A renda domiciliar per capita de domicílio no Ceará em que a mulher (R$ 1.107,45) é a pessoa de referência é menor que dos chefiados por homens (R$ 1.497,04), segundo o estudo "O perfil da mulher no Ceará – 2023".
O trabalho, elaborado pela Diretoria de Estudos Sociais (Disoc) do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Estado (Ipece) também mostrou que a população feminina (51,4%) é maior do que a masculina (48,6%).
Embora a maior parte dos domicílios cearenses (54,5%) seja liderada por mulheres, a proporção de domicílios em situação de pobreza chefiados pelo gênero (10,5%) foi maior do que a dos chefiados por homens (7,9%).
Essa vulnerabilidade se reflete também na segurança alimentar, com uma maior prevalência de insegurança alimentar grave ("passaram fome") em domicílios gerenciados por mulheres (6,8%) em comparação com os liderados por homens (5,5%).
Além disso, o analfabetismo é menor entre as mulheres do que entre os homens no Ceará e escolarização das mulheres é maior que a dos homens. Em 2023, o nível de instrução feminina, com 25 anos ou mais de idade, superou a masculina.
Nesse sentido, Raquel Sales, assessora técnica e uma das realizadoras do estudo, ressalta que, apesar das mulheres terem mais escolaridade e estarem a frente dos lares, elas recebem menor remuneração.
"Políticas voltadas às mulheres mais vulneráveis são de extrema importância, pois as mulheres que chefiam domicílios são mais afetadas pela pobreza, insegurança alimentar e na simulação sem programa social a desigualdade era maior”, frisa.
Ainda explica que as transferências de renda podem impactar o gênero feminino. O rendimento domiciliar per capita para as mulheres pobres que não receberam o benefício no Ceará seria de R$ 966,15, enquanto dos homens de R$ 1.394,46. Ou seja, diferença bem maior que no cenário com transferência (R$ 428,31 contra R$ 389,59).
Outro dado é que, entre os 20% mais pobres, 61,4% são de domicílios liderados por mulheres. Ou seja, 22,8 pontos percentuais a mais que os homens, e a proporção de residências em situação de pobreza em domicílios chefiados por mulher (10,5%) foi maior do que por homens (7,9%).