Enquanto a produção de petróleo no Ceará (mesmo pouco representativa nacionalmente) cresce, a de gás natural segue estagnada. Em março de 2023, ela ficou em torno de 1 milhão de metros cúbicos por dia, praticamente a mesma quantidade extraída em março do ano passado.
Por conta disso, na avaliação do consultor em engenharia de petróleo, Ricardo Pinheiro, a intenção do governo do Estado e de investidores privados em tornar um estado um hub de gás natural, depende de importação do produto.
Nem mesmo a utilização da rede de gasodutos que conecta o Ceará a outros estados do País seria suficiente para atender a demanda de tal projeto, que teria como base o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) e entraria na cadeia de produção do hidrogênio verde (H2V).
Para a viabilização da produção de H2V em larga escala, há a necessidade de grandes quantidades de energia e parte dela pode vir de usinas termelétricas, tais como a que será operada pela PortoCem e que teve sua pedra fundamental lançada na última sexta-feira, 5.
“Também existe um projeto já colocado de uma refinaria no Pecém. Esses projetos, de termelétrica e refinaria, vão necessitar de muito gás natural e o que está hoje disponível no Brasil, por meio de gasoduto não é suficiente para atender essa demanda”, diz Pinheiro.
“A melhor situação seria se esse gás natural estivesse na Margem Equatorial. Isso porque diferentemente do Pré-Sal, que tem muito gás carbônico misturado ao natural, esse gás seria mais limpo na Margem Equatorial, conforme os primeiros estudos”, explica.
“Então, caso realmente venha a ser feito descobertas na Margem Equatorial, esse gás a ser produzido nessa área poderá ser realmente uma vantagem competitiva para o sistema que está sendo já implantado no Ceará”, projeta Ricardo Pinheiro.