As expectativas de diversos setores para com o segundo semestre de 2023 também foram refletidas na busca por crédito, segundo atesta o Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian. Em agosto, primeiro mês da segunda metade do ano, a demanda por crédito cresceu 8,9% entre as empresas no Ceará.
O Estado registrou a quarta maior marca do Nordeste e a 11ª entre as 27 unidades da federação pesquisadas. A procura por mais dinheiro é encarada na economia como positiva, pois os recursos tomados em empréstimo são investidos em estoque, melhorias e expansão dos negócios.
"Na visão nacional, em agosto foi registrada uma alta de 10,1% na busca das companhias por recursos financeiros no comparativo com o mesmo mês de 2022. Esse número é o mais alto de 2023 até agora, após reações tímidas e quedas acentuadas nos meses anteriores", observa o relatório.
Como O POVO já mostrou, varejo e construção apostam no período entre agosto e dezembro para acelerar o ritmo das atividades e alcançarem crescimento neste ano.
"O número positivo pode indicar que a retração da Selic no país possa estar surgindo efeito ao dar mais fôlego para as empresas buscarem crédito no mercado", avalia o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi.
Ponto de tensão entre o governo federal e o Banco Central, a taxa básica de juros começou a ser reduzida apenas no segundo semestre de 2023. Foi em agosto que a Selic saiu de 13,75% para 13,25% após 16 meses sem alteração. Hoje, segundo o último Boletim Focus do BC, a expectativa é de que a Selic se mantenha em dois dígitos, fechando o ano em 11,75% - apesar da insistência do governo e o apelo de setores produtivos por baixas mais agressivas.
O indicador do Serasa atesta ainda que as micro e pequenas empresas (MPEs) foram as mais sensíveis a este movimento. Elas saltaram de 1,1% de demanda por crédito em julho de 2023 para 10,2% no mês seguinte.
Já as médias saíram de um interesse negativo, de -1,8%, para 1,4%. Maior ainda que os -7,3% observados em agosto de 2022. As grandes empresas, por sua vez, ampliaram a demanda de 8,6% (julho/2023) para 9,8% (agosto/2023).
"Ter recursos financeiros para ter dinheiro em caixa e pagar seus fornecedores é crucial para que os negócios existam e operem, por isso as MPEs reagiram de forma mais agressiva no período da análise", aponta Rabi.
Em um cenário no qual apenas duas unidades, das 27 pesquisadas em todo o Brasil, tiveram queda na demanda por crédito entre as empresas, o setor de serviços foi o que mais se destacou.
Vocação econômica do Ceará, com participação superior a 70% no Produto Interno Bruto estadual, os Serviços tiveram 13,8% de maior demanda por crédito, "seguidos por Comércio (6,9%), Indústria (4,1%) e Demais (2,6%), onde posicionam-se as companhias do segmento Primário, Financeiro e do Terceiro Setor".
Demanda das empresas
Rio de Janeiro: 27,3%
São Paulo: 15,5%
Maranhão: 15,5%
Roraima: 13,6%
Minas Gerais: 11,7%
Piauí: 10,3%
Espírito Santo: 9,7%
Goiás: 9,6%
Pará: 9,3%
Paraíba: 9,2%
Ceará: 8,9%
Acre: 8,4%
Bahia: 7,7%
Tocantins: 7,4%
Mato Grosso do Sul: 7,1%
Amapá: 6,3%
Rondônia: 6,1%
Mato Grosso: 5,8%
Pernambuco: 3,9%
Rio Grande do Norte: 3,5%
Amapá: 3%
Santa Catarina: 2,2%
Sergipe: 1,7%
Paraná: 0,9%
Alagoas: 0,8%
Rio Grande do Sul: -,03%
Distrito Federal: -1,1%
Fonte: Serasa Experian