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Colunista de política, o jornalista Carlos Mazza coordena o O POVO Dados, núcleo que trabalha com reportagens a partir de bancos de dados. Já foi repórter de Política e repórter especial do O POVO.

Carlos Mazza política

7 de setembro no país paralisado

A convocação de protestos para pedir fechamento do Judiciário, com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, transforma este 7 de setembro em um teste de fogo para a democracia brasileira
Tipo Análise
(Brasília - DF, 25/08/2021) Cerimônia do Dia do Soldado, com a imposição de condecorações. Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República (Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República)
Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República (Brasília - DF, 25/08/2021) Cerimônia do Dia do Soldado, com a imposição de condecorações. Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República

PROTESTOS. Em espetáculo que já virou rotina no país, a democracia brasileira terá nos próximos dias um novo "teste de fogo" diante da escalada de tensões entre instituições em Brasília. Insuflados por Jair Bolsonaro e com perspectiva real de adesão de segmentos armados da sociedade, atos pró-governo de 7 de setembro colocarão à prova a capacidade do Brasil de resolver seus problemas "dentro das quatro linhas" da Constituição Federal.

Em primeiro lugar, é importante não naturalizar o papel do presidente da República nisso tudo. Com sucessivas quedas nos índices de popularidade e acuado por denúncias de corrupção que se acumulam – e chegam mais próximo de seu núcleo familiar – a cada dia, Bolsonaro não tem tido receio em "esticar a corda" em ataques e provocações contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

Diante de uma crise sanitária sem precedentes e uma crise econômica que a cada dia pune mais os brasileiros, o presidente parece ter priorizado na escala de problemas a organização de motociatas e a defesa de aliados como Roberto Jefferson, que gravava vídeos empunhando fuzis e pedindo o fechamento do Judiciário. Como ocorre a cada nova cruzada bolsonarista – foi assim na criação da CPI da Covid, na novela do voto impresso e em tantas outras –, o país vive novamente paralisado, brigando com moinhos de vento enquanto os problemas reais se acumulam.

As reações existem e não são poucas. Nos últimos dias, foram várias as instituições e organizações da sociedade civil que saíram à defesa da democracia brasileira e da autonomia entre os Poderes. Ainda que de forma pouco incisiva, até mesmo grandes empresários e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) já se manifestaram contra quaisquer aventuras golpistas. "A Praça é dos Três Poderes", reforçam.

Diante de tantas investidas, é sempre preciso reforçar o óbvio: não existe democracia sem autonomia entre as instituições. Seja o conjunto de senadores da CPI da Covid ou os dois ministros que receberam um "ultimato" de Bolsonaro, é necessário para uma nação saudável que os críticos tenham espaço para atuar. E se o presidente se insurge contra toda e qualquer instituição que o impõe limites, talvez seja ele o problema nisso tudo.

 

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