A transposição do rio São Francisco foi questionada por autoridades da área científica, eclesiástica e política. Até nordestinos se posicionaram contra esta infraestrutura hídrica em região semiárida, então, com muitas cidades ameaçadas de colapso no abastecimento de água.
O bispo Dom Luiz Flávio Cappio, da Bahia, fez greve de fome contra a obra em 2005 e 2007. Na Reunião Anual da SBPC em 2008, em Campinas, vi quando o renomado geógrafo Aziz Ab’Sáber, da USP, criticou o projeto, sob aplausos. Políticos da Bahia e até do Ceará achavam de bom tom renegar o projeto, hoje uma realidade.
Comparo a transposição do Velho Chico ao data center da TikTok, investimento de R$ 200 bilhões, já iniciado no Ceará - “rios de dinheiro”, como dizia meu avô Antonio das coisas caras, de custo alto. Vai irrigar a economia, saciar sede por trabalho e qualidade de vida da nossa gente.
Um investimento deste porte, disputado por mais quatro países, não caiu por acaso na ZPE do Pecém. Veio da capacidade técnica e financeira de um cearense nascido no Crato, Mário Araripe, da Casa dos Ventos, que articulou a parceria com a Omnia e o Fundo Pátria para viabilizar o investimento, lançado pelo presidente Lula, no Ceará.
É louvável a abertura da Omnia ao diálogo com a FIEC para manifestar a necessidade de parceria com empresas locais. O mesmo deve ser ampliado para outros segmentos da sociedade civil, inclusive ao Ministério Público, para mostrar com detalhes em que consiste esta indústria de data center.
É preciso ensinar que o gerador de energia a óleo diesel é inerente ao funcionamento de um data center com certificação de qualidade conferido por organismo internacional. É para ser ligado quando a fonte primária de energia elétrica de fonte eólica ou solar for interrompida - hipótese remota. Necessita de segurança permanente.
O segmento de data center no Ceará é uma realidade que precisa assumir a si própria, fazer convergir seus interesses para dialogar em uma só voz com o Ceará e o Brasil. Como esta indústria chegou no estado para fazer parte da vida de muitos cearenses, ela há de saber se colocar com transparência para dissipar lendas, preconceitos e a desinformação sobre energia e consumo de água.