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Relembre a demora na avaliação do uso da Sputnik V pela Anvisa

Pedido para uso emergencial chegou em janeiro, mas agência alegou que faltavam documentos básicos
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Importação e uso emergencial da vacina russa foi objeto de reunião da Anvisa (Foto: Vladimir Gerdo/TASS/ Reuters/Direitos reservados)
Foto: Vladimir Gerdo/TASS/ Reuters/Direitos reservados Importação e uso emergencial da vacina russa foi objeto de reunião da Anvisa

Atendendo a pedidos dos governos do Ceará e do Maranhão, o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu um prazo, que se encerraria no fim deste mês, para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgasse parecer sobre a autorização emergencial ou registro da vacina Sputnik V no Brasil.

A demora na liberação da vacina russa irritou governadores do Nordeste que já adquiriram o imunizante. Amapá e Piauí também acionaram o STF. Somente nessa segunda-feira, 26, a Anvisa tomou uma decisão, negando a importação a estados e municípios.

 

O professor do Departamento de Patologia e Medicina Legal da Universidade Federal do Ceará (UFC), Edson Teixeira, diz acreditar que a demora da avaliação esteve relacionada ao próprio imunizante e à fabricante deles

Desde janeiro, foi protocolado um pedido de uso emergencial do imunizante russo. No entanto, a Anvisa afirmou que faltavam documentos básicos para o andamento do processo.

Em março, a agência fez um pedido à União Química, laboratório que tem parceria com o Fundo Russo de Investimento Direto para importar e produzir doses da vacina no Brasil, solicitando os documentos necessários, mas eles ainda não foram entregues.

Edson destaca que a deliberação do STF, do ponto de vista científico, foi extremamente preocupante e que, por conta da crise, há uma “confusão entre política e ciência”.

Antes da decisão negativa da Anvisa, ele já pregava a necessidade de cautela com a possibilidade de aprovação, pois caso não tenha o efeito esperado ou produza reações colaterais graves, a responsabilidade cairia sobre quem tentou acelerar esse processo "de maneira não científica”.

Em nota enviada ao O POVO na última semana, antes da votação desta segunda-feira, a agência afirmou que “os processos de importação da vacina Sputnik V protocolados por 12 estados e por 1 município não foram negados ou decididos pela Anvisa” e que tem tomado medidas para suprir a ausência da informação, como “envio de técnicos da Anvisa à Rússia para realização de inspeção na fábrica da Sputnik a fim de avaliar as suas condições e obter mais informações”.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Cecília Nicolini, uma das assessoras do presidente argentino Alberto Fernández, por sua vez, atribui a questões políticas a reticência da Anvisa em aprovar o uso emergencial da Sputnik V no Brasil. Na Argentina, mais de 60% de todas as doses aplicadas são do imunizante de origem russa.

"Não sei com certeza (quais são) as pressões, mas com certeza é uma questão política. Porque as evidências estão aí, de resultado e também as experiências vacinando com a Sputnik", afirmou.

Cecília, que é responsável na Argentina pelas pelas relações internacionais quanto à vacina, diz que as críticas sobre uma suposta falta de transparência da Sputnik está relacionada à diferença cultural, aos termos de confidencialidade e ao preconceito com a origem do imunizante.

"A Argentina foi o primeiro País a registrar a vacina. Para o Brasil, pensei que seria mais fácil. Há novos estudos, a Argentina já vacinou 6 milhões de pessoas. Rússia, México, Bolívia (estão aplicando)", destaca, ressaltando ainda que não há registros de casos adversos relevantes em seu país e que os quadros graves de Covid-19 estão em queda. (colaborou Carlos Holanda)

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