Reportagem

Fortaleza passará 14 dias em lockdown a partir de amanhã

| CONTENÇÃO | Governador Camilo Santana declara situação gravíssima em Fortaleza e tenta ganhar tempo para que sistema de saúde saia do colapso por causa da segunda onda da Covid-19 no Ceará
Edição Impressa
Tipo Notícia Por
PREFEITO José Sarto, governador Camilo Santana e secretário da Saúde, Dr. Cabeto, anunciaram lockdown ontem (Foto: Divulgação Governo do Estado)
Foto: Divulgação Governo do Estado PREFEITO José Sarto, governador Camilo Santana e secretário da Saúde, Dr. Cabeto, anunciaram lockdown ontem

O colapso da rede pública e sistema privado de saúde do Ceará, esgotados com pacientes da Covid-19, levou o governador Camilo Santana (PT) a decretar lockdown em Fortaleza. O isolamento social rígido, com o funcionamento apenas de atividade essencial , começará amanhã, 5, e se estenderá até 18/3. Serão 14 dias de confinamento domiciliar obrigatório na capital cearense. E mais cinco hospitais de campanha serão abertos.

Durante uma live, na noite de ontem, Camilo Santana, o prefeito José Sarto (PDT) e o secretários da saúde do Estado e do Município - os médicos Carlos Roberto Martins Rodrigues (Cabeto) e Ana Estela Leite - anunciaram que não haveria outra saída para Fortaleza nesse momento crítico da segunda onda da pandemia do novo coronavírus.

A Capital, ressaltou Santana, é o epicentro da pandemia no Estado e as ações para conter a velocidade da contaminação não têm sido suficientes para frear a circulação do vírus da Covid-19.

"Hoje (ontem), batemos o recorde de morte no Brasil inteiro (foram 1,910 mortes). Essa nova variante do vírus é muito agressiva, ela se propaga mais rapidamente. É um cenário gravíssimo", disse o governador petista.

Leia também:

 

Nicolelis afirma grande chance do Brasil entrar em colapso e defende lockdown de 21 dias

O que é lockdown? Entenda as medidas mais rígidas de isolamento social

No dia em que é anunciado lockdown em Fortaleza, Bolsonaro diz: 'No que depender de mim, nunca teremos lockdown'

Internações na Unimed Fortaleza já superam pico da pandemia

A quarta-feira de pandemia em Fortaleza, dia do anúncio do lockdown, foi marcada por 100% da ocupação de leitos de UTI/Covid-19 em dez hospitais da rede pública. No geral, a média de ocupação de UTI das unidades públicas e privadas na Capital, ontem, estava em 91,23% segundo dados da plataforma IntegraSus da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).

"A quantidade de leitos que estamos abrindo não tem sido suficiente e a única forma de que a gente tem de sair da pandemia é a vacina. Porém, tem sido lenta porque não depende só de nós. Depende do Plano Nacional de Vacinação", justificou Camilo Santana. Ontem, o Ceará recebeu o 7º lote da CoronaVac com 115.600 mil doses. No entanto, o que chegou até agora não cobre nem 4% da população.

Além de Fortaleza, segundo O POVO apurou, pelo menos 70 municípios receberão a recomendação para adotar o lockdown. Caso dos que estão na Região Metropolitana de Fortaleza e outros localizados no litoral, sertão e serras.

De acordo com o governador, o Ceará tinha até o final de dezembro do ano passado, 200 leitos de UTI para infectados com a Covid-19. Por causa da violência da nova onda de contaminação, a quantidade saltou para 933 UTIs (fora as UTIs/Covid da Prefeitura de Fortaleza). E ainda assim, observa Camilo Santana, o governo estadual não está conseguindo atender a demanda crescente.

"Estamos com 2.326 leitos de enfermaria, ou seja, são quase 3.300 de leitos/Covid no Ceará já praticamente preenchidos e lotados. A quantidade não tem sido suficiente diante da necessidade de internar os casos mais graves que precisam de um leito de UTI ou de uma enfermaria", revelou o Santana.

O prefeito de Fortaleza, José Sarto, seguiu a mesma linha do governador para justificar a o isolamento social durante os 14 dias de lockdown. Sem detalhar os números, o pedetista disse que entre janeiro e fevereiro deste ano, o Município foi obrigado a aumentar a oferta de leitos em um quantidade "maior do que foi (em relação) ao pico da pandemia" em maio do ano passado.

A aposta no confinamento da população por 14 dias, acredita o médico José Sarto, teria eficiência diante da falta de imunização da maior parte da população. "No decreto que nós baixamos há poucos dias, só com a restrição da circulação de pessoas e carros já diminuiu bastante o número, por exemplo, de acidentes para o Frotão. Isso faz com que a gente tenha mais leitos disponíveis para pacientes de Covid, que são maioria", afirma sem apresentar as estatísticas.

Leia também: 

Ceará não está caminhando para flexibilização do isolamento rígido, afirma secretário da Saúde

Os 14 dias iniciais de restrição do ir e vir, determinados pelo decreto estadual que será publicado hoje, tentarão interromper a transmissão viral. A aposta científica no lockdown, segundo o médico e secretário Cabeto, é que reduza "o número de pessoas contaminadas que pode fazer crescer exponencialmente a quantidade de casos". E, também, "faz com que a chance de mutação (do vírus) diminua. Daí a importância do isolamento, mesmo com todos os prejuízos (econômicos) que existem", acredita Cabeto.

 

O que muda com o lockdown

Em vigor desde o dia 27 de fevereiro, o toque de recolher já havia definido algumas regras. Veja quais devem permanecer e quais devem mudar com o lockdown:

CONTINUAM

Controle na circulação do trânsito, na entrada e na saída de Fortaleza com municípios limites;

Proibição de festas, eventos e feiras em restaurantes, barracas de praia, hotéis e outros estabelecimentos em ambientes fechados e abertos;

Serviços de entrega, deslocamentos a aeroporto ou rodoviária para viagens, deslocamentos a atividades essenciais ou em razão do exercício da advocacia ou funções essenciais à Justiça, indústria e construção civil, dentre outras, são considerados essenciais e podem funcionar sem limitações de horário. Ainda assim, devem seguir normas sanitárias como uso obrigatório de máscaras, número controlado de clientes e medição de temperatura;

Proibição da entrada e permanência em hospitais, públicos ou particulares, de pessoas que não façam parte da operação, com exceção de pacientes e acompanhantes;

Adoção de trabalho remoto sempre que viável técnica e operacionalmente pelas atividades e serviços liberados para funcionar, inclusive no setor público;

Proibição do uso de espaços comuns e equipamentos de lazer de condomínios de praia ou urbanos;

Suspensão das aulas e atividades presenciais em estabelecimentos de ensino, público ou privado.

MUDAM

Recomendação para a permanência nas residências e restrição à circulação de pessoas e veículos automotivos em vias e espaços públicos como praças, areninhas, calçadões e praias. Antes os horários eram controlados nos dias da semana e aos sábados e domingos. Agora a circulação é autorizada somente para acessar serviços urgentes ou por trabalhar em algum serviço essencial;

Suspensão do funcionamento do comércio de rua ou de shopping. Antes o funcionamento era permitido com restrição de horário;

As igrejas podiam funcionar em horário limitado, mas agora devem suspender o funcionamento;

Paralisação do transporte intermunicipal de passageiros, o qual funcionava com a condição de cumprir medidas sanitárias;

As academias e demais estabelecimentos voltados à prática de atividades físicas estavam operando com redução para 30% da capacidade de atendimento, mas devem ter as aulas suspensas.

Fortaleza é o 6º município a decretar lockdown no Ceará

A capital cearense é o sexto município a adotar o lockdown no estado como forma de reduzir fluxo e enfrentar a pandemia de Covid-19, que se agravou nas últimas semanas.

Chamada de isolamento social rígido pelo Governo do Estado, a medida prevê que, durante sua vigência, entre os dias 5 e 18 de março, fica vetado o funcionamento de atividades não-essenciais de forma presencial.Além de Fortaleza, que entra na modalidade a partir de amanhã, estão sob lockdown as cidades de Mombaça, Santa Quitéria, Meruoca, Palhano e Pentecoste.

Em transmissão ao vivo ontem, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), e o prefeito de Fortaleza, José Sarto (PDT), decretaram lockdown na Capital por 14 dias.

Durante o anúncio, Camilo disse que a decisão foi tomada após dia inteiro de reuniões com o comitê que decide ações contra Covid-19 e, na parte da noite, com o setor produtivo.Segundo ele, Fortaleza retorna ao sistema de lockdown por causa do aumento significativo na circulação do coronavírus na região, que se caracteriza como um epicentro da pandemia no Estado. Conforme dados atualizados no fim da tarde dessa quarta-feira pela plataforma IntegraSUS, da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), o Ceará chegou a 434.154 casos confirmados de Covid-19, enquanto os óbitos somam 11.432.

Desde janeiro, regras cada vez mais duras contra a pandemia têm sido adotadas no estado. O decreto que está em vigor passou a valer desde o último sábado, 27 de fevereiro, e havia antecipado o horário do toque de recolher para as 20 horas e também reduzido ainda mais o horário do fechamento de comércio e serviços.

Esse decreto teria validade até o domingo que vem, dia 7. Diante da gravidade do cenário, porém, o Governo se antecipou e decretou medidas mais severas para conter o avanço da enfermidade. Entre elas, o fechamento de serviços considerados não essenciais. A primeira vez que o Governo adotou o lockdown foi em maio passado, no pico de casos de Covid. A medida se estenderia até junho daquele ano.

Leia mais na 8,9, 18 e 19

Essa notícia foi relevante pra você?
Logo O POVO Mais