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Pré-Carnaval de Fortaleza coloca a rainha do rock na rua
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Reportagem Especial

Pré-Carnaval de Fortaleza coloca a rainha do rock na rua

"Desbaratina, não dá pra ficar imune". A jornalista, produtora cultural e cantora Joanice Sampaio conta sobre a experiência de levar para a rua o bloco Lança Perfume, que homenageia Rita Lee

Pré-Carnaval de Fortaleza coloca a rainha do rock na rua

"Desbaratina, não dá pra ficar imune". A jornalista, produtora cultural e cantora Joanice Sampaio conta sobre a experiência de levar para a rua o bloco Lança Perfume, que homenageia Rita Lee
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Quando o sol começou a baixar na Praia de Iracema no décimo dia de 2026, uma voz puxou o coro que atravessa gerações: Rita Lee estava de volta. Não como saudade ou disco empoeirado, mas anunciando que já é Carnaval em Fortaleza.

Joanice Sampaio, idealizadora do Bloco Lança Perfume, fã da cantora Rita Lee (Foto: FERNANDA BARROS)
Foto: FERNANDA BARROS Joanice Sampaio, idealizadora do Bloco Lança Perfume, fã da cantora Rita Lee

Sob o cheiro da maresia e banhado de glitter, o Bloco Lança Perfume – Carnavalizando Rita Lee estreou naquele fim de tarde no Bar do Mincharia.

Idealizado por Joanice Sampaio, jornalista, produtora cultural e cantora que há mais de uma década se dedica à obra da artista, o bloco surge como desdobramento de uma relação antiga, quase íntima, com a rainha do rock brasileiro.

“Desde criança que eu curto. Via na televisão; na escola que estudei no meu bairro, colocavam sempre para tocar; nas minhas pesquisas sobre música; em tudo. Ela é uma referência”, resume a vocalista do grupo.

A “irreverência” e a “fina ironia” de Rita inspiraram a criação da banda Jardim Suspenso em tributo à artista. Dezesseis anos depois, entre marchinhas, rock, samba e psicodelia, o repertório agora convida a "desbaratinar" também nesta época do ano, afinal, "não dá pra ficar imune" ao Carnaval. Confira a entrevista.

 

 

O POVO — Como e quando nasceu o Bloco Lança Perfume – Carnavalizando Rita Lee?

Joanice — Em 2010, criei a banda Jardim Suspenso para fazer tributo à Rita Lee. Já são 16 anos de estrada sendo referência aqui em Fortaleza quando o assunto é ela. No meio desse tempo, há uns dez anos veio a ideia de carnavalizar esse repertório, levar para o Carnaval. O tempo foi passando, fui maturando a ideia e, agora, no final de novembro, conversando com o produtor cultural Franciscus Galba, falei a respeito dessa vontade. Ele adorou a ideia e resolveu juntar força comigo para que saísse do campo das ideias e fosse concretizado.

OP — Por que Rita Lee? Qual sua relação com a rainha do rock brasileiro?

Joanice —Desde criança que eu curto. Via na televisão; na escola que estudei no meu bairro, colocavam sempre para tocar; nas minhas pesquisas sobre música; em tudo. Ela é uma referência musical, sempre gostei muito. É uma figura que é impossível de a gente definir. Tanto protagonismo e pioneirismo. Eu sempre tive banda em colégio, essa coisa toda, e eu passei um bom tempo longe de música. E, aí, em 2009, resolvi voltar. Era uma época que aqui na Cidade estava tendo esse movimento de banda tributo, tinha ao Legião Urbana, aos Beatles, outros tantos. Por que não fazer da Rita Lee?

Em 2010, Joanice Sampaio criou a banda Jardim Suspenso para fazer tributo à Rita Lee. Diz que o grupo é referência em Fortaleza quando o assunto é Rita Lee(Foto: FERNANDA BARROS)
Foto: FERNANDA BARROS Em 2010, Joanice Sampaio criou a banda Jardim Suspenso para fazer tributo à Rita Lee. Diz que o grupo é referência em Fortaleza quando o assunto é Rita Lee

OP — O que te move pessoalmente ao fazer esse bloco existir?

Joanice — O amor à música, fazer música, estar no palco com a banda, estar junto das pessoas que vão pra curtir, se divertir.

OP — Além de você e de Galba, quem mais compõe o bloco?

Joanice — Na banda são cinco componentes: Joanice Sampaio (idealizadora do bloco e vocal da banda Jardim Suspenso), Danilo Gurgel (teclados), Pedro Carvalho (bateria), Pedro de Farias (guitarra) e Franciscus Galba (produção).

Tivemos as participações de Laura Guedes (baixo) e Sérgio Nunes (guitarra) e o apoio de Linhares Júnior (identidade visual) e de Jack de Carvalho (material de divulgação). No mais, o público que for é quem comporá o bloco.

Joanice Sampaio conta que levar o bloco Lança Perfume à Praia de Iracema é porque se trata de um reduto cultural e simbólico da Cidade(Foto: FERNANDA BARROS)
Foto: FERNANDA BARROS Joanice Sampaio conta que levar o bloco Lança Perfume à Praia de Iracema é porque se trata de um reduto cultural e simbólico da Cidade

OP — Como vocês fazem para reunir todo mundo e ensaiar?

Joanice — Assim, todo mundo é CLT. Além do seu trabalho do dia a dia, a maior parte do pessoal toca com outras pessoas. Então, é buscar sempre conciliar aí os compromissos. São vários telefonemas, vários WhatsApp, até dá certo, mas sempre acaba dando certo.

Quando não dá para um, a gente vai para um substituto, como aconteceu com o Serginho. Na verdade, ele não faz parte da banda, mas ele é um músico muito experiente. O guitarrista da gente mesmo é o Pedro de Farias, que está comigo desde o início, e ele ia para Portugal, mas acabou não indo. A mãe dele adoeceu, e ele teve que ficar cuidando dela. E, aí, foi o Sérgio que salvou a pátria.

OP — A primeira apresentação foi no começo deste mês, dia 10 de janeiro, no Bar do Mincharia. Por que escolheram esse espaço para a estreia? E como foi a experiência? Como foi a recepção do público?

Joanice — O intuito a princípio foi lançar e dizer: "aqui estamos nós!". Gerar um material para que possamos captar parcerias e, claro, apresentações. A ideia do local foi uma sugestão do Galba, que realiza uma programação no local na época do Pré-Carnaval para crianças com deficiência. É um trabalho de ação social, inclusivo. Também gosto do lugar. A Praia de Iracema é um reduto cultural e simbólico da Cidade. A experiência para todos foi maravilhosa, pois fizemos no final da tarde, aquele cenário lindo, acolhedor. A recepção foi para lá de boa.


 

OP — O que da figura e da obra de Rita Lee dialoga com o Carnaval? Existe alguma música ou fase da carreira dela que resume melhor o espírito do bloco?

Joanice — A irreverência, a energia, a inteligência, a fina ironia. Musicalmente, a obra de Rita também é carnaval, é diversidade. Ela também compôs marchinha e samba. No meio de tantas músicas maravilhosas, marcantes para tantas pessoas, é difícil dizer qual, mas fico com Lança Perfume.

OP — Em meio a essa irreverência, o bloco também é um espaço de afirmação política ou cultural? Em que sentido?

Joanice — Não deixa de ser. É buscar levar cultura para as pessoas, é a difusão de uma obra riquíssima da música brasileira. É também o protagonismo feminino, entre outras representatividades da obra de Rita Lee.

Joanice Sampaio conta que levar o bloco Lança Perfume à Praia de Iracema é porque se trata de um reduto cultural e simbólico da Cidade Aos puristas, Joanice Sampaio diz que, musicalmente, a obra de Rita também é carnaval, é diversidade(Foto: FERNANDA BARROS)
Foto: FERNANDA BARROS Joanice Sampaio conta que levar o bloco Lança Perfume à Praia de Iracema é porque se trata de um reduto cultural e simbólico da Cidade Aos puristas, Joanice Sampaio diz que, musicalmente, a obra de Rita também é carnaval, é diversidade

OP — Se a Rita Lee estivesse na rua com o bloco hoje, como você imagina que ela reagiria? E que mensagens o bloco busca levar para o público?

Joanice— Já vi um vídeo em que ela dizia que para fazer música primeiramente a gente tem de se divertir. Acredito que ela abençoaria e diria: "lança, lança perfume!". E as mensagens são justamente essas: música, diversão, paz, alegria, respeito.

OP — O que o público pode esperar do bloco neste Carnaval? E nos próximos anos?

Joanice — A princípio foi o lançamento, foi produção de material, foi sentir o que funciona, o que não funciona para ajustar nas próximas. O que se quer é estar na programação do Carnaval de Fortaleza. A gente não podia tentar o edital do Carnaval, porque a gente não tinha prova de Carnaval, e agora a gente tem. E aí, como já estava o tempo passando, porque, assim, uma vez um colega meu disse: "Vai para o estúdio, grava essas músicas e tenta o edital", mas só que não, vamos fazer uma coisa realmente valendo. Então, a gente conseguiu lá o Mincharia. Graças a Deus, deu certo. Com relação a outras datas, a gente está aberto à casa e ao evento que quiser nos levar. Estamos aqui.

 

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