Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Chapa com Ciro Gomes, Capitão Wagner e Roberto Cláudio
São os nomes de mais peso possível na oposição. Pelo que está em discussão no bloco governista, a tendência é de nomes sem a mesma experiência em disputas majoritárias, Mas será que serão eles mesmo na disputa?
Foto: DANIEL GALBER/ESPECIAL PARA O POVO
CIRO Gomes com Roberto Cláudio e Capitão Wagner
Ciro Gomes (PSDB) tem mantido intensa agenda desde que voltou de viagem. É provavelmente o período em que ele está mais dedicado a conversas políticas com líderes cearenses desde que foi governador. Desde setembro de 1994, quando assumiu o Ministério da Fazenda, ele passou a ter como foco a política nacional. E delegou ao irmão Cid Gomes (PSB) cuidar das questões locais. Quando eles se afastaram, em 2022, Roberto Cláudio (União Brasil) assumiu a linha de frente das articulações do cirismo pelo Estado. Mas, se quer concorrer a governador, o próprio ex-ministro precisa pôr a mão na massa.
Hoje, são os principais nomes da aliança oposicionista. Um ex-governador e dois candidatos a governador há quatro anos. São os nomes de mais peso possível para o bloco. É uma chapa robusta, sem dúvida. Pelo que está em discussão no bloco governista, a tendência é de nomes sem a mesma experiência em disputas majoritárias.
Quem será candidato a quê?
Não está claro qual será a composição. Roberto Cláudio será vice de Ciro? Do ponto de vista eleitoral, parece não agregar votos novos. O eleitor de Roberto em regra já vota em Ciro. Wagner na vice? Eleitoralmente, faz todo sentido. Mas saírem de inimigos profundos, que disputavam na Justiça até um dia desses, para a mesma chapa pode ser demais. Tudo bem que se aproximaram, mas a confiança para colocar como vice talvez exija mais.
Além disso, pela maneira como Wagner tem se posicionado nas redes sociais, de forma mais dura, parece mais voltado a uma campanha proporcional, a deputado federal, que a uma candidatura majoritária. Soa mais um jeito de recuperar o antigo eleitorado que avançar para novo público.
Wagner está sem mandato desde 2023. Roberto Cláudio há mais tempo ainda, desde 2021. E campanha majoritária é sempre incerta, ainda mais para quem é oposição no Ceará.
O PL e o espaço que sobra
Na mesma entrevista, Ciro falou sobre o PL e a decisão do partido de suspender as negociações com ele. Defendeu dar tempo ao partido.
Apesar da deliberação nacional de paralisar as conversas, membros do PL Ceará estão muito confiantes na composição com Ciro. Mas é interessante que o pré-candidato não dá a situação como certa e trata a última vaga como em aberto.
O PL lançou Alcides Fernandes ao Senado já há bastante tempo. E Ciro disse esperar votar nele. A candidatura do pai é prioridade para o deputado federal André Fernandes (PL). Mas agora o potencial candidato a governador dá a questão como em aberto.
“Você deve ver uma chapa comigo, com o Capitão Wagner, com Roberto Cláudio, para compor as chapas majoritárias. Temos a outra vaga de senador, para compor com outros aliados”, disse Ciro.
Como quem avisa: o risco que corre o carvalho corre o machado. Se o PL não apoiar a candidatura do PSDB, a chapa será montada sem ele.
Por outro lado, no caso de haver aliança, Fernandes já deu indicativos de que não quer um segundo candidato ao Senado que ofusque Alcides. Como receberá Wagner ou Roberto com a mesma postulação do pai?
A composição não é simples.
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