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Novo selo aprofunda produção musical de Fortaleza com lançamento de disco criado por dez artistas
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Novo selo aprofunda produção musical de Fortaleza com lançamento de disco criado por dez artistas

Disco inédito reúne 10 artistas de diferentes regiões de Fortaleza e tem show de lançamento gratuito neste fim de semana
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Ayla Lemos participa do projeto
Foto: Murilo Paz/Divulgação Ayla Lemos participa do projeto "Sons de Fortal - O Fino da Cidade", do Centro Cultural Belchior (CCBel)

Em uma faixa, neosoul. Em outra, funk pop. Há espaço também para pagode, MPB, rap e R&B. Essas sonoridades preenchem o álbum inédito "Sons de Fortal - O Fino da Cidade", que reúne dez artistas de diferentes bairros de Fortaleza.

Mumutante (Serrinha), Caiô (Benfica), Rosabeatz (Padre Andrade), Otto Nascimentu (Pirambu), Mateus Honori (Jangurussu), Batuta (Conjunto Palmeiras), Ayla Lemos (Messejana), Dipas (Pio XII), Joana Lima (Quintino Cunha) e Zabeli (Jardim Iracema) participam.

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O trabalho é disponibilizado nas plataformas de música nesta sexta-feira, 9. O show de lançamento do disco, com abertura do DJ Nego Célio, ocorre no sábado, 10, no Anfiteatro da Beira Mar. O "Sons de Fortal" teve produção musical de nomes como Daniel Ganjaman, Agê, Marcus Au, Ednobeat, Felipe Couto e Glauber Alves.

O álbum é resultado do projeto "O Sonho e o Som", do Centro Cultural Belchior (CCBel), a partir de uma imersão criativa de quatro meses. Os dez artistas participaram de consultorias em gestão de carreira, comunicação e em todas as etapas da produção musical: gravação, edição, mixagem e masterização, além de uma oficina com distribuidora especializada.

Ao final do processo, cada participante produziu três músicas autorais. Cada artista assina uma faixa do disco. O lançamento tem a proposta de fortalecer a cena musical de Fortaleza de maneira descentralizada.

Disco é lançado por novo selo musical

Esta é a estreia do selo musical Iracema Sounds, do Instituto Cultural Iracema (ICI). O selo nasce com uma reflexão em mente: como pensar a distribuição de trabalhos sonoros de artistas de Fortaleza? Apresentada por Fernanda Matias, diretora do CCBel, a dúvida foi força motriz para a consolidação da iniciativa.

"O projeto pode seguir, mas o que desenvolvemos ao longo desses meses fica. Muitos desses artistas lançarão seus projetos solos em 2026. Foi um processo imersivo e criativo. O conhecimento fica para que posteriormente esses músicos lancem seus trabalhos - e muitos deles vão. Acho que o 'Sonho e o Som - Sons de Fortal', e principalmente o Iracema Sounds, vêm com o intuito de profissionalização da cena musical de Fortaleza", declara.

Segundo a diretora, a gestão do CCBel percebeu a importância de pensar um projeto musical para abarcar gravação, edição, mixagem, masterização, comunicação e carreira, porque "a cena é potente" e muitos artistas produzem suas músicas em estúdios em casa. Era importante, então, política pública para aprimorar essa cena.

Um dos nomes presentes no álbum é o do cantor, compositor, palhaço e ator Batuta. Ele apresenta a faixa "Molotov", música que mistura cumbia, MPB e energia urbana "em um protesto dançante e político". A canção foi produzida por Glauber Alves.

Nascido no Pirambu, ele representa no álbum coletivo o Conjunto Palmeiras (regional 9), no Grande Jangurussu - onde mora hoje. "Sempre recorro às memórias de bairro, de cultura, de vida, de periferia, sendo também alguém que cruzou a Cidade, que nasceu na beira da praia e agora mora quase fora do município", enfatiza.

"Molotov" é apenas um dos lançamentos de Batuta previstos para este ano, mas o "Sons do Fortal" ocupa lugar relevante: "Para mim, participar desse projeto significa conquista de uma das diversas etapas do dia a dia de botar arte no mundo, de sobreviver dela, de fazer arte autoral e engajada politicamente como venho fazendo. É a sensação de conquista de mais visibilidade, alcance e validação, necessárias para alcançarmos público maior".

Identidade coletiva

O cantor, produtor musical, compositor e DJ Rosabeatz tem pensamento semelhante ao de Batuta. Para ele, a construção do álbum coletivo resulta em trocas de experiências e aprendizados importantes, mas também na reafirmação do que é produzido na capital cearense.

"Isso engrandece a nossa música e a nossa produção. A forma como produzimos as nossas músicas já é muito boa, só precisa ser potencializada e profissionalizada. Isso tem que ser expandido", defende. Sua música inédita é "Sou o que Sou". A faixa tem sonoridade pop eletrônica vibrante, dançante e expansiva, "que celebra liberdade e movimento".

A canção é fruto de trilha sonora desenvolvida para um desfile do estilista cearense David Lee, com referências ao funk melody de MC Marcinho. Ela acaba tendo conexão com a moda, de certa maneira, e foi produzida por Daniel Ganjaman.

Para Ganjaman, a cena cearense chama a atenção pela diversidade e por sua identidade. Agrupar coletivo de artistas em um projeto dá força para outros, em sua avaliação: "O grande intuito da coletânea é promover intercâmbio dos públicos e da forma com as quais eles se identificam com um artista. Coletivamente, ganha sempre força" (colaborou Júlia Vasconcelos/Especial para O POVO).

Artistas participantes e suas músicas

Mumutante (feat. Agê) — "Maré"

Caiô — "Black Bonnie e Clyde"

B4tut4 — "Molotov"

Zabeli — "Caos"

Otto Nascimentu — "Corpo Nu"

Ayla Lemos — "São Sebastião"

Mateus Honori — "Luar"

Joana Lima — "É Tudo Sobre Você"

Dipas — "Boboquei"

Rosabeatz— "Sou O Que
Sou (SOQS)"

Show "Sons de Fortal - O Fino da Cidade"

Quando: lançamento
sexta-feira, 9

Onde: plataformas digitais de música

Show Sons de Fortal - O Fino da Cidade

Quando: sábado, 10, às 17 horas
Onde: Anfiteatro da Beira Mar (av. Beira Mar, 3620 - Meireles)
Gratuito

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