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"Incêndios não podem servir de pretexto para sanções internacionais"

Em pronunciamento, presidente confirmou envio de Exército para a Amazônia. Discurso de Bolsonaro foi acompanhado por panelaços em algumas cidades do País
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EM MEIO à crise, presidente da República fez pronunciamento no rádio e na TV em rede nacional (Foto: Carolina Antunes/Presidência da República)
Foto: Carolina Antunes/Presidência da República EM MEIO à crise, presidente da República fez pronunciamento no rádio e na TV em rede nacional

Em pronunciamento de rádio e TV ontem, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que "incêndios florestais existem em todo mundo e não podem servir de pretexto para sanções internacionais".

Sob pressão de países como França, Alemanha, Reino Unido e Irlanda, que ameaçam o acordo firmado entre a União Europeia e o Mercosul, Bolsonaro reconheceu que o governo "não está satisfeito com o que estamos assistindo", mas que é preciso "ter serenidade ao falar dessa matéria".

Bolsonaro acrescentou: "Espalhar dados e mensagens infundadas dentro ou fora do Brasil não contribui para resolver o problema e se presta apenas ao uso político e a desinformação".

Embora não o tenha citado nominalmente, a fala se dirigia ao presidente francês, Emmanuel Macron, que compartilhou imagem antiga de incêndio ao tratar da crise ambiental nas redes sociais — o líder estrangeiro pretende discutir o assunto na reunião do G7, prevista para este fim de semana.

De pouco mais de quatro minutos, o pronunciamento é parte da estratégia presidencial de retomar controle da narrativa em torno das queimadas. Ainda ontem, Bolsonaro reuniu a cúpula governista para encontrar respostas à tragédia na Amazônia, que tem repercutido internacionalmente.

Nessa sexta-feira, protestos foram registrados em várias cidades do mundo. No Brasil, "panelaços" acompanharam a exposição de Bolsonaro, gravada e veiculada em cadeia nacional.

Entre os itens do plano apresentado, Bolsonaro enfatiza a assinatura também ontem do decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). No vídeo, o presidente chama a medida de GLO ambiental, destinada a estados atingidos pelas queimadas que desejarem ajuda das Forças Armadas.

"Tenho profundo amor e respeito pela Amazônia. A proteção da floresta é nosso dever", disse o pesselista. "Este é um governo de tolerância zero com a criminalidade. E nesta área não será diferente."

Assista ao pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro

Sem responder às críticas de outros países, o chefe de Estado brasileiro assinalou que o País "continuará sendo, como foi até hoje, amigo de todos e responsável pela proteção de sua floresta amazônica".

Antes disso, o presidente repetiu argumento já utilizado noutras falas públicas sobre os incêndios: "Queimadas ocorrem com maior frequência nesta época e estão na média dos últimos 15 anos". Em seguida, voltou a alfinetar nações europeias: "Países desenvolvidos não conseguiram avançar com seus compromissos no âmbito do acordo de Paris".

IMAGEM aérea de ontem mostra a fumaça de um trecho de dois quilômetros de extensão da floresta amazônica a 65 km de Porto Velho (RO)
IMAGEM aérea de ontem mostra a fumaça de um trecho de dois quilômetros de extensão da floresta amazônica a 65 km de Porto Velho (RO)

Bolsonaro não mencionou conversa com Donald Trump, mas informou que alguns líderes se solidarizaram com o Brasil e se prontificaram a levar a posição do Itamaraty para o encontro do G7.

Pelas redes sociais, o presidente dos EUA confirmou que havia conversa com o colega brasileiro, a quem prometeu auxílio para combater os incêndios que atingem a Amazônia. Trump também destacou a boa relação entre os dois países. (com agências)

Roraima

O governador Antonio Denarium (PSL), negou ontem que Roraima sofra com queimadas, embora o Inpe aponte a região como uma das que registram maior índice de focos de incêndio.

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