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Charles Pennaforte: Trump, petróleo e a crise do Irã
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Opinião

Charles Pennaforte: Trump, petróleo e a crise do Irã

O Irã projeta poder por meio de aliados armados na região, mas vê seu próprio território convertido em campo de batalha, alvo de ataques israelenses e da pressão direta dos Estados Unidos sobre seu programa nuclear
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Charles Pennaforte. PhD em Relações Internacionais pela Universidad Nacional de La Plata (Argentina). Professor de Geopolítica do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). (Foto: Arquivo Pessoal)
Foto: Arquivo Pessoal Charles Pennaforte. PhD em Relações Internacionais pela Universidad Nacional de La Plata (Argentina). Professor de Geopolítica do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

As novas ondas de protestos no Irã expõem o esgotamento de um modelo que combina teocracia, aparato securitário e economia de cerco, sob sanções e guerras por procuração, para sustentar um regime cada vez mais desconectado de sua sociedade.

A crise atual resulta da combinação de três tensões. De um lado, uma economia sufocada por sanções e má gestão, que empurra amplos setores para a precariedade e alimenta revoltas recorrentes. Não devemos esquecer também a participação de atores externos no incentivo a revoltas. De outro, um sistema político que responde a qualquer contestação com repressão, prisões em massa e controle informacional.

Soma-se a isso a disputa geopolítica: o Irã projeta poder por meio de aliados armados na região, mas vê seu próprio território convertido em campo de batalha, alvo de ataques israelenses e da pressão direta dos Estados Unidos sobre seu programa nuclear.

Nesse tabuleiro, a determinação de Donald Trump em promover regime change em Teerã não pode ser dissociada da dimensão energética. Ao tentar derrubar um governo hostil e substituí-lo por uma elite mais previsível, a Casa Branca mira controlar, de forma mais direta, o petróleo iraniano e outros recursos estratégicos, reordenando contratos e fluxos de exportação em benefício de grandes companhias norte-americanas.

Do ponto de vista regional, o que se passa no Irã é teste para o futuro da ordem no Oriente Médio. Se Teerã contiver novamente as mobilizações pela força, sem reformas significativas, seguirá financiando e coordenando seus aliados de Bagdá a Beirute, preservando um arco de influência que inquieta Washington, Tel Aviv e monarquias do Golfo.

Se, ao contrário, a combinação de pressão social interna e constrangimentos externos reduzir sua capacidade de projetar poder, abrir-se-á espaço para uma reconfiguração menos centrada na lógica das milícias e mais na disputa institucional entre Estados.

No curto prazo, porém, o cenário mais provável é o da continuidade da espiral repressão-protesto: o regime concede gestos limitados de diálogo e recuos pontuais, mas preserva intacto o núcleo duro de seu poder teocrático-militar. A sociedade iraniana, por sua vez, aprende a testar limites, reinventar formas de contestação e articular demandas que combinam dignidade econômica, direitos civis e rejeição à intervenção estrangeira - inclusive à agenda de mudança de regime ditada a partir de Washington.

É essa tensão, entre uma ordem pós-revolucionária incapaz de se renovar e uma população que se recusa a voltar para casa, que definirá o próximo capítulo da crise iraniana e o destino de suas vastas reservas energéticas.

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