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Mostra de cinema "Utopia Pertence a Nós" discute "novas possibilidades de existência"

A mostra cearense "Utopia Pertence a Nós" acontece até o dia 31 de dezembro e reúne curtas-metragens brasileiros que abordam "novas possibilidades de existência"
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Filme 'Negrum3', do paulista Diego Paulino (Foto: fotos Divulgação)
Foto: fotos Divulgação Filme 'Negrum3', do paulista Diego Paulino

A reunião, em um único espaço, de curtas-metragens brasileiros que “imaginam e propõem novas possibilidades de existência”: assim se constitui a mostra cearense “Utopia Pertence a Nós”. O projeto, fomentado pela Lei Aldir Blanc e com realização da produtora “Mar de Fogueirinha”, acontece virtualmente até o dia 31 de dezembro e está disponível em site próprio. A programação também apresenta interpretação em Libras das obras.

De acordo com Camilla Osório de Castro, curadora e produtora da "Utopia Pertence a Nós" junto com Alisson Severino, a inspiração para a mostra e para seu nome passou pelo vídeo "U de Utopia", da doutora em sociologia Sabrina Fernandes. O vídeo discute conceitos sobre o termo "utopia" e apresenta uma definição que remonta à sua etimologia grega: o prefixo "ou" com o sentido de negação e o radical "tópos" com o de lugar. Assim, "utopia" seria um não lugar, ou seja, um lugar que não existe.

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Partindo dessa visão e encarando o "não lugar" como algo que pode ser construído, foi pensado, pela curadoria, em como trazer esse debate para o audiovisual. O processo de seleção dos filmes para a mostra esteve relacionado a filmes vistos pelos próprios curadores e que, para eles, imaginam e propõem "novas possibilidades de existência".

Com as 11 produções audiovisuais escolhidas, buscou-se segmentar a mostra em sessões para proporcionar um maior "diálogo" entre as obras. Para Camilla, há filmes que "conversam e que propõem certas reflexões" quando postos em sequência e, assim, conseguem se "potencializar" em conjunto. "É uma sugestão. Quando a pessoa for assistir ao filme na plataforma, ela poderá ver na ordem que quiser. Não há impedimento, mas nós sugerimos que os filmes sejam vistos juntos", complementa.

Para contribuir com a percepção sobre a interligação das obras, em cada sessão há um texto crítico que discorre a respeito das temáticas trabalhadas pelos filmes da sessão. Assinam os textos João Gabriel Tréz, jornalista e crítico de cinema do O POVO, e Grenda Costa, também crítica.

Segundo João Gabriel, que escreveu para as sessões de abertura e 2, as obras da "Utopia Pertence A Nós" apresentam "olhares inventivos" para várias temáticas e situações, "deslocando os lugares comuns" e também sugerindo novas possibilidades. Para ele, cada filme cria um "lugar novo", seja literal ou simbolicamente. "A própria ideia da utopia, que nomeia a mostra, ressalta que é possível e preciso construir esses lugares incomuns como forma de responder às noções redutoras impostas", acrescenta.

O jornalista também comenta sobre a proposta de apresentar diálogos entre as obras presentes nas sessões. Segundo João Gabriel, ao escrever um texto sobre uma sessão busca-se trazer as "articulações" e também as diferenças que existem entre os seus filmes.Ele sugere que, até quando há apenas uma produção em uma sessão, como no caso do média-metragem "Pudesse Ser Apenas Um Enigma", existe um diálogo. "O que se constrói é quase uma abertura de caminho, um convite a ir desvendando elementos que vão perpassar os outros filmes, os outros textos críticos, o texto curatorial e a própria realização da mostra, com esse interesse por pensar não só a utopia, mas o pertencimento", conclui.

Mesmo que a "Utopia Pertence a Nós" não tenha sido imaginada inicialmente para ocorrer de forma virtual, a expectativa para a realização da mostra, segundo Camilla Osório de Castro, "é muito positiva". Ela menciona que o fato de a mostra ser promovida de forma on-line permite que pessoas de quaisquer lugares possam assistir aos filmes. "É como se a própria internet fosse um lugar, um lugar onde nós podemos nos encontrar. Perdemos o encontro na sala de cinema, que é precioso para as mostras, mas ganhamos o encontro de romper essa barreira física, então talvez a mostra possa chegar em pessoas que ela não poderia. Isso me deixa muito animada", destaca.

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A curadora e produtora aponta que a mostra também veio de um desejo de falar sobre esperança e sobre "como continuar caminhando e existindo" mesmo em meio a tantas adversidades, principalmente durante a pandemia. "Assistindo a esses filmes, eu fico com muita esperança, e eu espero que quem assista também possa sentir isso", conclui.

O filme escolhido para a abertura da mostra foi “Pudesse Ser Apenas Um Enigma”, de Jéssica Teixeira e Pedro Henrique. Segundo Jéssica, a obra é uma “desmontagem” do seu solo “E.L.A.”, espetáculo lançado em 2019 e que fala sobre questões relacionadas ao corpo. Outras “formas de estar no mundo” também são abordadas, o que acaba se conectando à proposta da mostra. Ela relata que se sente “muito grata” por sua participação e que o documentário traz a construção “de uma linguagem acessível e sensível” para todos. “Eu acredito que as nossas vozes e os nossos corpos têm que ecoar no mundo. Acho que essa mostra pertence a nós, fala muito sobre quem nós somos e no que acreditamos. Então, me sinto muito grata por estar por perto e por estar somando junto ao projeto”, comenta.

Mostra "Utopia Pertence a Nós"

Quando: até 31 de dezembro

Onde: pelo site www.utopiapertenceanos.com.br

Mais informações: perfil da mostra no Instagram

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