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Vojvoda promete corrigir falta de regularidade do Fortaleza entre os dois tempos

Números mostram que o Tricolor é mais perigoso na etapa complementar. Tempo inicial tem sido marcado por "descuidos" defensivos e baixa produtividade ofensiva
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Classificação na Copa do Brasil coroa o momento de Vojvoda e do Fortaleza (Foto: Aurelio Alves)
Foto: Aurelio Alves Classificação na Copa do Brasil coroa o momento de Vojvoda e do Fortaleza

Têm se tornado repetitivas nas coletivas do técnico do Fortaleza, Juan Pablo Vojvoda, as perguntas sobre a melhora de desempenho do Tricolor no segundo tempo de jogo.

Sincero, o argentino não se furta a reconhecer as diferenças de um tempo para o outro, mas sempre destaca que o time buscou movimentações para criar mais possibilidades de marcar e, consequentemente de vencer.

Numa das poucas vezes que comentou sobre um possível motivo das diferenças de atuação do Leão de um tempo de jogo para o outro, Vojvoda citou a questão física e as consequências oriundas desse desnível.

"Os primeiros tempos dos jogos são muito mais estudados, os jogadores estão bem fisicamente, mas à medida que os minutos vão passando, aparece o cansaço e começam a ter variações táticas. Acho que essa é a grande diferença do primeiro para o segundo tempo", disse.

Para o estilo de jogo do Fortaleza, a colocação faz todo sentido. Apesar de intenso do primeiro ao último minuto, o Leão costuma terminar os jogos mais inteiro que seus adversários. A situação mais pareada nesse quesito, possivelmente, foi o jogo contra o Flamengo, em que, mesmo melhorando na segunda etapa, o Leão não conseguiu dominar o rubro-negro por completo.

Nesse duelo, porém, em pleno Maracanã, o Tricolor saltou de 31,9% de posse de bola no primeiro tempo para 43,41% no segundo. Saiu de uma finalização certa nos primeiros 45 minutos, para quatro na etapa final (mesma quantidade do time carioca). E aumentou a troca de passes certos de 83 para 106.

Os últimos dois duelos, contra Chapecoense-SC e Athletico-PR, também apresentaram números que evidenciam uma melhora do Fortaleza após o intervalo. Na vitória em casa contra o time catarinense, o Leão quase dobrou (4 para 7) o número de arremates certos na etapa complementar — isso apesar de jogar virtualmente a etapa toda com um homem a menos. Já na Arena da Baixada, em que o Furacão costuma ser dominante, conseguiu ter 63,77% de posse de bola dos 45 aos 90, faltando uma melhor conversão do volume em chances de gol.

Dos nove jogos até aqui, é possível citar melhoras do Fortaleza no segundo tempo também contra Atlético-MG, Grêmio-RS, Fluminense-RJ e Sport-PE, mas com diferenças menores uma etapa e outra. Dentre elas, destaca-se o duelo contra o Galo, na estreia, no Mineirão, em que o Tricolor virou com dois gols de Pikachu, no entanto, apesar da crescente, não dá para afirmar que o time não havia sido competitivo na primeira etapa ou havia jogado tão abaixo, até porque era o primeiro desafio do time de Vojvoda na Série A.

Por mais que o argentino não explique a "mágica" que faz no intervalo, os números deixam muito claro que o Tricolor é um perigo quando volta do vestiário. Dos 14 gols marcados na Série A, somente um saiu até os 45 minutos do primeiro tempo — o primeiro da goleada contra o Internacional, por 5 a 1, marcado por Crispim. Além disso, do total de tentos, a maior porcentagem, 35,7%, concentra-se dos acréscimos do primeiro tempo aos 15 minutos do segundo.

No quesito gols sofridos, dos nove que o Fortaleza levou, cinco foram nos primeiros 45 minutos. O comandante tricolor, portanto, sabe que tem uma situação nas mãos para ajustar. "Nós devemos trabalhar nesse aspecto, o jogo dura 95 minutos (com acréscimos) e são tão importantes os primeiros dez minutos, quanto os últimos dez ou cinco minutos. Trabalhamos para corrigir estes erros", prometeu.

 

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