Reportagem

Impacto do decreto na economia é sensível para os setores, mas renovação era esperada

Aos sábados e domingos, o comércio, incluindo shoppings centers, passa a funcionar até as 17 horas. Três horas a menos do que vinha operando anteriormente
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FECHAMENTO do comércio nos shoppings centers de Fortaleza aos fins de semana passa a ser às 17 horas até 28 de fevereiro (Foto: JÚLIO CAESAR)
Foto: JÚLIO CAESAR FECHAMENTO do comércio nos shoppings centers de Fortaleza aos fins de semana passa a ser às 17 horas até 28 de fevereiro

Quando o governador do Ceará Camilo Santana (PT) anunciou medidas mais restritivas para conter o avanço da pandemia no Estado, os setores não se mostraram surpresos. O impacto maior deve ser nas atividades de comércio e serviços, com restrições complementares às que já estavam em vigor há duas semanas. "Temos procurado evitar atingir fortemente a economia, pois sei da preocupação do emprego, trabalho, da vulnerabilidade das pessoas do Ceará. Então, para atravessar esse momento, é preciso que as pessoas colaborem", enfatiza o chefe do Executivo estadual.

A equipe multidisciplinar que definiu as medidas do decreto em vigor até o dia 28 manteve a restrição de funcionamento das atividades não essenciais para até as 20 horas de segunda a sexta-feira. Nos fins de semana, o segmento de alimentação fora do lar funciona até as 15 horas. Aqui, uma nova restrição: aos sábados e domingos, o comércio, incluindo os shoppings centers, funcionam até as 17 horas. Até então, funcionavam até as 20 horas. O Governo estadual ainda definiu que os servidores vão trabalhar em regime de home office e ainda recomendou que o trabalho nos entes federal e municipal e também privado adotem a mesma medida conforme a atividade permita.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Fortaleza (CDL), Assis Cavalcante, afirma que o comércio de rua não observa grandes mudanças ao que já era proposto, mas os shoppings centers devem ser impactados negativamente com o novo decreto, pois a restrição de funcionamento aos fins de semana mina os dias de maior movimento.

"Já esperávamos uma dose maior de força do decreto. O prejuízo maior vai ficar pro sábado, pois é o melhor dia para as vendas. Como vamos fechar mais cedo, teremos esse prejuízo para os shoppings", diz. Ele, porém, completa ressaltando que a ação do Estado já era esperada pelos empresários, uma vez que o número de casos vem crescendo.

Assis ainda afirma que deve continuar com o trabalho de conscientização de consumidores para que respeitem as determinações de controle de entrada e capacidade nas lojas, bem como de rigor por parte dos lojistas. "Se é para o bem de todos, vamos enfrentar esse momento e compreender."

Um dos setores mais penalizados com as medidas do decreto há pelo menos duas semanas, o setor de bares e restaurantes, criticam o "abre e fecha" constante. O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Ceará (Abrasel), Taiene Righetto, afirma que mais de dois terços do setor dependem do funcionamento noturno e quase a totalidade é composta por pequenos negócios.

Ele destaca que desde que o decreto visando o Carnaval entrou em vigor, mais de mil estabelecimentos fecharam as portas e alguns em maior dificuldade aguardavam o novo decreto para refazer os cálculos para saber se declaram ou não falência. Taiene diz que os negócios que ainda estão na ativa não possuem condições financeiras para continuar trabalhando com receitas reduzidas enquanto as dívidas continuam se acumulando e cobra medidas mitigadoras do impacto negativo que se acumula.

"Acho que abrimos mão de 40% do nosso setor que já está falido. Está na hora de termos um pouco de retribuição, já que nos empenhamos tanto para sermos um dos locais mais seguros para se conviver. Não adianta abrirmos mão de mais nada, pois fomos os mais atingidos e, mais recentemente, os únicos que tiveram redução de horário sem eficácia", afirma.

Righetto ainda acrescenta: "Acho que temos que ampliar o horário de funcionamento para conseguir pulverizar mais o horário de saída dessas pessoas de suas casas e intensificar o seguimento aos protocolos e o Governo fiscalizar melhor."

Rodrigo Moreira, sócio do grupo Social Clube, que inclui restaurantes como o Santa Grelha, afirma que já esperava a manutenção do decreto estadual restringindo os horários de funcionamento, mas acredita que isso deve contribuir para o fechamento de mais empresas. "Desde o último decreto, estamos faturando menos do que o normal, funcionando com 50% de ocupação e em horário reduzido. Aqui não temos a cultura do cliente sair cedo para jantar. No fim de semana, o horário do decreto praticamente liquidou o almoço", contextualiza.

Ele conta que desde o início do decreto, há duas semanas, o faturamento reduziu pela metade e foi necessário realizar demissões e antecipar férias. "E os pequenos não têm mais sobra financeira para bancar isso. Muitos fecharam, nós mesmos demitimos mais 20 colaboradores na última semana. É uma situação difícil." 

 

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