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PT deve decidir no final de janeiro se será base ou oposição a Sarto

| Divisão | Agremiação se divide entre os que consideram importante a adesão ao pedetismo e aqueles que querem manter a mesma ação dos últimos quatro anos, de oposição ao governismo na Câmara Municipal de Fortaleza
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DEPUTADO Federal José Aírton quer uma aproximação do PT com o governo Sarto (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)
Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados DEPUTADO Federal José Aírton quer uma aproximação do PT com o governo Sarto

O Partido dos Trabalhadores deve chegar a um entendimento sobre se fará oposição ou comporá a base do prefeito de Fortaleza, José Sarto (PDT), ao final de janeiro, antes de os trabalhos na Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) começarem. 

Quem faz a projeção é o vereador Ronivaldo Maia (PT), defensor de que a legenda encampe uma oposição à esquerda à gestão pedetista.

Segundo avaliou ao O POVO, não foi intervencionista o movimento da Executiva Estadual do partido de acatar recurso de ala ligada ao governador Camilo Santana (PT), composta pelo deputado estadual Acrísio Sena e pelos federais José Guimarães e José Airton. O grupo defende aproximação com o PDT. 

A instância estadual do PT decidiu pela admissibilidade, no último dia 30, de recurso que suspendeu a definição do PT de Fortaleza, que no dia anterior havia se decidido pela oposição ao novo gestor da Capital.

Para Ronivaldo, da bancada petista ao lado de Guilherme Sampaio e Larissa Gaspar, o impasse pode ser solucionado se os membros da tese adesista entregarem uma resolução capaz de gerar concordâncias. É uma dificuldade, considerando que as propostas são antagônicas.

"A tarefa desses aí (defensores da adesão ao governo Sarto), em vez de estarem só conversando para fora, é de preparar um texto capaz de unir o PT sobre a posição que os vereadores precisam ter a partir de fevereiro", opinou o parlamentar. 

Ligado à ex-candidata a prefeita de Fortaleza Luizianne Lins (PT), Maia considera que se tecnicamente não dá para classificar como intervenção, politicamente é "lamentável" a anulação da deliberação, já que a discussão poderia ter sido travada na esfera municipal. O argumento dos que se opuseram à posição foi de que não houve tempo de escutar todas as vozes do PT.

"Como eles rejeitaram (a decisão) com o recurso, estou aguardando o meu diretório, o municipal, que é a instância que irá me guiar. Não estou dizendo com isso que sou rebelde. Essa decisão de oposição ao governo Sarto ocorreu por conta de omissão deles (dos defensores da adesão, de não participarem das discussões)", acrescentou.

O POVO apurou que Camilo Santana teria ligado para os três parlamentares e se somado ao esforço de reforçar a importância que, a seu ver, existe na ida do partido para a base de Sarto. José Guimarães é o principal interlocutor do petista na defesa deste objetivo.

Segundo José Airton sugere, deveria acontecer uma reunião entre vereadores, deputados estaduais e federais com a direção municipal de modo a facilitar a construção de uma solução para o embaraço.   

"Eu acho que também precisamos conversar com o governador, até porque nós precisamos fazer uma repactuação da relação do PT com o governador Camilo, e acho que é possível nós, a gente construir uma certa unidade interna em torno de uma posição que seja mais ou menos consensuada", acrescentou Airton.

FORTALEZA ,CE, BRASIL 18-02-2019:( Jose Airton Sirilo, PT ) Reunião do Governador Camilo Santana com Deputados e Secretarios. (Gustavo Simão/ Especial para O POVO)
Foto: Gustavo Simão
FORTALEZA ,CE, BRASIL 18-02-2019:( Jose Airton Sirilo, PT ) Reunião do Governador Camilo Santana com Deputados e Secretarios. (Gustavo Simão/ Especial para O POVO)

O deputado destaca, no entanto, que não basta aderir por aderir ao Poder Municipal. É preciso que haja, do lado da gestão, algum tipo de compromisso sobre as pautas que serão enviadas ao Legislativo Municipal sobre temas considerados caros ao PT. 

"Tem que se discutir algumas questões que precisam ser amadurecidas, entre elas a própria questão da reforma da Previdência, que é um tema polêmico, que nós da bancada do PT temos posições contrária à Reforma nacional e, portanto, são temas que precisam ser pautados nessa discussão na relação com o prefeito", opinou. 

Em coletiva, Sarto anunciou que pautará este debate já na abertura dos trabalhos. À ocasião, também salientou ter boa interlocução com o PT. Exemplos disso, segundo lembrou, foi ter votado em Fernando Haddad no segundo turno de 2018, além do fato de Camilo ser filiado à agremiação.

 

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