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Heriberto Porto: Governador, prefeito, Secult, Secultfor, IDM, Mirante e empresários: e a Orquestra do Ceará?
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Opinião

Heriberto Porto: Governador, prefeito, Secult, Secultfor, IDM, Mirante e empresários: e a Orquestra do Ceará?

Quando teremos, no Ceará, uma orquestra sinfônica estável, com professores concursados, estrutura adequada de ensaio, calendário permanente de concertos, orquestras jovens, grupos de câmara e um percurso formativo consistente?
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Heriberto Porto. Músico e professor da Universidade Estadual do Ceará. (Foto: Arquivo Pessoal)
Foto: Arquivo Pessoal Heriberto Porto. Músico e professor da Universidade Estadual do Ceará.

O O POVO destacou no domingo, 25/1, a trajetória do cearense José Maria Florêncio, residente na Polônia desde 1985 e um dos principais nomes brasileiros da regência internacional de orquestras. Seus primeiros passos na música foram dados aos sete anos, no Sesi, em Fortaleza, no projeto do maestro Alberto Jaffé. Aos 16, ingressou na Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, então a que melhor remunerava seus músicos no País. Começou a reger aos 22 anos e segue atuando como professor e regente na Europa.

A história de Florêncio merece destaque no Ceará, mas está longe de ser um caso isolado. Ele integra uma longa lista de músicos que precisaram deixar o Estado para se dedicar à música de concerto. O violoncelista Fernando Lage e seu ex-aluno Diego Coutinho são hoje professores na França. Alisson Pereira, clarinetista, também atua naquele país. Bia Drummond, violinista, e Michael Almeida, flautista, mudaram-se para a Bélgica. Cássio Braga, clarinetista, para a Suíça.

Esses músicos tiveram suas trajetórias impulsionadas pelo projeto Briançon – Tempo de Brasil, realizado entre 2006 e 2014, com 32 bolsistas, em parceria com Fernando Lage, a Apice e a Casa Civil, no Ceará. Alguns permaneceram no exterior; outros retornaram e hoje atuam em orquestras brasileiras, escolas e projetos sociais no Estado.

A pergunta que se impõe é antiga e segue sem resposta: quando teremos, no Ceará, uma orquestra sinfônica estável, com professores concursados, estrutura adequada de ensaio, calendário permanente de concertos, orquestras jovens, grupos de câmara e um percurso formativo consistente?

Na entrevista ao O POVO, Florêncio lembra que “a orquestra não é uma ilha: ela reflete a sociedade em que está inserida”. No Ceará, lutamos há décadas por essa estrutura, inexistente em um dos poucos estados brasileiros que ainda não contam com uma orquestra pública estável. Há projetos de lei e indicações nesse sentido, e o Sindicato dos Músicos Profissionais no Ceará (Sindimuce) reitera essa reivindicação há anos. A trajetória de Florêncio e de tantos outros músicos apenas reforça a urgência da pergunta: por que ainda não temos uma orquestra profissional no Ceará? Quando teremos?

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