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Saraiva Júnior: Grama sintética e o descaso com a natureza
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Opinião

Saraiva Júnior: Grama sintética e o descaso com a natureza

Será que não há nenhum assessor ou vereador com conhecimento sobre projetos de cidades mais verdes que apresente ao Prefeito referências para compreender a presença da vegetação como infraestrutura essencial à vida urbana?
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Saraiva Júnior, escritor (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação Saraiva Júnior, escritor

Como se não bastassem as autorizações da Prefeitura para a derrubada de árvores em Fortaleza, surgiu a ridícula grama sintética na reinauguração da Praça do Ferreira. Não acredito que seja desconhecimento da nossa administração pública em relação à importância da vegetação na absorção de CO2, na melhora do clima com a redução da temperatura e, consequentemente, no embelezamento de ruas, praças e demais espaços públicos. Ou será que a atual gestão quer seguir o exemplo da anterior e simplesmente atropelar as questões ambientais a serviço das construtoras?

Nas conversas com os amigos, às vezes a gente se indaga por que não se planta mais árvores nativas da nossa caatinga pelos logradouros de Fortaleza, tais como Juazeiros, Paus-brancos, Mutambas, Oiticicas, Aroeiras, Angicos e Umbuzeiros, dentre outras. Essas árvores deveriam habitar os arredores da Praça do Ferreira. Sempre é tempo de plantá-las. No lugar da grama sintética, grama natural ou capim-gramão em meio a flores de cores diversas. É triste pensar que as pessoas desvalorizam nossas legítimas árvores.

Sobre os motivos especulados em torno da tal grama sintética na Praça do Ferreira, alguns arranjaram a desculpa esfarrapada de que as pessoas em situação de rua pisam a grama e impedem o cuidado adequado da vegetação. Antes de encontrar culpados, porém, diz o bom senso que se deve procurar parceiros. Por que a administração petista não procura o Clube dos Dirigentes Lojistas (CDL) para uma responsável parceria no cuidado com a Praça do Ferreira? Quanto às pessoas em situação de rua, façam o mesmo que fizeram com os comerciantes da rua José Avelino e arredores, ao ocuparem e alugarem prédios abandonados.

Será que não há nenhum assessor ou vereador com conhecimento sobre projetos de cidades mais verdes que apresente ao Prefeito referências para compreender a presença da vegetação como infraestrutura essencial à vida urbana? Será que ninguém da Secretaria do Meio Ambiente chegou a dizer ao Prefeito que não era uma boa ideia colocar grama sintética na principal praça da cidade? Ou será que existem outros interesses por detrás dessa escolha?

Parece estranho pensar que algumas correntes da esquerda, por negarem a ecologia, possam se unir perfeitamente à direita. Depois, quando perguntam por que a direita radical segue crescendo junto à população brasileira, muitos não sabem os motivos.

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