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Camilo rebate acusações de Moro sobre negociações com PMs no motim

Em entrevista à rádio O POVO CBN, o ex-ministro também aumentou o tom contra o Jair Bolsonaro e avaliou que o presidente nunca se comprometeu no combate à corrupção
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ENTÃO ministro Sergio Moro com o governador Camilo Santana no Palácio da Abolição, em reunião em 24 de fevereiro de 2020, durante motim de policiais no Ceará (Foto: FÁBIO LIMA/O POVO)
Foto: FÁBIO LIMA/O POVO ENTÃO ministro Sergio Moro com o governador Camilo Santana no Palácio da Abolição, em reunião em 24 de fevereiro de 2020, durante motim de policiais no Ceará

O pré-candidato à Presidência pelo Podemos Sergio Moro e o governador do Ceará Camilo Santana (PT) tiveram um dia de troca de farpas nessa segunda-feira, 6. O ex-ministro da Justiça acusou o petista de faltar com o diálogo com os policiais militares durante o motim da categoria em 2020. Em entrevista para a Rádio O POVO CBN, Moro afirmou que Camilo fez "críticas muito severas" aos PMs, chegando ao ponto de "romper com todas as pontes" que existiam entre o Governo do Estado e os policiais amotinados.

"Tinha uma crise de segurança, os policiais militares estavam lá em paralisação. A gente valoriza muito os policiais, mas qualquer greve ela é fora da lei, porque deixa as pessoas desprotegidas. Mas tinha um clima aqui dentro do Estado, o governador fez críticas muito severas aos policiais, e ele rompeu todas as pontes que tinha entre o Governo do Estado e os policiais", afirmou Moro durante a manhã.

À tarde, em publicação nas redes sociais, Camilo rebateu a acusação do ex-ministro e lembrou que Moro apenas foi capaz de propor anistia aos envolvidos no motim. "Soube que o ex-ministro de Bolsonaro, Sérgio Moro, criticou em entrevista hoje que não tive diálogo com os encapuzados do motim criminoso no Ceará, em 2020. Logo ele, que veio à época aqui e a única ação foi propor anistia para os crimes cometidos. Não aceitei", disse.

"Diálogo é uma marca que carrego comigo, sr Moro. Mas compactuar com atos criminosos, jamais!", complementou o chefe do Executivo estadual.

 
 
 
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Segundo o ex-juiz, à época, o Ministério da Justiça disse que enviou tropas da Força Nacional para proteger as pessoas, a ponto de mobilizar uma ação fundada na Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Porém, Moro disse que, apesar do aparato técnico, faltava do Executivo estadual "restabelecer um diálogo".

"Ao invés de você ficar ofendendo os policiais e colocando palavras agressivas, vamos sentar à mesa, conversar. A gente foi falar com o governador, sentamos e mandamos um emissário que resolveu o problema. Foi um emissário do Ministério a Justiça que conseguiu reverter que os policiais voltassem ao trabalho", avaliou o ex-ministro.

Na última semana, a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) encaminhou a expulsão do ex-deputado federal Cabo Sabino (Avante) dos quadros da Polícia Militar do Ceará. Ele foi considerado um dos líderes do movimento. O órgão também assinou a saída do cabo Kenneth Almeida Belo. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE).

Após a entrevista, Sergio Moro disse, em nota divulgada pela assessoria de imprensa, que, ao visitar o Ceará durante o motim de policiais militares em fevereiro de 2020, considerou o movimento ilegal. Porém, ele pontua que, no lugar do confronto, preferiu o diálogo, sem condenar previamente os policiais.

A nota é uma resposta à publicação feita pelo jornalista Carlos Mazza, colunista do O POVO, que apontou que Moro enfim condenou de forma firme o movimento de 2020, durante a entrevista à Rádio O POVO CBN, depois da contemporização feita à época. A assessoria de Moro nega qualquer mudança de posição.

Na coluna, Carlos Mazza apontou: "Durante o motim, Moro veio ao Ceará e foi muito criticado por não fazer uma condenação firme ao movimento. Na época, o então ministro chegou até a dizer que o movimento era ilegal, mas amenizou críticas destacando que amotinados 'não poderiam ser criminalizados' e que agentes deveriam ser 'valorizados'. Agora, justifica a postura dizendo que tentava 'reconstruir pontes' entre o governo e amotinados."

Na entrevista, feita pelos jornalistas Jocélio Leal e Rachel Gomes, da rádio O POVO CBN; Henrique Araújo, do O POVO, e Farias Júnior, da CBN Cariri, Moro justificou a postura à época: "Tinha uma crise de segurança, os policiais militares estavam lá em paralisação. A gente valoriza muito os policiais, mas qualquer greve ela é fora da lei, porque deixa as pessoas desprotegidas. Mas tinha um clima aqui dentro do estado, o governador fez críticas muito severas aos policiais, e ele rompeu toda as pontes que tinha entre o governo do estado e os policiais", afirmou Moro.

À Rádio O POVO CBN, Moro também aumentou o tom contra o presidente Jair Bolsonaro (PL). Recém filiado ao Podemos, o pré-candidato ao Planalto revelou que, quando ainda era ministro, foi orientado por um outro integrante da Esplanada a não se manifestar sobre sobre a execução de pena em segunda instância, o que indicava que o tema beneficiaria o presidente e aliados. Um novo entendimento do tema pelo Supremo Tribunal Federal (STF) permitiu, em 2019, a soltura do ex-presidente Lula. 

O ex-juiz criticou a atual falta de posição do presidente da República em relação à mudança de entendimento do STF. Segundo Moro, o Governo Federal nunca trabalhou pelo combate à corrupção, a ponto de ser tratado como uma "voz isolada" durante sua gestão no ministro da Justiça.

No cenário para 2022, o presidenciável confirmou que visitará o Ceará no início de na esteira das articulações para as eleições do ano que vem. Ele avaliou que vir ao Estado é uma “prioridade” pessoal. 

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