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Lula pede que Conselho de Paz se limite a Gaza e sugere assento para a Palestina
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Lula pede que Conselho de Paz se limite a Gaza e sugere assento para a Palestina

|Relação| Os dois também conversaram sobre a situação na Venezuela. Durante a conversa, ficou combinada uma visita de Lula aos EUA
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TRUMP e Lula em encontro na Malásia em outubro de 2025 (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Foto: Ricardo Stuckert / PR TRUMP e Lula em encontro na Malásia em outubro de 2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone, na manhã desta segunda-feira, 26, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na conversa, Lula sugeriu que Trump incluísse um assento para a Palestina no Conselho da Paz, colegiado idealizado, criado e presidido pelo estadunidense. Além disso, Lula sugeriu que o conselho se limitasse a discutir as questões relacionadas à Faixa de Gaza.

O teor da conversa entre os presidentes foi divulgado pelo Palácio do Planalto, em nota. Segundo o Planalto, o presidente brasileiro também reforçou a importância de uma reforma abrangente na Organização das Nações Unidas (ONU), ampliando o número de membros permanentes do Conselho de Segurança.

Lula foi um dos líderes convidados a ocupar um assento no conselho, mas ainda não respondeu ao convite. Na semana passada, em um evento em Salvador, ele chegou a criticar a proposta de criação do Conselho da Paz. Para o presidente brasileiro, Trump quer criar uma nova ONU para ser o dono. " E o que está acontecendo: o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, em que ele sozinho é o dono da ONU", afirmou Lula na semana passada.

Na data, Lula havia afirmado que estava entrando em contato "com todos os países do mundo" para "encontrar uma forma de se reunir" e defender o sistema multilateral. Entre os líderes com quem disse ter conversado estão o russo Vladimir Putin, o indiano Narendra Modi e a mexicana Claudia Sheinbaum.

Embora inicialmente o organismo tenha sido criado para supervisionar a reconstrução de Gaza após a guerra entre Hamas e Israel, seus estatutos não limitam sua função ao território palestino e geraram temores de que Trump queira que rivalize com a ONU.

Na conversa, os dois presidentes também trataram de questões relacionadas à Venezuela. Lula reiterou o que já vem falando sobre o assunto e apontou a importância de manter a paz no continente. Após a incursão, Lula havia classificado os ataques dos Estados Unidos na Venezuela e a captura de Maduro como uma "afronta gravíssima" à soberania desse país.

Além disso, Lula voltou a propor um fortalecimento na cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado.“Lula manifestou interesse em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, bem como no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A proposta foi bem recebida pelo presidente norte-americano”, afirmou o Planalto.

Durante a conversa, que durou 50 minutos, ficou combinada uma visita de Lula aos Estados Unidos. Não foi definida uma data, mas a visita deve ocorrer após a viagem do presidente brasileiro à Índia e à Coreia do Sul, em fevereiro.

Ainda de acordo com o Planalto, Lula e Trump também conversaram sobre o estreitamento da relação entre Brasil e EUA, e como isso se reflete positivamente na economia.

“O presidente Trump afirmou que o crescimento econômico dos Estados Unidos e do Brasil é positivo para a região como um todo. Ambos saudaram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros”.

Os dois se encontraram pessoalmente pela primeira vez na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em setembro. Foi um rápido encontro e cumprimento, mas o norte-americano afirmou ter tido uma "química excelente" com Lula.

Ambos se encontraram novamente em outubro, na 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia. Dessa vez, puderam sentar e conversar em uma reunião classificada como "muito positiva" pelo chanceler brasileiro, Mauro Vieira.

 

 

 


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