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No rumo do Oscar, Rose Byrne fala sobre encarar a maternidade
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Vida & Arte

No rumo do Oscar, Rose Byrne fala sobre encarar a maternidade

Em entrevista ao O POVO, atriz fala sobre a dificuldade de interpretar uma mãe obrigada a atravessar desafios sozinha em "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria"
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Rose Byrne em If I Had Legs I’d Kick You / Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria (Foto: STILL DO FILME
Foto: STILL DO FILME "SE EU TIVESSE PERNAS, EU TE CHUTARIA"/A24/DIVULGAÇÃO Rose Byrne em If I Had Legs I’d Kick You / Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

Quando venceu o prêmio principal de atuação no 75º Festival de Berlim, ainda em fevereiro de 2025, parecia muito incerto para o mercado internacional que Rose Byrne fosse resistir ao movimento das premiações americanas que só começam no segundo semestre. Quase um ano depois, porém, Byrne se tornou uma febre entre as associações críticas dos EUA, sendo alçada a uma vaga súbita nas apostas para o Oscar de Melhor Atriz.

No rumo do Oscar, Rose Byrne fala sobre encarar o terror da maternidade

Em "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria", segundo filme dirigido por Mary Bronstein, Linda está no limite da sua sustentação do mundo. Tendo que lidar com a doença da filha que requer atenção 24 horas, ela se vê abandonada por todos ao seu redor, incluindo o marido e seu terapeuta que não entende a gravidade da situação.

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"Quando vi o filme pronto, ele pareceu mais sufocante do que a experiência que eu tive no set", conta Rose Byrne em entrevista ao O POVO. Ao longo de quase duas horas, a câmera raramente sai do seu rosto, fazendo com que a plateia julgue como ameaça qualquer pessoa que se aproxime, quer ela queira ajudar ou atrapalhar a protagonista. O filme estreou em Fortaleza nesta quinta-feira, 8.

Confira a entrevista completa:

O POVO - Rose, você venceu o prêmio de melhor performance no Festival de Berlim em fevereiro de 2025 e, agora, quase um ano depois, seu trabalho continua sendo celebrado. Você esperava que um papel provocativo fosse tão bem recebido?

Rose Byrne - Ah, meu Deus, não. Quero dizer, eu desisti de tentar esperar qualquer coisa há muito tempo (risos). Esse meio é extremamente imprevisível, você nunca sabe como as coisas vão ser recebidas. Então eu nunca consigo antecipar isso e já parei de tentar.

O que eu posso dizer é que, quando vi o filme, achei que a Mary Bronstein (roteiro e direção) tinha feito algo realmente extraordinário e original, uma experiência que é bastante rara de se ter no cinema. Eu tenho muito orgulho de estar nesse filme. A personagem é o filme, e o filme é a personagem. Então foi realmente uma experiência colaborativa entre mim e a Mary.

O POVO - Esse papel te levou a acessar emoções ou experiências que você ainda não tinha explorado?

Rose - Me exigiu muito. Nossa, sim. Foi uma oportunidade criativa única na vida. Me desafiou tecnicamente com a câmera muito próxima do meu rosto. Era como andar numa corda bamba: equilibrar humor e uma tragédia muito real ao mesmo tempo. O tom inteiro era esse equilíbrio delicado. E, como atriz, você sabe que é uma oportunidade que talvez você tenha ou talvez nunca mais tenha. Então eu só senti que não queria, sabe, estragar tudo.

O POVO - Pela carga dramática e o tema delicado da maternidade, tem havido muita discussão sobre o filme também ser visto como uma comédia, categoria na qual está indicado no Globo de Ouro. Como você enxerga isso?

Rose - O roteiro já me fez rir imediatamente quando eu li. Por exemplo, o hamster no filme é descrito como o Jack Nicholson em "O Iluminado", tentando atravessar a parede. É um roteiro muito bem-humorado. Nós sempre buscávamos encontrar o humor nas cenas. Se fosse demais, ficaria inverossímil; se fosse pouco, você perderia o público. Era esse equilíbrio constante o tempo todo.

O filme funciona como um prisma porque ele reflete muito o público. Em Toronto, por exemplo, tinha um público mais universitário e o filme foi visto quase como um terror, com gritos, tipo "oh, não!". Já no festival de Nova York, foi encarado como uma comédia sofisticada porque as pessoas riam imediatamente, sabiam que tinham permissão para rir. Em Berlim, foi uma recepção muito cerebral, muito séria, bem alemã. Então eu acho que o filme é como um truque de mágica: ele reflete de volta aquilo que o público encontra nele.

O POVO - Um aspecto marcante da direção é que você aparece quase sempre sozinha em cena, e mal temos uma visão clara dos outros personagens. Como foi a experiência no set, com a câmera sempre em você?

Rose - Foi curioso, porque fazer um filme é o máximo de colaboração possível. Você depende do elenco, da equipe, todo mundo precisa estar fazendo seu trabalho para que aquilo funcione entre o "ação" e o "corta". Mas aquele momento é meu. Ninguém pode tirar isso. É o meu espaço para estar ali, para existir dentro da cena. Eu senti o que ela estava fazendo com a história e com a linguagem cinematográfica. Quando vi o filme pronto, ele pareceu mais sufocante do que a experiência que eu tive no set. Porque, na verdade, a filmagem foi cheia de adrenalina. Foi como um trem desgovernado. E, nesse estado de adrenalina, você fica ao mesmo tempo hiper consciente e extremamente focada. Filmamos tudo em 27 dias, com pouquíssimo dinheiro, e era um trem que simplesmente não parava.

 

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