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Feiras de rua e filas em frente a lojas continuam em Messejana

Comércio no bairro desafia decreto de isolamento em vigor. Prefeito Roberto Cláudio afirma que fiscalização em Messejana tem sido intensa
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TRADICIONAL FEIRA de Messejana, em registro feito nesta quinta-feira, 11 (Foto: Fabio Lima)
Foto: Fabio Lima TRADICIONAL FEIRA de Messejana, em registro feito nesta quinta-feira, 11

Apesar de continuarem proibidas pelo poder público de Fortaleza, as feiras livres seguem ocorrendo. Em Messejana, bairro conhecido pelas feiras diárias, comerciantes já montavam suas barracas e exibiam seus produtos antes das 8 horas de ontem, quando O POVO circulou pela região. Além delas, chamam a atenção as filas que se formam em frente aos estabelecimentos autorizados a abrir.

Uma vendedora ambulante, que preferiu não se identificar, conta que o movimento estava menor. "Não está o movimento total não. Algumas pessoas ficam com medo da polícia que passa aqui e fecha", afirma se referindo às operações de fiscalização, que nesses casos acontecem mediante denúncias. "Mas aqui sempre foi movimentado. Na pandemia não parou completamente e agora com as lojas o pessoal faz fila", completa. Ela explica que tem duas filhas e não deixou de vender tapiocas e lanches com seu carrinho porque não recebeu o auxílio emergencial e seu esposo, mesmo empregado, ficou três meses sem receber salário.

Em frente a uma loja de calçados, pelo menos 20 pessoas já aguardavam pela abertura das portas, o que ainda levaria duas horas para acontecer. A primeira cliente da fila, que também preferiu não se identificar, diz que chegou às 7 horas no local. "Quando soube que abriu, vim logo. Quero me livrar das dívidas", expõe.

Segundo ela a maioria dos que estavam ali desejam quitar seus crediários e não havia recebido qualquer instrução da loja sobre o vencimento da conta ou outras formas de pagamento. "Como entram pouca pessoas por vez e o horário de funcionamento é menor, se não vier cedo a fila é grande e corre o risco de nem ser atendida", explica.

Desde o início da primeira fase da reabertura econômica em Fortaleza, na última segunda-feira, 8, fiscalização de órgãos da Prefeitura e do Governo do Estado já dispersaram mais de 200 aglomerações e fecharam 101 estabelecimentos por descumprimento das normas da retomada. Balanço foi divulgado pelo prefeito Roberto Cláudio (PDT) em live na noite desta quinta-feira, 11. Autuações foram contabilizadas até ontem, quarta-feira, 10.

De acordo com o chefe do Executivo Municipal, a dispersão dos aglomerados em áreas públicas se deu de forma intensa nos bairros Vila Velha, Granja Portugal e Messejana, além da região do Mucuripe. "Tivemos atenção com algumas áreas de maior preocupação epidemiológica. São regiões que a gente atuou de forma mais integrada e intensa", frisa RC.

Sobre a operação em estabelecimentos, liderada pela Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), foram alvo estabelecimentos que abriram sem autorização ou que não obedeceram o horário reduzido de funcionamento. Somente nesta quinta-feira, 11, a Agefis autuou 41 estabelecimentos. Órgão conta com auxílio da Guarda Municipal, da Polícia Militar do Ceará e da Vigilância Sanitária estadual.

"A operação é para tentar coibir o desrespeito às normas de abertura que foram estabelecida mas principalmente para gerar consciência, educação e responsabilidade compartilhada daqueles que não podes ser geradores de riscos, mas que tem que ser geradores de oportunidades econômicas de forma responsável", pontua o prefeito. (Com Mateus Facundo)

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Áreas de maior concentação

De acordo com a Agefis, alguns pontos do Centro são áreas de aglomeração constante. São elas rua José Avelino e entorno; Parque das Crianças; Praças da Lagoinha, dos Leões e do Ferreira; além das ruas Floriano Peixoto, Major Facundo, Barão do Rio Branco e avenida Duque de Caxias. Todos os locais são fiscalizados por equipes fixas ou volantes, com apoio da Guarda Municipal e da Polícia Militar.

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