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Estados e Congresso cobram mais vacinas

Fórum dos governadores se reúne com Pazuello na quarta-feira, 17, para cobrar novamente um cronograma para a entrega das doses
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MILITAR e ex-ministro, Eduardo Pazuello pode ser um dos primeiros investigados na CPI (Foto: Pedro França/Agência Senado)
Foto: Pedro França/Agência Senado MILITAR e ex-ministro, Eduardo Pazuello pode ser um dos primeiros investigados na CPI

Com as doses de vacina contra a Covid-19 se esgotando, governadores e congressistas preparam uma ofensiva sobre o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para acelerar a chegada de imunizantes. A pressão aumentou após Pazuello prometer que todo o País será imunizado ainda neste ano, mesmo com o governo federal patinando para ampliar a oferta de vacinas.

O Fórum dos Governadores vai se reunir com Pazuello nesta quarta-feira, 17. Os chefes dos Estados e do Distrito Federal vão cobrar, novamente, um cronograma para a entrega das doses.

"Nos aproximamos de 30 dias do início da vacinação com perspectiva de alcançar apenas 3% da população brasileira vacinada. Neste ritmo, não vai se concretizar o plano do governo de vacinar, até junho, metade da população", disse o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), que coordena os trabalhos do Fórum sobre vacina.

 

O Ministério da Saúde afirma que 11,1 milhões de doses já foram entregues, volume suficiente para vacinar cerca de 6,5 milhões de pessoas. Segundo dados reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa com as secretarias estaduais de Saúde, o número de vacinados chegou a cerca de 5 milhões no domingo.

No Ceará, 228.318 pessoas foram vacinadas contra a Covid-19 e 4.010 receberam a segunda dose do imunizante, segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (Sesa).

Pressionado pela ameaça de uma CPI, Pazuello disse a senadores que até junho metade dos brasileiros estaria imunizada e o restante das pessoas, até dezembro. Segundo o ministro, o Brasil trabalha para ter "reservas" e até exportar para outros países da América Latina.

Mas a falta de doses tem travado a imunização. O prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM), anunciou ontem que vai interromper a vacinação por falta de doses. A Secretaria de Saúde de Ananindeua (PR) informou o mesmo no domingo.

Há, ainda, reclamações sobre o critério para distribuição das doses. O governo do Pará reclama de ser o último colocado, na conta ajustada pela população de cada Estado. O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (DEM), escreveu no Twitter que o ritmo lento da campanha na cidade se deve ao número de doses recebidas.

Pressão

O deputado federal e líder do Cidadania, Alex Manente (SP), apresentou requerimento para que Pazuello detalhe o plano de vacinação. O pedido ainda precisa ser aprovado pela Mesa da Câmara.

A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) apresentou questionamentos, já aprovados, sobre a campanha de vacinação. Deputados do Novo também encaminharam a Pazuello dúvidas sobre as negociações por vacinas.

A Câmara deve votar na quinta-feira a Medida Provisória 1026/2021, que libera a compra de vacinas antes do registro na Anvisa. No Senado, mais de 30 parlamentares assinam pedido de abertura de CPI sobre a atuação do governo na pandemia.

Incertezas

A pasta afirma, em nota, que tem 354 milhões de doses garantidas para este ano. "Por meio dos acordos com Fiocruz (212,4 milhões de doses), Butantan (100 milhões) e Covax Facility (42,5 milhões)."

Além disso, o governo esperava receber 14 milhões de doses via Covax Facility a partir de março, mas essa previsão caiu para 10 milhões. O ministério também queria importar 10 milhões de doses prontas da vacina de Oxford/AstraZeneca fabricada na Índia, mas conseguiu, por enquanto, apenas um novo lote de 2 milhões de unidades.

O governo ainda negocia 20 milhões de doses da Covaxin e 10 milhões da Sputnik, mas as negociações têm derrapado. "A expectativa do Ministério da Saúde em oficializar nesta semana compromissos com as farmacêuticas russa e indiana não se concretizou em função de atrasos nos repasses de informações por parte das empresas", informou a pasta.

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