Logo O POVO+
Pão de queijo: a iguaria mineira que ganhou o Brasil
Comentar
Vida & Arte

Pão de queijo: a iguaria mineira que ganhou o Brasil

O pão de queijo típico de Minas Gerais conquistou o Brasil com sabor tradicional e diferentes formas de servir
Edição Impressa
Tipo Notícia Por
Comentar
Pão de queijo produzido pela empreendedora Keila Aragão, que comercializa o produto na versão congelada
 (Foto: FOTOS AURÉLIO ALVES)
Foto: FOTOS AURÉLIO ALVES Pão de queijo produzido pela empreendedora Keila Aragão, que comercializa o produto na versão congelada

Um pão quentinho, de textura elástica, recheado com queijo e, muitas vezes, acompanhado de uma xícara de café. Essa é a junção que caracteriza a tradicional iguaria mineira que ganhou o Brasil com seu carisma - ou, nas palavras da chef de cozinha Andreza Martins, é a fórmula do sucesso. Para ela, a receita alia praticidade e cultura; não haveria como não ser tão popular no País inteiro.

INSTAGRAM | Confira noticias, críticas e outros conteúdos no @vidaearteopovo

“É rápido de fazer, acessível, até quem não sabe cozinhar muito bem consegue preparar em casa. Ao mesmo tempo, é culturalmente riquíssimo. Ele carrega a mandioca, que é talvez o nosso insumo mais amado e um dos pilares da cultura alimentar brasileira”, diz Andreza Martins, ressaltando também o queijo como uma paixão mundial.

Parte da identidade de Minas Gerais, conforme o gastrônomo e historiador Roberto Araújo, o pão de queijo faz parte do segundo ciclo econômico do estado. Ainda no período do Brasil Colônia, com o declínio da mineração como principal aporte da economia mineira, agricultura e pecuária desenvolveram-se e culminaram na produção de “comida de quitanda”, como é o caso do pão de queijo.

Cartografia do Lazer: Um roteiro de diversão e compras por Fortaleza

Roberto Araújo explica que a farinha de trigo só passou a ser mais acessível na segunda metade do século XIX. Portanto, para produzir os alimentos de quitanda, cozinheiras escravizadas substituíam os ingredientes e adaptavam os quitutes, lançando mão das receitas trazidas pelos colonizadores europeus e também de seus conhecimentos e heranças culturais.

“Nessa cozinha doméstica das fazendas produzia-se um pequeno pão, onde a farinha de trigo era substituída pelo polvilho de mandioca, tendo um bom resultado. Como nestas fazendas havia também a produção de queijo, buscando aproveitar aqueles restos, aquelas aparas que ficavam após a produção do queijo, eles se unem, fazendo pequenas bolinhas que eram assadas ao forno”, explica o gastrônomo e historiador.

Do século XVIII para cá, a iguaria caiu nas graças do Brasil inteiro. “Ligado muito diretamente aos momentos de formação e de desenvolvimento de identidades locais, regionais e nacionais”, como afirma Roberto Araújo, seu fabrico e consumo tem sido perpetuado por gerações. Conceituada como “comida de conforto” pelo aspecto caseiro, a iguaria está “diretamente relacionada aos nossos afetos, às nossas vivências, às nossas tradições”.

Onde encontrar pão de queijo em Fortaleza

Pão de queijo Keila Aragão

  • O que: pão de queijo tradicional e recheado em pacotes de 10 unidades
  • Horário de funcionamento: segunda a sexta, de 9h às 18 horas
  • Quanto: a partir de R$ 34,99
  • Pedidos via WhatsApp: (85) 8817-8353
  • Instagram: @paodequeijokeilaaragao

Meu Pãozinho

  • O que: pão de queijo tradicional e recheado em pacotes de 10 unidades
  • Horário de funcionamento: segunda-feira a sexta-feira, de 8h às 18 horas
  • Pedidos via WhatsApp: 85 9627-9657
  • Quanto: a partir de R$ 14
  • Instagram: @meupaozinho

Stilo Mineiro

  • O que: pão de queijo com calda de goiabada
  • Onde: Av. Manoel Mavignier, 4131 - Lagoa Redonda
  • Horário de funcionamento: quarta-feira a domingo das 10h às 18h (entrada até às 17 horas)
  • Quanto: R$ 14,90
  • Instagram: @stilomineiro

Empório Diminas

  • O que: pães de queijo tradicional, alho poró e lombo suíno
  • Horário de funcionamento: segunda-feira a sexta-feira, de 9h às 18h30min, e sábado, de 9h às 16 horas
  • Onde: rua Francisco Xerez, 101 - Guararapes, Loja 05 e av: Washington Soares, 3000 - Reserva Mall
  • Quanto: a partir de R$ 5
  • Pedidos via WhatsApp: 85 99950 2347
  • Instagram: @emporiodiminasuai

 

Pão de queijo no Ceará

Natural de Brasília, Keila Aragão cresceu com o pão de queijo inserido na cultura alimentar. "Entre Minas e Goiás existe uma guerra por quem faz o melhor pão de queijo. Esses dois estados têm essa cultura do pão de queijo todos os dias, em todas as refeições praticamente. Em Brasília não é diferente. A gente acolheu e pegou essa cultura de comer pão de queijo todos os dias", conta a empreendedora.

"Como é que eu vou comer pão de queijo aqui?", preocupou-se Keila ao chegar em Fortaleza em 2015. Assim, ela decidiu fazer a receita que sabia desde a infância. Porém, encontrou uma dificuldade para reproduzir a mistura: o queijo coalho.

Apontado pelo gastrônomo Roberto Araújo como um dos diferenciais do pão de queijo produzido no Ceará, o ingrediente entra na receita como uma adaptação ligada à cultura alimentar do Estado. Keila Aragão, entretanto, estava em busca do queijo curado e maturado - um tipo firme, mais amarelo e, diferente do coalho, sem soro.

Ela, então, começou uma saga no encalço de queijos para submetê-los a um processo de maturação que aprendeu com o pai. Depois de várias tentativas falhas, achou um "queijo coalho na proporção e na medida certa que aceitasse a maturação".

O sucesso da receita se vê no seu negócio, iniciado em 2021 a partir do incentivo dos amigos que provaram a iguaria. Hoje, o que mantém a padeira na capital cearense são os pães, fabricados em diferentes sabores. Afinal, com o tempo, o prato ganhou novas formas de apresentação.

Segundo a chef Andreza Martins, o pão de queijo pode ser recheado com carne de porco, camarão, frango - e virar um sanduíche - embora o queijo continue sendo um dos principais ingredientes e responsáveis por fazer do produto um clássico da culinária nacional.

"Hoje já existe uma cena muito interessante de queijos maturados cearenses, feitos por pequenos produtores, que trazem notas mais intensas, salinidade marcada e sabores que dialogam diretamente com o nosso clima e com o nosso território", declara a chef Andreza Martins. Para ela, quando esses queijos são incluídos, a identidade cearense é impressa na iguaria.

 

Na Inglaterra tem lobster roll, aqui tem pão de queijo com salada fria de camarão

A chef Andreza Martins ensina uma receita de pão de queijo com um toque diferencial de constraste de temperaturas, sabor e texturas para você reproduzir em casa.

Ingredientes:

  • 500g de polvilho azedo;
  • 250ml de leite integral;
  • 125ml de água;
  • 125ml de óleo;
  • 2 ovos;
  • 250 a 300 g de queijo meia-cura ralado grosso (você pode adaptar para queijos maturados cearenses, como os queijos da queijaria Dona Vita ou Queijo do Tonho);
  • Sal a gosto (geralmente pouco, por causa do queijo).

Modo de preparo:

  • Escalde o polvilho;
  • Coloque o polvilho em uma tigela grande;
  • Leve ao fogo o leite, a água, o óleo e o sal;
  • Quando ferver, despeje tudo de uma vez sobre o polvilho;
  • Mexa com uma colher ou espátula até formar uma massa homogênea;
  • Espere amornar. Esse tempo é importante para não cozinhar os ovos depois;
  • Adicione os ovos. Incorpore um a um, misturando bem até a massa ficar lisa, brilhante e elástica;
  • Misture o queijo ralado;
  • A massa deve ficar pegajosa, mas moldável com as mãos untadas.

Modelar:

  • Faça bolinhas médias, mas generosas;
  • Assar em forno preaquecido a 180-200 °C;
  • Asse por 25 a 35 minutos, até crescer, dourar e criar crosta.

Para acompanhar: salada fria de camarão (rendimento: 3 a 4 pães de queijo médios)

Ingredientes da salada:

  • 300g de camarão médio cru, descascado e limpo
  • 30g de manteiga
  • 60g de maionese caseira
  • 20g de iogurte natural integral ou creme de leite fresco
  • 5ml de suco de limão (ajustar a gosto)
  • Sal a gosto
  • Pimenta-do-reino branca a gosto
  • 2,5g de mostarda suave (opcional)
  • 20g de cebola roxa picada fina
  • 7g a 8g de cebolinha fatiada
  • 2g a 3g de coentro

Modo de preparo:

  • Cozimento do camarão
  • Tempere levemente os camarões com sal
  • Aqueça uma frigideira larga, adicione a manteiga e, quando estiver espumando, salteie os camarões por 1 a 2 minutos, apenas até ficarem rosados
  • Retire imediatamente da frigideira e deixe esfriar completamente
  • Depois, pique em pedaços médios e reserve sob refrigeração

Base cremosa:

  • Em uma tigela, misture a maionese, o iogurte (ou creme de leite fresco), o suco de limão, a mostarda (se usar), sal e pimenta-do-reino branca até obter um creme homogêneo.

Finalização:

  • Incorpore ao creme o camarão frio, a cebola roxa, a cebolinha e o coentro;
  • Misture delicadamente para não quebrar os camarões;
  • Ajuste o sal, a pimenta e a acidez, se necessário;
  • Leve à geladeira por 20 a 30 minutos antes de servir, para ganhar liga e equilíbrio.
O que você achou desse conteúdo?