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Aziz sobre relatório da CPI: "Você não engaveta 600 mil mortes"

| Jogo Político | Integrantes do colegiado esperam respostas positivas após entregarem relatório final do senador Renan Calheiros, aprovado pela comissão no dia 26 de outubro
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OMAR Aziz foi entrevistado pelo jornalista Italo Coriolano (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado OMAR Aziz foi entrevistado pelo jornalista Italo Coriolano

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), disse não crer no engavetamento do relatório da comissão, por parte do procurador-geral da República, Augusto Aras. Redigido por Renan Calheiros (MDB-AL), o documento - aprovado no dia 26 de outubro - é fruto de um trabalho de seis meses tem 81 indiciamentos, incluindo o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), além de outros políticos, empresários, gestores e médicos.

“O fato é que você não engaveta 600 mil mortes. Não dá para você chegar e dizer "olha, vou arquivar aqui". Nós temos hoje 5 milhões de pessoas mortas no mundo para a Covid, das quais 600 mil são do Brasil. Um país como o nosso detém mais de 20% dessas mortes, enquanto a gente é 2,5% da população mundial só, tem alguma coisa errada”, disse Aziz em entrevista ao programa Jogo Político dessa terça-feira.

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Uma cópia do texto final já foi entregue a Aras e ao Supremo Tribunal Federal (STF), um dia após a aprovação do documento. Agora, o procurador-geral da República será responsável por seguir com as apurações e confirmar o indiciamento ou arquivar os casos. 

Diferente das outras comissões já instaladas no Senado Federal, a deste ano “fala sobre vidas”, defende o presidente da comissão. “Não é uma obra superfaturada, uma corrupção numa estatal ou numa licitação. São mais de 600 mil vidas perdidas na pandemia em menos de dois anos. É impossível você engavetar, essas pessoas e seus familiares elas clamam por justiça”, ressaltou.

Em caso de eventuais pressões por algum arquivamento do relatório, segundo Aziz, existe dentro da própria procuradoria “vozes destoantes” que devem resistir ao chefe do Ministério Público caso ele “tente de uma forma não explicativa e não justificável arquivar qualquer um dos processos que são movidos contra o presidente, contra ministros e parlamentares”. Aras possui um histórico de decisões favoráveis a Bolsonaro.

Aziz defende que qualquer contestação ao texto - elaborado em mais de mil páginas - deverá ter como justificativa algo muito concreto, visto a clareza de provas contínuas contra os indiciados.

“Por mais ou menos informado que seja, você sabe que o governo nunca teve intenção de comprar vacina, induziu a imunização de rebanho e o tratamento precoce. O Bolsonaro sabia que a imunização de rebanho ia matar os fracos, os pobres e as pessoas que não tinham condições de atendimento”, disse.

O parlamentar adiantou ainda que a CPI deve responder, até esta sexta-feira, 5, o pedido do ministro Alexandre de Moraes, do STF, sobre as informações acerca das medidas impostas contra Bolsonaro, como o banimento do presidente das redes sociais. De acordo com o pedido da comissão, deve ser feita a quebra do sigilo telemático do presidente ao procurador-geral da República.

A justificativa dos senadores para a adoção de tais medidas é que Bolsonaro "segue com sua política de desinformação”. Na última semana, o presidente deu uma declaração mentirosa associando a vacina contra a Covid-19 com o desenvolvimento do vírus da aids.

“É um pedido que a CPI fez antes do encerramento. Imagina o presidente da República dar uma declaração dessa numa live. É terrorismo puro. Com 110 milhões de brasileiros vacinados com as duas doses ele jogar isso”, criticou Aziz.

Omar Aziz criticou duramente o ex-juiz Sergio Moro, provável candidato a presidente pelo Podemos
Omar Aziz criticou duramente o ex-juiz Sergio Moro, provável candidato a presidente pelo Podemos

Aziz "bate" em candidatura Moro: "Serviu a um governo nazifascista, era um ditador como juiz"

Em entrevista exclusiva ao Jogo Político, do O Povo, o senador Omar Aziz (PSD-AM) "bateu" forte na possibilidade de uma candidatura presidencial de Sergio Moro, o ex-juiz e ex-ministro que se filia ao Podemos no próximo dia 10 com esse propósito. Para ele, Moro serviu a um "governo nazifascista" e foi um "ditador como juiz".  

O presidente da CPI da Covid definiu como "cruzeta" (sinônimo de armadilha) os diálogos do então juiz federal com a força-tarefa da Lava Jato, do Ministério Público Federal (MPF), que vieram à tona após série de reportagens do The Intercept Brasil intitulada "Vaza Jato".

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou em abril deste ano Moro como suspeito para julgar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com quem ele deve estar novamente frente a frente, agora na disputa eleitoral.

"O cara escapa de facada, escapa de tiro, escapa de flechada, mas de cruzeta ninguém escapa. O cara acertando tudo, juiz e Ministério (Público Federal) acertados (sobre) o que escrever, só papai do céu para chegar aqui e reparar o dano", disse o congressista.

E adicionou: "Serviu a um governo nazifascista, era um ditador como juiz, com aquela vozinha dele limitada intelectualmente. Ele fez o que fez e está aí, que foi uma das preocupações da CPI, não quebrar a empresa, mas ir atrás do CPF. Nós não estávamos atrás do CNPJ. O Moro podia ter prendido todos esses caras (presos da Lava Jato) sem quebrar as empresas."

Segundo Aziz, Moro não é "ex-juiz", ele tão somente ocupou "um cargo de juiz". 

Assista à entrevista no Jogo Político desta terça-feira, 2

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