A família Diógenes povoou o Vale do Jaguaribe desde o fim do século XVII. Travou embates com os indígenas que habitavam a região. Desde então, está presente nas disputas de poder no Ceará. Tem deputados desde a época do império. Osmar Maia Diógenes é a oitava geração.
Ele viveu e documentou as formas de fazer política, as negociações e os acordos, como o que firmou com Diógenes Nogueira. O parente já tinha sido o deputado do clã e a família queria impedir Osmar de disputar e dividir os votos. Mas, Osmar conseguiu legenda. A saída foi um trato político. "Nós fizemos, em família, um acordo de coronéis". Osmar teria os votos do lado direito do rio Jaguaribe e Nogueira, do outro lado do rio. "Fizemos um acordo para nenhum entrar na área do outro e se defender de possíveis candidatos que entrassem". Resultado: os dois foram eleitos.
Diógenes conta ainda sobre quando testemunhou o vice-governador se recusar a assumir o governo, logo após o golpe de 1964, quando havia intenção de empossá-lo no lugar de Virgílio Távora, próximo ao presidente deposto João Goulart. E ainda quando estava presente na tumultuada eleição para presidente da Assembleia Legislativa, na qual Murilo Aguiar passou mal e morreu ao ter anunciada a controversa derrota.
Além dos mandatos de deputado estadual entre a ditadura e o início da redemocratização, exerceu também funções no Governo do Estado, inclusive na articulação política, onde testemunhou como as tratativas paralelas, fora do Palácio, minaram a reeleição de Lúcio Alcântara (2003-2006) como governador, quando Cid Gomes (PSB) foi eleito.
Antes da política, teve carreira no Banco do Brasil, estudou filosofia, participou do movimento estudantil no Liceu do Ceará — na época em que PSD e UDN se digladiavam. Passou também pelo jornalismo e trabalhou nos jornais O Estado, Tribuna do Ceará e Jornal do Brasil. É ainda membro da maçonaria.
Osmar Diógenes foi idealizador e presidente do Memorial da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará Deputado Pontes Neto (Malce), onde se dedicou ao registro da história do parlamento cearense, parte da qual foi testemunha privilegiada.
OP - Desde quando os Diógenes estão envolvidos na política?
Osmar - Meu ascendente mais antigo que eu levantei a biografia é de 1693. Minha família povoou o Médio Jaguaribe, tanto a materna como a paterna. Nós sempre tivemos atividade política no Ceará. Político-administrativa. O meu bisavô paterno foi deputado do Império. Meu avô e meu pai, todos tiveram atividade pública. Meu bisavô, que foi deputado, era tabelião. Tinha um cartório, instalado em 1878.
OP - Qual o nome dele?
Osmar - Raimundo Carlos da Silva Peixoto. Ele chegou ao Seminário de Olinda e não chegou a terminar o curso. Preferiu a carreira civil, deixou deixou a atividade religiosa. Ele era rábula. E desde então ele participou da vida política do Ceará. E a família sempre teve representação na Assembleia Legislativa desde então, desde a Assembleia Provincial. A nossa primeira Assembleia (na República) foi um conselho provincial, em 1889. Em 1894, transformou-se em Assembleia Provincial. E desde então a família tem representantes na Assembleia. Vários deputados estaduais da família. Eu fiquei na Assembleia esse tempo todo. Eu deixando o mandato, eu fui para cargos públicos. E fui convidado na época para instalar o Museu do Ceará, mas eu já tinha uma certa inclinação pela história do Ceará. Todas as vezes que meu avô materno me levava ao sertão, para as fazendas que ele tinha lá, eu conversava muito com os velhos, com as pessoas que sabiam a história, na população do Médio Jaguaribe eu tive essa inclinação. E aí comecei a juntar pesquisas, informações, dados, livros até me transformar., realmente, eu não diria escritor, mas fiz muitos livros sobre a história do Ceará, do Legislativo.
OP - O senhor falou de familiar em 1693 no Médio Jaguaribe?
Osmar - Em 1693, desembarcou no porto do Aracati Domingos Paes Botão. Vinha do (rio) São Francisco. Eram chamados os homens do São Francisco, que receberam sesmarias no Ceará e vieram cultivar, vieram habitar, explorar. E ele subiu o rio Jaguaribe, pelo curso do rio, e instalou-se onde está mais ou menos o açude Castanhão. Eles instalaram-se pela primeira vez ali. E chegaram a deter o domínio de 17 sesmarias. Eram porções de terra que a monarquia doava em caráter definitivo a quem fosse explorar. A família se instalou lá nessa época. Trouxe a parentela do São Francisco e se instalaram no médio Jaraguaribe. Desde então, a família tem presença no Ceará, no Ceará administrativo, político, social. Desde essa época. Nós somos a oitava geração.
OP - E a família sempre esteve envolvida em política?
Osmar - Porque houve um momento em que os índios atacaram os donatários das sesmarias e eles tiveram de abandonar, porque eles não podiam entrar numa guerra, porque eles não estavam autorizados a matar índios nessa época. Esse grupo todo desceu pela praia e se instalou hoje onde é o açude Malcozinhado, ali em Guanacés (distrito de Cascavel, Região Metropolitana de Fortaleza). Lá tem até um obeliscozinho fazendo essa referência. Mas depois eles conseguiram licença para voltar e readministrar as áreas que eles eram devidas. E ficaram lá então. Sempre participaram dos conselhos. Porque nós não tínhamos assembleia, eram conselhos municipais. Essa participação, todos os conselhos municipais da época têm.
Agora, Diógenes não é família, é nome próprio. Domingos Paes Botão teve um casal de filhos, o Diógenes e a Genoveva. Diógenes era o nome. Ele era quem ficava com o pai no domínio das terras, gerência. A filha ele conseguiu mandar para Olinda para estudar. Olinda era o único centro na época aqui no Nordeste que tinha cursos, inclusive a instalação do bispado lá. Diógenes chegou a se casar com uma índia. Teve uma família com muitos filhos. Ficou o Pedro do Diógenes, o Antonio do Diógenes, o Chico do Diógenes, aí incorporou o nome à família. Mas a família mesmo era Paes Botão, que são de Coimbra, em Portugal. Eu consegui o batistério desse cidadão que chegou a Aracati em 1693.
OP - E os Diógenes se tornam uma marca na política.
Osmar - Deixa eu lhe dar uma explicação muito interessante, no Ceará talvez poucos conheçam. Essa Genoveva, a filha de Domingos Paes Botão, o pai mandou buscar em Portugal um sobrinho para casar com ela. Da família Távora. Então, a família Távora descende do mesmo tronco dos Diógenes. São de dois irmãos. A Genoveva casou com o primo que veio lá de Portugal, que eram chamados letrados, tinham alguma alguma formação. E casou com ele. Foi a base familiar dos Távora. Esse cidadão era da família Silva Peixoto. Casou com a Genoveva e trazia o sobrenome de Távora também. Foi aí que surgiu aqui a família Távora, também no Jaguaribe, que se tornaram adversários nos anos seguintes. Nessa era que eu participo, os Távoras representavam lá na região a antiga UDN, a União Democrática Nacional, e os Diógenes ficaram com o PSD. Foi uma luta muito difícil, de domínio. Isso criou uma ideia de muita brutalidade nessa época, pela representação política. E as famílias se tornaram adversas.
OP - O senhor então entrou na política na oposição na época ao Virgílio Távora?
Osmar - O Virgílio era udenista. A fazenda do pai do Virgílio é lá em Jaguaribe. O general (Juarez) Távora nasceu lá. Toda a família. E hoje o Racine Távora ainda tem a fazenda da família Távora lá, herdou. O ex-deputado Racine Távora. E houve essa divisão. Eu tive uma formação acadêmica ligada ao positivismo. Augusto Comte dominou o pensamento filosófico na centúria de 1800, com grande influência aqui no Brasil. Tanto que a bandeira do Brasil, essa "Ordem e Progresso" é a insígnia do positivismo. "O amor por princípio, a ordem por meio e o progresso por fim". Eu era positivista. Fiz a minha tese, o meu trabalho lá na Faculdade de Filosofia, isso era minha diferença da Adísia. Adísia era dogmatista. Eu tinha um espírito assim, meio, não de esquerda, mas eu não era muito conservador. Eu fui republicano. A minha formação foi republicana. O predomínio político no Brasil era da UDN e do PSD (antes da ditadura). Mas surgiu a figura de Adhemar de Barros em São Paulo. Ele veio aqui e fundou o PSP, Partido Social Progressista. E eu fui então para membro da executiva do partido. Então eu iniciei a minha vida. Eu queria me candidatar, mas não tinha condição, era um partido pequeno.
OP - Como era a política na sua juventude, que o senhor acompanhou antes de se candidatar?
Osmar - Iniciei a minha atividade política no Liceu do Ceará. Fiz o curso noturno no Liceu do Ceará, o antigo curso científico (uma das divisões do ensino secundário, o atual ensino médio, que existiu de 1942 a 1971. Os estudantes podiam escolher entre o curso clássico, voltado a filosofia e idiomas, e o curso científico, com foco em ciências exatas e da natureza. Em 1946, o curso normal passou a ser uma terceira vertente, voltada basicamente para mulheres, destinada à formação de professoras do primário). Tinha um grêmio literário chamado Clec, Centro Liceal de Educação e Cultura. Eu iniciei naquelas escadarias do Liceu. Eu comecei a minha atividade ali. Aí fui para a União Estadual dos Estudantes. Depois foi para a União Metropolitana dos Estudantes, fui diretor do Centro Estudantal Cearense. Eu aprendi a fazer discurso, a falar para o público, nas escadarias do Liceu do Ceará, no Clec. Então comecei a participar.
Minha participação vem de 16 anos, 17 anos. Eu eu nasci no Dia do Estudante (11 de agosto de 1932). Havia uma divisão muito grande, difícil, até de luta. A ala udenista, quem comandava era o Aquiles Peres Mota (futuro deputado estadual). E a ala pessedista, Joaquim de Figueiredo Correia (futuro deputado estadual, deputado federal e vice-governador). Eu fiquei na área do Joaquim de Figueiredo Correia. Na academia, na faculdade, eu fui presidente do Diretório Acadêmico São Tomás de Aquino e abri carreira por aí. Mas era uma divisão de luta de quase corporal. Nós tivemos atritos e brigas mesmo de bofete. Depois eu fui vice-líder do Aquiles na Assembleia. Terminamos bem.
OP - Essa disputa UDN e PSD vai até o começo da ditadura.
Osmar - Eu tenho uma para lhe contar também. Que não está na história. Nossa fazenda no sertão, na época que eu tinha fazenda, não tenho mais, era vizinha ao Joaquim de Figueiredo Correia, ele era muito meu amigo. E eu sempre trazia, quando eu vinha da fazenda, passava na fazenda do Joaquim e dizia: "Tem alguma coisa para o doutor Joaquim?" Aí o vaqueiro trazia queijo, aquelas coisas do sertão, manteiga em garrafa, carne de sol. Eu passei na fazenda do Joaquim, peguei lá um balaio que o vaqueiro mandou eu entregar na casa do Joaquim.
O Joaquim morava aqui perto, na (rua) Barão de Aracati. Eu saí da fazenda, antes de passar em casa, passei na casa do Joaquim, ele era vice-governador. Eu parei em frente à casa, achei meio estranho o negócio. Era o dia 31 de março (de 1964), dia da revolução. Você tá lembrado? Aí eu parei, não me deixaram entrar. Cheio de polícia, não sei o que e tal. Eu falei: "Mas diga ao Joaquim que é o Osmar". Quando um rapaz veio me buscar na porta, ele disse: "Osmar, fique aqui comigo, fique aqui comigo, senta aqui". Estava lá uma comissão para o Joaquim assumir o governo na Base Aérea de Fortaleza. Isso é um fato histórico que pouca gente conhece.
OP - A ideia era tirar o Virgílio.
Osmar - Porque o Virgílio era muito chegado ao (João) Goulart (presidente da República, deposto naquela ocasião). E queriam cassar o Virgílio e foram consultar o Joaquim de Figueiredo Correia, que era o vice, para assumiu o governo na Base Aérea. Eu ouvi ele dizendo na minha frente: "Eu não farei isso, isso não está certo, eu não assumo". Isso aí aconteceu na casa do Joaquim, no dia da revolução. São momentos que eu não posso tornar isso histórico, porque não tenho como provar, mas me lembro bem desse fato.
OP - A primeira candidatura foi em 1970.
Osmar - Com 15 anos de Banco do Brasil, eu pedi licença e me candidatei a primeira vez para deputado estadual em 1970. Não fui eleito, fiquei até muito surpreso, mas em 1974 eu fui eleito pela primeira vez deputado estadual. Assumi meu primeiro mandato na sede antiga, da rua São Paulo, onde hoje é o Museu do Ceará, ali foi meu primeiro mandato.
OP - Como era eleição para deputado naquela época?
Osmar - Houve uma reunião da família. A família se reunia toda, era um verdadeiro clã, né. O deputado Diógenes Nogueira era quem tinha o mandato em Jaguaribe. E ele foi eleito também. Nós fizemos, em família, um acordo de coronéis. O Nogueira era votado do lado direito do rio, de quem subia. E eu do lado esquerdo. E nós fizemos um acordo para nenhum entrar na área do outro e se defender de possíveis candidatos que entrassem. Ele foi eleito eu fui eleito também.
OP - Foi respeitado o acordo?
Osmar - Sempre respeitado.
OP - E o início do mandato?
Osmar - Meu grande incentivador no começo, em 1974, foi o governador César Cals. Depois então passou a época e o Adauto (Bezerra) me chamou para o grupo, eu era o vice-líder dele na época. E aí nós juntamos todos, praticamente todos. O MDB ficou aqui com seis deputados e todos os outros eram da Arena.
OP - O senhor iria, de estudante, reencontrar-se com Aquiles Peres Mota na Assembleia.
Osmar - Nos reencontramos na Assembleia e formamos uma grande amizade. E tivemos um problema muito difícil, nós dois, que gerou a morte do Murilo Aguiar.
OP - O senhor estava nessa votação.
Osmar - A mesa apuradora era Aquiles, Osmar e lá do Cedro, João Viana. Gonzaga Mota, que tinha sido escolhido para governador pela ala do Virgílio, do Aquiles, e rompeu. Aquiles instaurou uma liderança partidária. A Assembleia ficou 50% de um lado e 50% do outro, a metade com o Gonzaga a outra metade com o Aquiles. O Gonzaga Mota instalou o grupo dele e eu fiquei com o grupo do Gonzaga Mota. (Concorriam Murilo Aguiar, com apoio do governador Gonzaga Mota, e Castelo de Castro, apoiado pelo presidente da Assembleia, Aquiles Peres Mota). Eu fui apurador. O resultado dava empate. E o resultado dando empate, nós tínhamos já essa previsão, seria eleito o mais velho. E aconteceu um fato. Nós sabíamos que ia dar empate. Surgiu uma razão qualquer na hora da divisão das chapas.
Na chapa do lado do Gonzaga, foi colocado um X no verso da cédula. Marcaram a chapa. Porque na apuração, o Aquiles sabia que ia dar empate e ele cancelava a chapa marcada (a anulação daria vitória a Castelo). Apurando, apurando, o Aquiles procurou e não encontrou, na pressa, no estado nervoso, não encontrou a chapa. Aí ele olhou para mim, eu olhei, eu olhei, eu olhei também, não encontrei. Aí ele disse: "Osmar, eu vou declarar a vitória do Castelo de Castro". Eu disse: "Aquiles, não faça isso, que deu empate e o Murilo Aguiar, sendo o mais velho, ele é o eleito. Ele disse: "Eu vou anunciar, quem vier atrás que conserte". Eu estava com as chapas na mão, eu pedi a recontagem. Um genro do Aquiles, o plenário cheio de gente, uma confusão enorme, tirou as chapas da minha mão e jogou para o ar, rasgando as chapas.
O Murilo saiu lá da bancada dele e foi para a mesa. Dos apuradores, Aquiles e João Viana estavam a favor do Castelo e só eu estava defendendo entre os três a posição do Murilo. Nesse filme que eu tenho (filmagem da sessão) está o Ciro (Gomes, em primeiro mandato) a favor do Castelo de Castro, gritando, aos gritos. Foi uma confusão. O Murilo saiu da bancada dele, eu fiquei muito nervoso na época, gritando, pedindo a recontagem, e as chapas voando, o Murilo pega assim nos ombros do Aquiles: "Amigo, por que é que você fez isso comigo?" Eu estava atrás do Murilo, o Murilo cai para trás com um infarto violentíssimo e dali já foi quase sem vida para o Prontocárdio. Quem ganhou a eleição? Murilo. Esse é o maior erro histórico da Assembleia. E o Aquiles disse essa frase: "Quem vier atrás que conserte".
OP - Foi um momento traumático para o parlamento, não é?
Osmar - No enterro, veio Aureliano Chaves, que era vice-presidente da República e estava influenciando o Gonzaga para ficar com essa parte aqui do partido, foi ao cemitério. Quem fez o discurso no túmulo fui eu. Um discurso de improviso, muito emotivo, e todo mundo lá chorando, e o Aureliano lá também chorou.
E tive muita pena do Aquiles no fim. Porque ele foi muito desprezado quando esse menino do Edson Queiroz assumiu o partido (o PPB, atual Progressistas, o PP). O Edson Filho, não foi eleito deputado federal? O partido funcionava na esquina da Rui Barbosa com Santos Dumont. E esse rapaz passava na sala do Aquiles e não dava bom dia ao Aquiles, não gostava dele. E o Aquiles pegou uma depressão muito grande. Não saía mais de casa.
Eu fui vice-líder. Eu aprendi muito isso com o Aquiles. O Aquiles foi um mestre para mim. Ele era o líder e quando ele queria que alguma matéria tivesse mais espaço de tempo para conversar, pedia para eu ir para a tribuna, para conversar fiado na tribuna. E ele fazendo o sinal para mim: continua, continua. Até chegar àquele acordo. Como fui também vice-líder depois, do Gonzaga Mota.
OP - O senhor concorreu pela última vez a deputado em 1986.
Osmar - Em 1986 veio aquela célebre derrota do Adauto. O Adauto era meu compadre. Eu tinha uma amizade antiga com o Adauto fora da política. Eu era o candidato a presidente da Assembleia, que ele se julgava eleito. Ele dizia: "Meu compadre, eu vou ganhar desse galego (Tasso Jereissati) com 700 mil votos de diferença. Eu dizia: "Adauto, vamos ter cuidado". Perdeu por 700 e tantos mil. Aí abandonou todo mundo, deixou a política. Aí entrou a era do Tasso.
OP - O senhor conviveu, de diferentes formas, com os três coronéis, o Adalto, o César e o Virgílio. Como eles eram?
Osmar - Eu vou falar um pouquinho da personalidade de cada um. César Cals era um idealista. É interessante a atitude do César Cals no governo. Ele sonhou com o Ceará verde e lançou o grande projeto dos cajueiros do Ceará, ele queria transformar o Ceará numa grande floresta de cajueiros. Era um homem digno, ele não tinha nada, vivia de uma forma muito modesta, mas ele tinha um amor muito grande ao Ceará. E era muito popular. A mulher dele ajudava muito o César Cals. Nós tivemos aqui um grande inverno no Ceará na época do César Cals. Nessa época, eu era secretário de Serviços Urbanos de Fortaleza. A Gentilândia foi inundada na época. Eu me lembro da mulher do César Cals numa canoa distribuindo comida pessoal ao pessoal que estava ilhado. Era um homem muito digno, idealista. Agora, tinha aquele espírito formado na caserna. Você sabe como é. É uma concepção muito mais de comando do que de liderança. O fato é que ele era um homem muito bom.
O Vigílio era muito esquisito. O Virgílio não tinha essa aproximação com os deputados, nenhuma. Ele foi quem substituiu o pai dele (Manuel Fernandes Távora), que em 1930, o pai dele foi presidente interventor do Ceará. A família tradicional. Ele era muito fechado, era muito autoritário com referência ao secretariado dele, aos projetos dele da Sudene, da eletrificação do Ceará. Foi um grande governador.
O Adauto, era ele e o Humberto. Eu tinha muita aproximação pessoal com o Adauto e o Humberto e convivi muito com o Humberto e com o Adauto. O Adauto tinha o domínio político do Ceará (na eleição de 1986). A maioria absoluta de prefeitos, deputados e vereadores. O Tasso não tinha um vereador no Ceará. E quando ele perdeu a eleição, ele se decepcionou e abandonou a política e abandonou todo mundo.
OP - Ele podia ter seguido relevante?
Osmar - Na oposição. Eu acho que aí foi o ponto que faltou essa visão dele de estadista. Porque ele poderia ter continuado. Ele perdeu a eleição, mas estava com a estrutura política do Estado ainda. Mas fez um bom governo. O Humberto cuidava da parte financeira, praticamente, do Estado e ele da administração. O Ceará cresceu muito. Ele era muito simpático, o Adauto, para com o eleitor. Fez uma boa administração.
OP - O senhor, quando eleito pela primeira vez, a Assembleia era ainda na Praça dos Leões.
Osmar - Eu sou o único hoje que desenvolvi mandato na sede antiga. Eu fiquei na Assembleia até junho de 2021. Mesmo com 90 anos, eu ainda estava lá trabalhando.
OP - Tinha uma situação em que o governo era perto da Assembleia, o tribunal, os jornais eram ali perto.
Osmar - Todos os jornais eram numa rua só, na rua Senador. Pompeu, ali entre a Liberato Barroso e Guilherme Rocha tinha o jornal Diário do Ceará. O Unitário, A Gazeta, O Estado, tudo ali naquele quarteirão. Eu trabalhava à noite. Na esquina, tinha um bar, um café, que à meia-noite todo o pessoal do jornal ia para lá. Todos nós nos reuníamos, existia um espírito de grupo muito grande. A gente conversava. O jornal O POVO era da UDN e o jornal O Estado era do PSD. O jornal O POVO era administrado por Paulo Sarasate e o jornal O Estado era do Walter de Sá Cavalcante, irmão do Ari, tio desses meninos aí do Ari de Sá Cavalcante.
OP - A Praça dos Leões devia ser efervescente.
Osmar - A praça era o estacionamento dos carros dos deputados. E tinha em frente o Café do Azin. Na outra esquina, o Bancesa (Banco do Ceará S.A). Era um hall muito grande, cheio de cadeira, os deputados começavam ali tomar um café nesse barzinho. Existia um certo respeito entre os deputados. O Castelo de Castro, que foi um grande deputado, nós tínhamos uma amizade particular, eu eu fazia a defesa do governo. E ele era do MDB. A gente até combinava. Ele dizia: "Osmar, hoje eu vou falar esse assunto, você me deixa de terminar o discurso, me atrapalha hoje não, tá certo? Depois você fala". A gente até combinava que cada um ocupava o seu espaço, não havia agressão pessoal.
OP - Era melhor aquela Assembleia ou a sede nova?
Osmar - Lá os deputados conversavam mais entre si, porque hoje cada um tem o seu gabinete. Entra na Assembleia, vai para o seu gabinete, do gabinete do para o plenário. Lá não, lá o espaço era pequeno, a gente conversava muito, nos corredores, no plenário.
OP - Não tinha o gabinete de cada um?
Osmar - Não tinha gabinete. Tinha o gabinete só do líder do partido.
OP - E a relação com o governador?
Osmar - Um deputado nunca esperava na antessala do governo para ser atendido. Podia ser do MDB, da UDN, o que diabo for, todos os partidos da época. Existia um respeito. O deputado era um representante do seu município, tinha tradição política na área. Não era hoje que você elege um deputado federal. Você sabe como é, né? Não é assim. Hoje falta, eu acho que os deputados não têm vivência anterior à Assembleia, vivência política, com o povo. Depende muito do saldo bancário do candidato.
OP - O senhor ainda disputou em 1988.
Osmar - Eu fui candidato a vice-prefeito Fortaleza (em 1988) na chapa do Lúcio Alcântara. O Lúcio desistiu logo no começo, porque disse que não tinha dinheiro para enfrentar. O substituto foi Gidel Dantas Queiroz (pelo PDC, Osmar pelo PFL). O Gidel foi o chamado nessa eventualidade para ocupar a vaga do Lúcio. Quando houve essa ausência do Lúcio, eu fui procurado pelo Edson Silva. Você sabe a história do Edson, da história das urnas do Conjunto Ceará?
OP - De ouvir falar.
Osmar - Pois eu vou lhe contar. O Edson chegou para mim e disse: "Osmar, o Lúcio desistiu. Você ficou só". Eu disse: "Não, é o Gidel Dantas". E ele disse: "Não, não tem condição. Vamos fazer o seguinte. Desista da sua candidatura. Porque eu ganho essa eleição". E, na realidade, o Gidel entrou, não tinha muita presença popular. Houve um problema na Associação Brasileira de Pastores, ele era o presidente. Falaram na época em má administração. Ele entrou numa depressão e eu fiquei fazendo a campanha sozinho. Eu tinha um carro de som. Ainda tivemos 126 mil votos, eu sozinho, o Gidel no hospital e o Lúcio em casa, porque não entrou mais na campanha. Mas o Edson Silva perdeu por 5.300 e poucos votos.
Ele vinha subindo, subindo, subindo, subindo, subindo e com as urnas do Conjunto Ceará, era dele. Aí suspenderam a apuração e no outro dia os votos apareceram contra o Edson Silva no Conjunto Ceará, essa que é a realidade. Não sei como, eu não estou duvidando da honorabilidade do juiz nem nada. Eu sei que todo mundo sabia que o Edson Silva iria ganhar. Chamavam ele de Panelada, né, Edson Silva Panelada. Rapaz simples, criado no Pirambu. Tinha muito prestígio junto ao grande público devido ao programa dele. E, na realidade, eu acho que o Edson poderia ter ganhado a eleição. Não digo que ele ganharia. Urna ninguém sabe, mas a tendência é que ele vinha crescendo, crescendo e baixando a diferença.
OP - O senhor passou por cargos no governo depois de ser deputado.
Osmar - Eu fui chefe de gabinete quatro anos do vice-governador Lúcio Alcântara, quando Ciro era governador. E na época do Lúcio governador, o secretário de Governo era o Luiz Pontes. Eu não tinha nada a ver com o grupo do Luiz Pontes, mas eu fui convidado para trabalhar na Segov. O Luiz Pontes convidou a mim e ao menino do cartório Aguiar, o Cláudio, para manter a sustentação, esse trabalho no intercâmbio com os políticos do Ceará. Naquela época, o Lúcio teve muita dificuldade. Porque muitos assuntos eram resolvidos fora do gabinete do Lúcio.
OP - Tasso?
Osmar - O Lúcio é um tipo inglês. Nunca foi assim de abraçar o populacho nem nada. Ele é sério, muito digno, mas ele não tinha essa capacidade e muitos assuntos eram tratados fora. Políticos do Ceará tentavam tratar fora do gabinete do Lúcio.
OP - Sem passar pelo Palácio?
Osmar - Às vezes não passava pelo palácio. Eu despachava com o Luiz Pontes, eu, o Nilo Sérgio e o Cláudio Aguiar. Eram os três que mantinham a retaguarda do Luiz Pontes, que é ligado ao Tasso, você sabe. O Tasso é casado com uma prima legítima do Luiz Pontes (Renata Queiroz Jereissati). O Luiz Pontes tinha um domínio muito grande na política.
OP - A articulação era paralela?
Osmar - Tinha uma articulação paralela. E eu era o único dos três que tentava ajudar o Lúcio. O Lúcio para mim é um bom amigo. Eu fui vice-presidente dele duas vezes no Instituto do Ceará. Ele foi para Portugal, eu fiquei na presidência no lugar dele. Eu tentava, não tinha como fazer.
OP - Isso custou para ele a reeleição.
Osmar - Foi! Você sabe da história, você conhece.
OP - O senhor documentou muito dessa história política que me contou.
Osmar - Eu sempre tive a vocação de escrever, gostava de escrever desde jovem. E fui juntando informações sobre o Estado, sobre o Poder Legislativo, sobre a atuação da minha família na atividade política do Ceará. Eu tenho 40 livros publicados sobre a história do Legislativo do Ceará, além de livros também ligados à religião. Eu sempre estudei muito religião, teologia, teodicéia. Estudei grego e hebraico. E fiz alguns livros também voltados para a história religiosa da humanidade. Tive essas atividades múltiplas e sempre voltado para a pesquisa histórica.
Estive na Assembleia até junho de 2021, já saí da Assembleia com 90 anos, eu tenho hoje 91 anos mais ou menos. Mas sempre voltado para a história. Escrevemos a história Legislativa do Ceará. Na Cronografia do Ceará, reunimos tudo que você possa imaginar sobre a história da Assembleia Legislativa, os momentos mais importantes de sua história. Desde a primeira instalação em 1829, todos estão registrados biograficamente neste livro. Tem os fatos históricos mais importantes, assassinato do Major Facundo, que foi vice-presidente da Assembleia. A morte do Murilo Aguiar na Assembleia também. A abolição da escravatura, a nobiliarquia do Ceará. Escrevi além desse livro, outro sobre os clérigos católicos que tiveram presença na Assembleia Legislativa.
Foram 86 padres que foram deputados provinciais, inclusive alguns que foram presidentes da Assembleia. Eu escrevi dois livros, já passaram da terceira edição, sobre Jesus. Até eu peço desculpa ao final do texto, se eu ousei demais. Eu fiz uma história de Jesus, de todos os momentos na vida de Jesus, não sob o ponto de vista místico, entenda, sobre a figura histórica de Jesus, sem juízo de valor. Escrevi também sobre os mitos do Antigo Testamento, a história do povo hebreu, desde o início.
E tenho também 52 bíblias, de traduções diferentes, inclusive uma tradução da primeira Bíblia, a Septuaginta, do original grego (é a primeira versão traduzida do hebraico para o grego). Esses livros estão em várias academias na Europa. Meus filhos andaram pela Europa, fazendo doutorado, eles conseguiram levar para as bibliotecas de Coimbra, tem em Londres, em Paris. Esses livros estão nessas bibliotecas. Outra coisa: nunca vendi livros. Todos os meus livros são distribuídos para quem gosta de ler.
Fizemos o registro biográfico de 1.266 deputados desde o Ceará província. Escrevi também um livro sobre os partidos políticos no Brasil e vários textos históricos. Tive atividades em associações filantrópicas do Ceará, fui presidente do Lar Torres de Melo duas vezes. E tive uma ligação muito grande na maçonaria no Ceará. Na atividade maçônica ainda continuo. E assim minha vida é de um cidadão simples. Sou membro de várias academias, fui duas vezes vice-presidente do Instituto Histórico do Ceará, estive temporariamente na presidência, sou de várias academias de letras, associações culturais. Estou aqui firme na luta pela vida. Vivendo este momento.
OP - E a experiência na maçonaria?
Osmar - A Maçonaria é uma grande organização universal. Ela tem os seus primórdios no Antigo Testamento, na construção do templo dos judeus, na época antiquíssima do primeiro templo. Eu tinha uma certa tradição dentro da maçonaria, porque o meu bisavô foi membro da maçonaria, lá pelo ano de 1880, por aí. Então, eu tinha muita curiosidade na vida por organizações ocultas. Tanto que eu frequentei a Fraternidade Eclética, todas as organizações que tinha de ocultismo, eu sempre gostei disso. Tanto que eu fui estudar teologia, fiz teodicéia, fiz filosofia. Eu entrei muito cedo para a maçonaria. A maçonaria, para você ter uma ideia, hoje tem 200 lojas maçônicas no Ceará.
Eu entrei na maçonaria muito cedo, eu muito ativo, muito trabalhador, tive muita facilidade na ascensão filosófica da maçonaria, porque eu já tinha a filosofia, já tinha estudado o hebreu e o grego. Eu tinha uma base que fazia com que eu conhecesse mais de perto a filosofia oculta maçônica. Subi fácil. Fui eleito grão-mestre do Ceará, da maçonaria. Eu com 34, 35 anos mais ou menos já era grão-mestre no Ceará. Houve uma eleição nacional na maçonaria em que o candidato foi Athos Vieira de Andrade, que era ligado à Faculdade Mackenzie de São Paulo. Ele era até pastor protestante, a Mackenzie é dos presbiterianos. E ele quis formar uma chapa nacional para concorrer no caráter de oposição e eu, ligado um pouco a essa área, ele escolheu do Nordeste, eu fui escolhido candidato a vice-presidente nacional da maçonaria no Brasil.
Nós crescemos politicamente, visitamos o Brasil inteiro e, na apuração de votos, nós ganhamos a eleição nacional. Mas os votos foram cancelados porque a maçonaria tinha lá um tribunal também interno. Anularam algumas atas e nós perdemos a eleição. Dali nós saímos 14 grãos-mestres estaduais e instalamos uma maçonaria estadual para cada estado, fora da jurisdição do Grande Oriente do Brasil, que era a maçonaria que vinha lá de José Bonifácio, de Gonçalves Ledo, de Pedro I. Nós constituímos uma maçonaria independente do Brasil. Instalamos e o Athos foi eleito presidente e eu fui eleito o vice. Mas o Athos saiu para uma cadeira de deputado federal, ele de Minas Gerais, era o grão-mestre de Minas Gerais. E eu assumi interinamente o mestrado do Brasil dessa discidência.
Mas aí nós viemos pro Ceará e aqui havia uma certa resistência e nós resolvemos então pegar essa maçonaria que já vinha no Brasil inteiro, mas no Ceará nós tínhamos problemas de muita luta, porque a outra maçonaria estava muito enraizada desde a independência do Brasil. Nós fizemos uma união de lojas. Aí eu fui ser o grão-mestre dessa maçonaria instalada no Ceará. Depois fui grão-mestre também da Grande Loja do Ceará, essa Grande Loja hoje tem 160 lojas maçônicas no Estado do Ceará. Então, eu fui grão-mestre das três maçonarias que existem no Brasil aqui do Ceará. Fui grão-mestre das três maçonarias. Eu sou o único no Brasil que foi grão-mestre das três maçonarias.
OP - O que é verdade sobre o poder político da maçonaria?
Osmar - Para você ter ideia, na minha primeira eleição, eram 134 municípios, eu fui votado em 128. Não era colégio eleitoral, mas eu tive voto em quase todo o Ceará.
OP - Presença da maçonaria?
Osmar - Isso era a presença de grupos pequenos. A maçonaria não faz mais política partidária, ela não faz. Ela não tem representante como as igrejas protestantes às vezes têm, né? As igrejas reformadas têm. A maçonaria não tem. Mas é uma representação no Estado todo. Tem cidade como Crato, como Sobral, que a gente tem duas lojas, no Juazeiro tem três. São 167 só de um maçonaria. Ainda tem mais duas. Hoje passa muito mais de 200 as lojas maçônicas do Ceará. Você quer perguntar do segredo, pergunte.
OP - Qual é o segredo?
Osmar - É o seguinte, a maçonaria tem três graus, esses graus são universais. É um grau de aprendiz, companheiro e mestre. No mundo todo, o trabalho maçônico, os manuais são todos iguais. Mas, a partir do grau três, tem os graus filosóficos, que cada país adota uma situação particular. A maçonaria tem até 33 graus, você vai subindo de grau em grau por serviços prestados literariamente, os trabalhos que publica, participação nas obras pias. O sistema não é de caridade, fazemos um trabalho que não dá ideia de esmola, não, é diferente. É de convivência com a realidade e ajudando o irmão.
A maçonaria considera todos os membros irmãos e toda a humanidade, irmã. Você vai subindo de grau, grau, grau. O grau mais bonito da maçonaria é o grau 18, o grau Rosa Cruz, que é o grau referente a Jesus. É uma grande instituição. E é universal. Eu chegando em qualquer lugar do mundo fazendo os meus sinais, eu sou reconhecido. Mas não está mais no âmbito da maçonaria a política partidária. Houve até um trabalho sobre a dificuldade, porque poderia dividir. Você sabe que a política divide os homens. Então hoje não tem participação política.
OP - Seu Osmar, muito obrigado...
Osmar - Você sabe que eu estou sem herdeiro.
OP - Sei, sim, sinto muito (semanas antes da entrevista, havia morrido o ex-vereador Paulo Diógenes, filho de Osmar).
Osmar - Eu perdi o Paulo. Em três dias, quatro dias ele se foi.
OP - Foi o único filho político?
Osmar - Ele foi eleito uma vez, no segundo ele se decepcionou. Aí veio depois aquele período da pandemia, foi uma coisa horrorosa, ele ficou sem trabalhar. Depois se recuperou bem, estava bem, mas pegou o pneumonia, foi duas vezes ao hospital, o hospital devolveu que ele não tinha nada. Quando foi a terceira vez em outro hospital, já foi direto para a UTI onde faleceu.
A trajetória teve início em jornais, com passagens por O Estado, Tribuna do Ceará e Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro. Foi ainda funcionário do Banco do Brasil
Osmar Diógenes estudou filosofia e foi colega de turma, na Faculdade Católica de Filosofia do Ceará, da jornalista Adísia Sá, de quem é amigo
Osmar Diógenes é pai de Aires, Amílcar, Carlos André, Conceição, Glória, Alexandrino — este chegou a ser secretário da Regional 3 na gestão do prefeito Roberto Cláudio, em Fortaleza, mas deixou a política — e Paulo Diógenes, que morreu em fevereiro e chegou a ser vereador na Capital
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