Reportagem

Três meses após as primeiras mortes por Covid, Fortaleza tem letalidade de 7,69%

Taxa de letalidade sextuplicou em Fortaleza desde as primeiras mortes e aumentou 16 vezes no Ceará. Indicador depende de testagens em massa para ser utilizado em estudos epidemiológicos mais completos sobre a Covid-19
Edição Impressa
Tipo Notícia Por
Homens com equipamento de proteção retiram corpo em caixão do contêiner do IJF 2 (Fotos: Fabio Lima/O POVO) (Foto: FÁBIO LIMA)
Foto: FÁBIO LIMA Homens com equipamento de proteção retiram corpo em caixão do contêiner do IJF 2 (Fotos: Fabio Lima/O POVO)

Há exatos três meses, as estatísticas oficiais indicavam as primeiras mortes causadas pelo novo coronavírus no Ceará: um homem de 72 anos que estava internado há cinco dias na UTI do Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ) e que tinha hipertensão e diabetes; e duas mulheres com 72 e 85 anos, também com doenças crônicas, atendidas em hospitais particulares também da Capital. Os três residiam em Fortaleza e não resistiram às complicações respiratórias.

Na época, o IntegraSus, plataforma de indicadores de saúde alimentada pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), apontava que Fortaleza tinha 182 dos 215 casos registrados em todo o Estado. No Brasil, 46 pessoas haviam morrido e 2.201 casos haviam sido confirmados, com taxa de letalidade de 2,1% - em Fortaleza e no Ceará, esses números eram de 1,12% e 0,36%, respectivamente. De lá para cá, esse índice sextuplicou, no caso de Fortaleza, e é 16 vezes maior para o Ceará.

Vale lembrar de que a taxa de letalidade de uma doença é o cálculo do número de mortes causadas por ela e dividido pelo número de casos confirmados, ao passo que a taxa de mortalidade é o número de mortes por 100 mil habitantes de uma determinada localidade.

"A letalidade mede a chance da pessoa com a doença vir a morrer em consequência dela, e a mortalidade mede a chance de uma pessoa sem a doença vir a tê-la e, em seguida, morrer. Por exemplo, os livros indicam que a mortalidade por raiva humana é próxima de zero, mas com letalidade de 100%", resume o médico epidemiologista Marcelo Gurgel Carlos da Silva, membro do Grupo de Trabalho de Enfrentamento à Covid-19 da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

"No caso da Covid-19, a letalidade não é um bom indicador, de modo geral. Não dá para comparar, por exemplo, Fortaleza com o Interior e dizer que temos uma letalidade mais alta, porque não temos dados precisos sobre o denominador, ou seja, o número de casos identificados por testes. Ter uma perspectiva completa da letalidade da pandemia só será possível quando a testagem for aumentada significativamente e as pessoas com sintomas leves também forem identificadas, e não somente as mais graves", completa.

As taxas de letalidade atualizadas pela Sesa na noite de ontem para Fortaleza e o Ceará indicavam 7,69% e 5,8%, respectivamente. Ainda de acordo com a secretaria, o Ceará registrou 98.055 casos confirmados e 5.728 mortes, o que representa 3.347 casos e 110 óbitos a mais do que os do dia anterior, sendo que 20 óbitos ocorreram no período de 24 horas.

Fortaleza é o município com o maior número de confirmações da patologia, com 33.755 casos e 3.174 mortes. Sobral vem logo depois, com 5.571 casos confirmados e 205 mortos, seguido de Caucaia (3.351 casos confirmados, 266 mortos) e Maracanaú (3.232 casos confirmados, 203 mortos).

De acordo com dados do Ministério da Saúde divulgados na noite de ontem, o Brasil teve 1.374 novas mortes registradas nas últimas 24 horas e 39.436 novos casos, totalizando 1,14 milhão de brasileiros infectados. São Paulo registrou recorde de mortes, com 434 óbitos registrados nas últimas 24 horas - a marca anterior havia sido no dia 17, com 389 óbitos.

 

Essa notícia foi relevante pra você?
Logo O POVO Mais