O melão produzido pela cearense Itaueira Agropecuária S.A. será exposto pelo terceiro ano consecutivo na Fruit Logistica Berlim, reforçando, em 2026, a retomada das operações comerciais internacionais do ano passado.
O período marcou a interrupção de sete anos em que a empresa passou focada apenas no mercado interno brasileiro.
A feira é considerada uma das mais importantes do mundo para o segmento de frutas frescas, evento cuja ida é organizada não apenas pelo grupo, mas geralmente pela delegação brasileira de produtores.
No Ceará, a Itaueira inaugurou em 2025 uma nova fazenda com mais de 2 mil hectares e uma casa de empacotamento (packing house) utilizada na pós-colheita, na Região de São João do Aruaru, no município de Morada Nova, a 167,62 km de Fortaleza.
Em comunicado, a empresa frisou que o movimento consolidou parcerias comerciais estratégicas e validou o modelo de negócio junto aos mercados nacional e internacional, reforçando a reputação "como fornecedor confiável e comprometido com altos padrões."
Conforme o grupo agropecuário, um dos grandes diferenciais desse processo de retomada do comércio internacional foi o acompanhamento presencial, durante toda a safra, da chegada dos produtos nos mercados de destino, em atuação conjunta com os parceiros internacionais.
A intenção foi ter maior controle de qualidade e melhorar os processos em cada etapa da operação.
“Nesta retomada da comercialização internacional, foi de suma importância ter a nossa equipe garantindo que o verdadeiro sabor Rei (melão produzido pela empresa) ultrapassasse fronteiras, transmitindo confiança do campo à mesa”, acrescenta Aryan Schut, gerente comercial internacional da Itaueira.
Para 2026, o "foco total", conforme a empresa, é fortalecer relações, conquistar a confiança pelo sabor e constância, atendendo consumidores cada vez mais exigentes, que valorizam qualidade, rastreabilidade e respeito à natureza.
No Estado, a Itaueira fechou, com anúncio em 30 de junho do ano passado, acordo com o Governo do Ceará para o projeto São João do Aruaru, também conhecido como Projeto Itaueira, com o aporte conjunto de R$ 153 milhões.
À época, O POVO teve acesso em primeira mão ao estudo da parceria que garante a volta do grupo ao Estado.
Por parte da empresa, o investimento de cerca de R$ 120 milhões em cinco anos, na agricultura irrigada, visando à retomada do cultivo de melão e melancia.
E pelo Executivo estadual são R$ 33 milhões em infraestrutura de energia, com recursos do Programa de Investimentos Especiais (PIE), para implantação, melhoria e reforço imediato do Sistema de atendimento de Energia Elétrica na Região de São João do Aruaru.
Neste início de janeiro, outro avanço da Itaueira foi a primeira movimentação da companhia no mercado financeiro, no dia 12, com um "Toque de Campainha” na Bolsa (B3).
A ideia é captação recursos para expansão e ocorreu após a assinatura em dezembro do ano passado de uma Nota Comercial e de uma Cédula de Produto Rural Financeira (CPR-F), esta já em janeiro de 2026.
O movimento visa dar suporte a projetos em diversas frentes de atuação da Itaueira e ocorre em um momento da empresa cujo crescimento médio anual (CAGR) alcançou 19,3% entre 2019 e 2024 e faturamento superior a R$ 480 milhões em 2024.
Antes da estreia no mercado financeiro, a Itaueira já contava com Conselho de Administração e já se submetia a auditorias externas anuais realizadas pela KPMG.
Das frentes de aportes da empresa a desenvolver com mais recursos destacam-se: aumento na produção de pimentões em estufas; investimentos em carcinicultura; industrialização de frutas tropicais e aquisição contínua de terras para expansão das exportações de melão e melancia.
A empresa, fundada em 1983, recebeu em 2024 o Selo Mais Integridade, uma certificação concedida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), para reconhecer práticas de ética, sustentabilidade e responsabilidade social.
A companhia familiar é referência global na produção de alimentos, no segmento de frutas, legumes e verduras (FLV). O melão amarelo da marca “Rei” é um dos destaques do segmento no Brasil.
Mas além do melão amarelo “Rei”, a Itaueira também produz os melões das variedades “Pele de Sapo”, “Cantaloupe”, “Gália” e “Matisse”. Entre as melancias, o principal destaque é a Mini Melancia da Magali, licenciada com exclusividade pela Maurício de Sousa.
A marca está em todos os estados brasileiros, além de mercados como os da América do Norte, União Europeia, Reino Unido e Oriente Médio, tendo exportado anteriormente também para Argentina, Chile e Rússia. A marca “Rei” ainda lidera o mercado nacional em termos de preços.
A companhia atua com modelo de produção verticalizado, do cultivo à distribuição, ou seja, com controle total da cadeia produtiva.
Conta com mais de 3 mil colaboradores e apresentou, em 2024, índice de retenção de colaboradores do corpo técnico e de gestão de 91,13%.
São mais de 20 mil hectares de terra, dos quais declara que cerca da metade é totalmente preservada.
Para o cultivo de melão e melancia são destinados mais de 3 mil hectares, distribuídos por estados como o Ceará, o Piauí e a Bahia.
Em 2025, foram mais de 85 mil toneladas de melões e melancias comercializadas, sendo que a ampla distribuição geográfica do cultivo desses frutos visa mitigar riscos climáticos e permitir o atendimento ao mercado nacional durante todo o ano. (Colaboraram Adriano Queiroz e Samuel Pimentel)