Destaque nacional em educação, o Ceará se vê em período de alto dinamismo e perspectivas para esse segmento econômico com a chegada de institutos tecnológicos no Nordeste. Entram na lista o Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA) com o campus Fortaleza; o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa Tech), em Teresina (PI); a Escola de Sargentos do Exército (ESE), em Pernambuco; e o Parque Tecnológico Aeroespacial de Salvador (BA).
A avaliação no setor de educação é que uma nova fronteira se abre e que, por conta do histórico positivo de aprovações em provas que classificam candidatos às vagas nestas instituições, a demanda possa crescer, seja nas escolas ou pelos sistemas de ensino.
Marcelo Pena, diretor de Ensino da Organização Educacional Farias Brito, destaca que a chegada desses institutos ao Nordeste e, especialmente, o campus do ITA em Fortaleza, "premia" o Ceará pelo seu desempenho histórico no certame.
Ele explica que somente o Colégio Farias Brito aprovou 41 alunos no ITA, além de outros nove alunos que estudaram dentro do Sistema Farias Brito e realizaram a prova em outras cidades do País. Ao todo, o Ceará foi responsável por 63 aprovações em 2025.
O diretor do FB observa que a chegada do ITA e de outras escolas especializadas devem promover o desenvolvimento ocorrido em municípios como São José dos Campos, que, após a escola de engenharia da Aeronáutica, recebeu uma série de investimentos, como da Embraer, o que deve contribuir na retenção de talentos.
Outra expectativa é a de potencializar o crescimento do setor de educação no Ceará. Marcelo destaca que atualmente 60% dos alunos do Colégio Farias Brito são oriundos de outros estados e que vêm ao Estado para estudar nas turmas especializadas.
"Antes, nós recebíamos muitos alunos, mas numa concentração de estados do Norte e Nordeste. Atualmente, temos alunos do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, todos os estados, com exceção de Roraima."
O aumento na demanda, segundo ele, não ocorre apenas na rede privada de ensino e cita como exemplo o projeto de parceria com o Governo do Estado, chamado "Prepara ITA Ceará", que desenvolve turmas especiais nos colégios da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, em Fortaleza, Sobral, Maracanaú e no Cariri.
A iniciativa envolve cerca de 600 alunos e está no terceiro ano de acompanhamento. A expectativa dele é que as primeiras aprovações ocorram neste ano, considerando que o período de preparação para aprovação no ITA varia de três a cinco anos de estudos.
Ari de Sá Neto, CEO da Arco Educação, do Sistema Ari de Sá (SAS), destaca que o sucesso dos cearenses é tão expressivo que gera frases emblemáticas em outros estados. Ele já chegou a ouvir uma citação que dizia: "Se você quer passar na Fuvest, precisa estar na frente de um japonês e um cearense".
Neste sentido, Ari enfatiza que a preparação para vestibulares de alta complexidade faz parte do DNA do SAS, que passa por expansão a partir da abertura de nova unidade do colégio Ari de Sá Cavalcante na zona oeste de Fortaleza, na avenida Luciano Carneiro, no bairro Parreão.
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Para além dos colégios, localizados na capital cearense e que já recebem entre os alunos jovens advindos de outros estados, a Arco avança na "exportação" do modelo de ensino para escolas parceiras de fora da Cidade.
A expectativa dele em relação ao ano de 2025 é alcançar 4 milhões de alunos e R$ 3 bilhões em receita. Este número é 15% superior ao resultado de 2024. A estimativa para 2026 é de um salto de 17%.
A plataforma de soluções educacionais para escolas, atende desde a educação infantil até ao pré-universitário, inclusive turmas especiais com foco na aprovação em escolas militares, como o ITA, o que se torna agora uma demanda de escolas parceiras, revela Ari Neto, que também participou de entrevista na rádio O POVO CBN.
"Um dos desejos que a escola que usa o SAS tem na hora de adotar o sistema é aumentar as aprovações. Então, temos indicadores que mostram que, em três anos, as escolas melhoram a nota do Enem e aprovações em Medicina, por exemplo. Isso faz parte da nossa proposta de valor", pontua.
Neste contexto, olhando o histórico recente de sucesso educacional, com cases como o de Sobral e a liderança de escolas cearenses em aprovações, Ari avalia que se criou uma "grife" em torno da educação cearense, o que gerou o reconhecimento desses institutos, em descentralizar seus campos em direção ao Nordeste.
Com o movimento de chegada dessas escolas especializadas, novas parcerias são possíveis, abrindo a perspectiva de que os governos e empresas acompanhem o movimento, com novos investimentos para ajudar no processo de retenção de talentos.
Dentro do esforço de criar uma ambiência favorável a manutenção dos formados no ITA em projetos a serem desenvolvidos no Ceará, foi criada uma ramificação local da Associação dos Engenheiros do ITA (AEITA-CE).
A intenção é firmar parcerias técnicas para conexão com o mercado local, além de promover debates sobre educação e tecnologia no Estado. Um desses momentos ocorreu em evento do Lide Ceará, reunindo o ex-ministro da Educação, Cristovam Buarque, e o diretor da Regional Ceará da AEITA e conselheiro do Fundo Patrimonial do ITA, Felipe Bomfim.
Acordo de cooperação já firmado foi entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e seu Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), para formação do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) funcionando em consonância dentro do ITA, o Instituto Senai de Inovação (ISI), por quase R$ 40 milhões.
Diretor de Operações do Parque Tecnológico do ITA Ceará (Ceará Tech Park), Rodrigo Pastl, enfatiza que o foco central é na criação de um ecossistema de inovação que integre o ITA, com empresas, governo, demais universidade e a comunidade, para promover uma transformação de longo prazo da economia cearense e nordestina.
Neste sentido, o conhecimento gerado poderá ser transformado em indústrias e produtos reais, o que já tem movimentado empresas interessadas em participar, cerca de 50, segundo Rodrigo.
"A ideia é criar tecnologias "made in Ceará" e novas empresas, o que vai aumentar a competitividade do Estado e, consequentemente, o Produto Interno Bruto (PIB). Sempre falamos em dobrar, triplicar, a participação do Ceará no PIB nacional (atualmente de 1,7%) nos próximos 20, 30 anos", aponta.
Na prática, os alunos em formação no ITA campus Fortaleza terão à disposição a infraestrutura do Ceará Tech Park para desenvolvimento de projetos de pesquisa durante a formação, inclusive com aulas da graduação ocorrendo nos laboratórios, assim como a possibilidade de desenvolverem pesquisas próprias e receberem demandas de empresas parceiras do ISI.
O diretor Regional do Senai-CE, Paulo André Holanda, diz que a decisão da CNI de lançar o 28º ISI do Brasil dentro do ITA campus Fortaleza e junto ao Ceará Tech Park visa garantir que o conhecimento acadêmico especializado seja aplicado em benefício do desenvolvimento industrial, diretamente na solução de problemas técnicos e aumento de eficiência de processos.
Além disso, haverá espaço para laboratórios de ponta em áreas como nanotecnologia e novos materiais - escolhidos a partir de demandas da indústria, além do desenvolvimento de startups. O ISI também promoverá consultorias de forma a reduzir a dependência de importações.
"É ajudar nossas empresas a desenvolverem novos produtos, processos e serviços para que possam melhorar sua eficácia. É evoluir toda sua sustentabilidade, inclusive energética, para responder aos anseios da sociedade para não ficar refém de produtos do Exterior".
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VAGAS PREENCHIDAS
Concurso com 50 vagas para professor, além de outras para tecnologistas e pesquisadores (totalizando 110) foi promovido em 2025, com destinação ao futuro ITA Ceará. O campus de Fortaleza focará em Engenharia de Energia Renováveis e Engenharia de Sistemas.
Novos projetos de formação especializada no Nordeste
ITA Fortaleza
Localização: Base aérea de Fortaleza
Investimento: R$ 115 milhões
Formação: Foco em Engenharia de Sistemas e Engenharia de Energias Renováveis
Capacidade: 50 alunos formados anualmente
Quando: Vestibular em 2024, com atividades iniciais em São Paulo, mas a previsão é que se mudem para Fortaleza em 2027, quando as obras do novo campus estiverem concluídas
Escola de Sargentos do Exército
Localização: Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti (Cimnc), em Paudalho, na Zona da Mata
Investimento: R$ 2 bilhões
Formação: 16 especialidades de nível superior tecnólogo
Capacidade: 2,2 mil alunos a cada dois anos
Quando: Início das obras em 2025 e conclusão para 2032
Parque Tecnológico Aeroespacial de Salvador (Pita-BA)
Localização: Base aérea de Salvador
Investimento: R$ 1,3 bilhão
Formação: A primeira turma lançada foi para o Curso Técnico em Manutenção de Aeronaves. Mas já tem pós-graduação em Engenharia Aeronáutica e Especialização em Engenharia de Sistemas Complexos.Outras formações em áreas estratégicas da aviação e da defesa estão sendo estruturadas
Capacidade: a primeira turma tem 50 alunos
Quando: Iniciou em setembro de 2025
Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa Tech Nordeste)
Localização: Teresina, Piauí
Investimento: aporte inicial de R$ 17,9 milhões que chegará a R$ 118 milhões até 2029.
Formação: foco em áreas como tecnologia, ciência de dados e IA
Capacidade: Entrada inicial de 50 alunos por ano
Quando: Previsto para 2026
Parcerias buscam potencializar ganhos na economia
Com a chegada dessas escolas especializadas, novas parcerias são possíveis, abrindo a perspectiva de que os governos e empresas acompanhem o movimento, com novos investimentos para ajudar no processo de retenção de talentos.
Dentro do esforço de criar uma ambiência favorável à manutenção dos formados no ITA em projetos a serem desenvolvidos no Ceará, foi criada uma ramificação local da Associação dos Engenheiros do ITA (AEITA-CE).
A intenção é firmar parcerias técnicas para conexão com o mercado local, além de promover debates sobre educação e tecnologia no Estado. Um desses momentos ocorreu em evento do Lide Ceará, reunindo o ex-ministro da Educação, Cristovam Buarque, e o diretor da Regional Ceará da AEITA e conselheiro do Fundo Patrimonial do ITA, Felipe Bomfim.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), também atua para implantação de um Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) no ITA, que atue em consonância com o Instituto Senai de Inovação (ISI). O aporte é de quase R$ 40 milhões.
Diretor de Operações do Parque Tecnológico do ITA Ceará (Ceará Tech Park), Rodrigo Pastl, enfatiza que o foco central é na criação de um ecossistema de inovação que integre o ITA, com empresas, governo, demais universidades e a comunidade, para promover uma transformação de longo prazo da economia cearense e nordestina.
Neste sentido, o conhecimento gerado poderá ser transformado em indústrias e produtos reais, o que já tem movimentado cerca de 50 empresas interessadas em participar, segundo Rodrigo.
"A ideia é criar tecnologias "made in Ceará" e novas empresas, o que vai aumentar a competitividade do Estado e, consequentemente, o Produto Interno Bruto (PIB). Sempre falamos em dobrar, triplicar, a participação do Ceará no PIB nacional (atualmente de 1,7%) nos próximos 20, 30 anos", aponta.
Na prática, os alunos em formação no ITA campus Fortaleza terão à disposição a infraestrutura do Ceará Tech Park para o desenvolvimento de projetos de pesquisa durante a formação, inclusive com aulas da graduação ocorrendo nos laboratórios, assim como a possibilidade de desenvolverem pesquisas próprias e receberem demandas de empresas parceiras do ISI.
O diretor Regional do Senai-CE, Paulo André Holanda, diz que a decisão da CNI de lançar o 28º ISI do Brasil dentro do ITA campus Fortaleza e junto ao Ceará Tech Park visa garantir que o conhecimento acadêmico especializado seja aplicado em benefício do desenvolvimento industrial, diretamente na solução de problemas técnicos e aumento de eficiência de processos.
Além disso, haverá espaço para laboratórios de ponta em áreas como nanotecnologia e novos materiais - escolhidos a partir de demandas da indústria, além do desenvolvimento de startups. O ISI também promoverá consultorias de forma a reduzir a dependência de importações. "É ajudar nossas empresas a desenvolverem novos produtos, processos e serviços para que possam melhorar sua eficácia", afirma Paulo.