O ano de 2026 será um ano eleitoral importante para o Brasil. No dia 4 de outubro, milhões de eleitores deverão escolher os cargos de presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Um processo que influencia diretamente os rumos políticos e administrativos do país. Embora os municípios não tenham eleições locais este ano, o calendário eleitoral e o cenário político afetam, sim, a rotina das gestões municipais.
Um dos pontos centrais é a desincompatibilização de cargos, exigência legal para que determinados agentes públicos possam se candidatar. Secretários municipais, vereadores, deputados e outros ocupantes de cargos públicos que pretendem disputar o pleito precisam se afastar de suas funções dentro de prazos específicos, conforme previsto pela legislação eleitoral. Essa exigência, legítima e necessária, pode provocar alterações significativas na estrutura da gestão pública local, exigindo readequações administrativas, redistribuição de tarefas e agilidade na reposição técnica de quadros.
Além disso, estados e federação precisam seguir rigorosamente o que determina a Lei nº 9.504/1997, que regula o calendário eleitoral no Brasil. Essa legislação impõe vedações em determinados períodos, como a proibição de publicidade institucional, inaugurações, nomeações e repasses voluntários de recursos, para preservar a igualdade entre os candidatos e evitar o uso da máquina pública com fins eleitorais. Isso exige planejamento antecipado para que serviços essenciais não sejam prejudicados e que todas as ações estejam em conformidade legal.
Além de tudo isso, há ainda um fator mais sensível, nem sempre tratado com clareza: os movimentos políticos de aliados e opositores com mandato de reeleição. Quando o foco eleitoral sobrepõe ao foco na gestão, o município sente os efeitos. Por vezes, parlamentares que compõem a base governista passam a priorizar agendas de campanha, reduzindo o ritmo de articulações e votações importantes. Já figuras da oposição tendem a intensificar discursos críticos, muitas vezes visando mais o desgaste político do gestor do que o debate de soluções concretas.
Essa tensão se reflete, inclusive, na liberação de emendas, na negociação de convênios, na estabilidade de equipes e até no andamento de projetos estratégicos. Cabe às gestões municipais, portanto, manter o equilíbrio institucional, blindar as entregas prioritárias e trabalhar para que o ambiente político não contamine a rotina da administração pública.
Em Juazeiro do Norte, seguimos firmes com o compromisso de manter uma gestão técnica, estável e orientada pelas necessidades reais da população. Contudo, é importante que os cidadãos compreendam que o calendário eleitoral impõe desafios concretos à vida pública, mesmo quando a eleição não é municipal. É nosso dever navegar por esse cenário com legalidade, prudência e foco no interesse coletivo.