento que o estado fez em educação, a partir de 2017, vai começar a ser colhido em um futuro breve.