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A leitura como meta: dicas de leitores para criar o hábito em 2026
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Vida & Arte

A leitura como meta: dicas de leitores para criar o hábito em 2026

Com o objetivo de reduzir o tempo de tela e promover a qualidade de vida, construir o hábito de leitura tem se tornado uma meta a ser conquistada no novo ano
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Juliana Diniz (Foto: Arquivo pessoal)
Foto: Arquivo pessoal Juliana Diniz

Em um mundo conectado, possuir um momento para si é encarado como um desafio àqueles que desejam reduzir o acesso às telas. Durante a busca por entretenimento, a leitura se lança como uma das atividades de destaque e resulta em diversos benefícios à saúde mental e ao bem-estar dos praticantes.

"A leitura é um exercício. É uma prática que a gente incorpora na nossa rotina e que vai desafiar nossos limites e desejos. É uma questão de querer começar", explica Juliana Diniz, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e vice-diretora da Editora UFC, ao jornalista do O POVO Clóvis Holanda, no Programa Pause.

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Transmitido no dia 21 de novembro no canal do Youtube, o momento deu início às preparações - mentais e físicas - para o ano que começou. Na conversa em que foi proposto ir além das metas já típicas da época, Juliana Diniz esteve acompanhada de Talles Azigon - livreiro, editor e mediador de leituras.

Nomes que possuem evidência pela Capital quando o assunto é leitura, os convidados debateram sobre os incentivos e importância do hábito para o ser humano. "Acredito que seja transformador você incorporar a leitura como uma atividade diária neste mundo que está o tempo inteiro querendo fragmentar a nossa atenção, que nos pede a efemeridade do instantâneo, e a leitura é o oposto disso. Ela é um mergulho no silêncio e na intimidade", detalha Juliana, que também é escritora e articulista do O POVO.

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Relembrando ter iniciado no universo da leitura devido ao exemplo do pai, a docente afirma que a referência familiar foi essencial para se construir o gosto pelo hábito de ler. "A experiência do livro era quase que doméstica. Meu pai é um leitor assíduo e eclético, então, na infância, o livro era um objeto de consumo cotidiano e ele sempre fez o possível para me oferecer essa oportunidade", recorda.

Com uma partida diferente, Talles Azigon revela que muitos caminhos, esses também familiares, o levaram a criar afinidade com a leitura: "O fenômeno da leitura veio como uma extensão da oralidade. Minha avó gostava muito de contar histórias, ela sempre foi muito atenta. E também tinha a música. Então essas histórias e a música me deram essa paixão pelas palavras, foi quando eu descobri que os livros eram, também, uma ampliação dessa paixão".

Fundador da Livraria Substânsia, localizada no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, e da Biblioteca Comunitária Livro Livre Curió, no bairro homônimo, Talles admite que a leitura no período escolar foi definitiva para a consolidação do hábito.

Mediador de leituras por diversos espaços em Fortaleza, ele celebra a presença de pessoas de idades variadas que têm se tornado leitores. "É impressionante o número de pessoas mais velhas que possuem tempo livre e o ocupam lendo. E isso tem sido uma prática muito recorrente. A leitura é importantíssima dentro da saúde mental. Quando a gente para e aborda por essa perspectiva, na qual mais leitura é mais sanidade, saúde e autocuidado, eu acredito que seja um aliado para convidar essas pessoas".

Leitura e as redes sociais

Também atuantes nas redes sociais, Juliana e Talles reconhecem os desafios em manter uma rotina firme para a leitura. "É uma luta diária, pois nossa atenção fica dividida. Meu trabalho de divulgação na rede social é para o assunto que trato na universidade, considero importante estar lá para esse propósito. Mas quando preciso estudar, eu conto com rituais de organização, deixando o celular longe e criando um ambiente de silêncio e concentração", revela a professora.

Juliana, então, argumenta: "Quando você consegue, de fato, passar algum tempo lendo um livro, isso descansa a mente. Talvez a leitura hoje seja uma das poucas atividades que não envolve telas, que não há propagandas, e isso gera uma concentração, fortalece o nosso foco, e no mundo que a gente vive hoje, tudo isso é um descanso".

E Talles vai além: "O poder transformador da leitura nem sempre é explícito. Você não percebe, mas aos poucos está se comunicando melhor, escrevendo de forma aprimorada e o pensamento está funcionando melhor. É impressionante como isso tem um impacto no que é mais corriqueiro". O escritor cita que, com a construção da Livro Livre Curió, fundada há sete anos, ele notou o desenvolvimento de crianças e adolescentes que frequentavam a biblioteca comunitária. "Eles cresceram, estão na universidade, são artistas, comunicadores…", lista.

Na busca de retomar a leitura, clubes e grupos se popularizaram e ganharam gosto de boa parte da população. Talles Azigon explica que o espaço em conjunto, principalmente quando se há uma leitura mediada, faz com que o "peso da obrigação" de ter que ler seja retirado.

Juliana Diniz reforça que esses ambientes coletivos são experiências gratificantes. "A leitura geralmente é uma atividade muito solitária, silenciosa, e isso pode ser um obstáculo para algumas pessoas. Então, esses clubes são espaços de reunião de pessoas com os mesmos interesses, um momento amigável de encontro, conforto e diálogo. Além de favorecer o desenvolvimento do exercício diário da leitura".

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Dicas de livros

Talles Azigon

  • Para ler: "Cabeça de santo", de Socorro Acioli, e "A mulher das cavernas", de Lia Sanders
  • Livro que mudou a vida: "Estrela da vida inteira", de Manuel Bandeira
  • Para rir: "Comédias vida privada", de Luis Fernando Verissimo
  • Para chorar: "Crônicas de uma morte anunciada", de Gabriel García Márquez
  • Para quando estiver apaixonado: "A faca no peito", de Adélia Prado
  • Para entender o Brasil: "Poesias de retalho", de Kieza Fran
  • Autores para ficar de olho: Kinaya Black, Adelaide Ivánova e Nina Rizzi

Juliana Diniz

  • Para ler: "Vendedor de esperança", de Antônio Sales, e as crônicas de Rubem Braga
  • Livro que mudou a vida: "Um Amor Conquistado: O Mito do Amor Materno", de Elisabeth Badinter
  • Para rir: "Dona Flor e seus dois maridos", de Jorge Amado
  • Para chorar: "A trégua", de Mario Benedetti
  • Para quando estiver apaixonado: "De amor tenho vivido", de Hilda Hilst
  • Para entender o Brasil: "Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil", de Sueli Carneiro
  • Autores para ficar de olho: Stênio Gardel e Edyr Augusto
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