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CPI do Motim mira atos em Sobral, que culminaram com Cid Gomes baleado em retroescavadeira

| Investigação | Um dos pontos de maior tensão na paralisação de 2020, o município teve episódio que terminou com o senador Cid Gomes (PDT) baleado por amotinados
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SESSÃO de ontem da CPI do Motim teve bate-boca entre Elmano e Noelio (Foto: Paulo Rocha/AL-CE)
Foto: Paulo Rocha/AL-CE SESSÃO de ontem da CPI do Motim teve bate-boca entre Elmano e Noelio

Em sessão marcada por embate entre deputados, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Motim aprovou ontem diversos pedidos de informação envolvendo a paralisação de militares de 2020. Pela 1ª vez, o grupo votou matérias sobre atos do movimento em Sobral, que terminaram com conflito entre amotinados e o senador Cid Gomes (PDT).

Berço político do clã Ferreira Gomes, o município da Região Norte registrou alguns dos momentos mais tensos do motim do ano passado, incluindo a circulação de imagens de diversos agentes encapuzados ordenando, de dentro de viaturas da Polícia Militar do Estado, o fechamento do comércio da cidade.

Em 19 de fevereiro, Cid Gomes chegou a embarcar de Brasília para Sobral, onde tentou negociar a desocupação de um quartel tomado por amotinados no centro do município. Após se desentender com agentes, no entanto, o pedetista avançou sobre a ocupação com uma retroescavadeira, sendo alvo de dois disparos de arma de fogo.

O senador recebeu alta do hospital apenas cinco dias depois do incidente, ficando com balas alojadas ao lado da costela e no pulmão esquerdo. Em junho deste ano, o Ministério Público denunciou 35 PMs de Sobral supostamente envolvidos no episódio pelo crime de aquartelamento. Outro inquérito apura tentativa de homicídio no caso.

No requerimento aprovado ontem, a CPI do Motim pede ao prefeito de Sobral, Ivo Gomes (PDT), "todas as imagens de câmeras de segurança do município que gravaram atos do motim". Foram requisitadas ainda imagens de câmeras de uma escola estadual do bairro Antônio Bezerra, localizada ao lado de um dos quartéis ocupados pelo motim em Fortaleza.

Outros dois requerimentos foram aprovados pelo grupo na manhã desta terça-feira, 14. Um deles pede imagens de câmeras do entorno da Assembleia Legislativa (AL-CE) nos dias em que ocorreram manifestações de PMs durante fevereiro de 2020. Conforme O POVO revelou em reportagem do início de agosto, as mesmas imagens servem de base para uma série de investigações sobre o motim em curso no Ministério Público do Estado (MPCE).

A última matéria aprovada pede que a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) apresente um relatório detalhado dos números da violência no Estado entre janeiro de 2012 - quando ocorreu o primeiro motim recente de militares do Estado - e janeiro de 2021. A ideia da base de Camilo Santana (PT) é mostrar como os dois movimentos foram seguidos por um grande pico de crimes violentos no Estado.

No início do mês, o grupo já havia aprovado um pedido de informações cobrando dados financeiros das associações entre 2010 e 2021, além de outro requerimento à Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) pedindo os relatórios de repasses financeiros realizados para as organizações. As informações ainda são aguardadas pela CPI do Motim. O grupo também aprovou uma série de depoimentos com presidentes de associações de PMs.

Encontro de ontem foi a terceira vez em que a CPI do Motim se reuniu na Assembleia Legislativa. Como tem ocorrido desde o início dos trabalhos do grupo, a sessão foi marcada por embates entre o único representante de militares e integrante da oposição, Soldado Noelio (Pros), com demais participantes da comissão.

Em diversos momentos, o deputado da oposição acusou os aliados do governador de tentarem usar a CPI para criar "cortina de fumaça" para ignorar temas, segundo ele, mais urgentes do Estado, como a atuação de facções criminosas.

"O governo está perdido nessa questão da violência, não tem competência, aí tem que criar manchetes para a imprensa para desviar a atenção. Pode ser de briga de deputados aqui, ou de que vai chamar alguém para depor. Querem investigar os bandidos de altíssima periculosidade que estão comprando água para policiais e reformando quartéis", disse.

CPI

A CPI investiga a atuação das associações de policiais e bombeiros militares nos motins de PMs de 2012 e 2020

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