Reportagem Especial

12 detentos que ordenaram atentados mais recentes já estão em penitenciárias federais; saiba quem são

Os presos foram remanejados do sistema prisional cearense para as cadeias federais de Campo Grande (MS) e Catanduvas (PR). A operação de transferência foi feita na manhã de quinta-feira, 31

12 detentos que ordenaram atentados mais recentes já estão em penitenciárias federais; saiba quem são

Os presos foram remanejados do sistema prisional cearense para as cadeias federais de Campo Grande (MS) e Catanduvas (PR). A operação de transferência foi feita na manhã de quinta-feira, 31
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Os 12 detentos acusados de ordenarem a segunda onda de ataques incendiários no Ceará, em meados de setembro, já foram transferidos do sistema prisional estadual para penitenciárias federais em dois Estados. Os criminosos foram distribuídos entre as unidades de Campo Grande (MS) e Catanduvas (PR) - cinco deles para uma e sete para a outra.

A operação para os deslocamentos foi realizada durante a manhã de quinta-feira, 31, sem alarde. Não foi divulgada intencionalmente, pela Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (SAP), para garantir maior controle de risco. 

Os remanejados são chefes da facção Guardiões do Estado (GDE) ou apontados como importantes na hierarquia da organização que teria mobilizado os atentados na Capital e Região Metropolitana. Pelo menos um deles, no entanto, tem histórico como chefe local do Comando Vermelho (CV), suspeito de homicídios, tráfico e até de integrar um grupo criminoso que fez ameaças a dois juízes na comarca de Caucaia. 

O secretário Mauro Albuquerque, da SAP, descreveu os 12 presos como "lideranças negativas dentro do sistema penitenciário". Eles respondem por casos de tráfico de drogas, homicídios, roubos, sequestros e, um deles, até pelo caso de um triplo homicídio de policiais militares registrado em Fortaleza. O perfil de cada um dos 12 presos transferidos está descrito abaixo.

Entre os transferidos há detentos já condenados e os que aguardam julgamento na Justiça estadual. Até a viagem de ontem, os nomes foram mantidos sob sigilo pela SAP, Ministério Público Estadual e Poder Judiciário. Os atentados a prédios e veículos, tanto públicos como particulares, aconteceram entre a segunda quinzena de setembro e início de outubro.

O pedido de remanejamento dos 12 detentos foi feito pelo Ministério Público Estadual (MPCE), no último dia 27 de setembro, uma semana depois do início dos ataques. A solicitação foi formalizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que usou como parte do critério um parecer da própria Secretaria, descrevendo a periculosidade dos presos. Também foi considerado o histórico de interceptações telefônicas e episódios nas unidades prisionais estaduais.

A demora em remanejar o grupo dos 12 se deu porque dependia da análise de um juiz federal da área de execução penal. A ordem da Justiça cearense foi concedida pouco dias após o pedido do Gaeco, mas só seria válida quando o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) confirmasse a disponibilidade de vagas e a Justiça Federal confirmasse o ingresso.

Os mandados de transferência no Ceará foram assinados por magistrados das varas de Delitos de Organização Criminosa, de Tóxicos e de Execuções Penais do Estado. Nas cadeias federais, os presos são submetidos a rotina mais rigorosa, separados por celas individuais e alas monitoradas por câmeras.

Ataques tiveram dois ciclos em 2019

A primeira onda de ataques no Ceará, no início deste ano, começou no dia 2 de janeiro e teve registros até os primeiros dias de março. Foram atingidas repartições estaduais e municipais, ônibus, vans e veículos das empresas de serviços de água e luz. Um dos primeiros casos foi o atentado com uma bomba ao pilar de um viaduto na BR-020, em Caucaia. Após os primeiros incidentes, mais de 20 chefes das organizações criminosas GDE e CV foram transferidos para as penitenciárias federais.

A principal motivação para os ataques do início do ano foi o rigor disciplinar implantado no sistema prisional cearense, logo após a posse do secretário Mauro Albuquerque na Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (SAP). os presos perderam o privilégio de portar celulares ou circular livremente dentro das cadeias e consumir drogas.

Na segunda leva de ataques, entre setembro e outubro, a causa teria sido o baque financeiro da facção GDE - que teve a transferência dos principais chefes para fora do Estado e estaria com menos dinheiro em caixa para reforçar o estoque de drogas comercializadas. Este foi contabilizado, desde 2014, como o 16º ciclo de atentados cometidos pelas facções no Estado.

Saiba quem são os 12 presos transferidos do Ceará para as penitenciárias federais

1. WALDINEY DE MELO LIMA, o "Taxista". Apontado como membro do chamado “Conselho Missão” da GDE. É um grupo de oito a dez nomes na cúpula da facção que "monitora possíveis inimigos". Não precisam de autorização para matar. É acusado de participar de um triplo homicídio, em 23 de agosto de 2018, em que as vítimas foram três policiais militares - dois deles na reserva. O crime foi cometido dentro de um bar na Vila Manoel Sátiro e teria sido por retaliação à morte de um membro da facção.

2. CRISTIANO DE OLIVEIRA CARNEIRO, o "Nego Coquinho". Processos por tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem, de dinheiro. Denúncias são da região de Caucaia. Em 2011, foi preso acusado de homicídio.

3. ADRIANO SOARES MENESES, o "Vô" ou "Vein". É apontado como um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no Ceará. Em 2018, seu grupo teria feito ameaças a dois juízes, que pediram proteção e foram transferidos da Comarca de Caucaia. Em julho de 2015, Vô já havia sido transferido para a penitenciária federal de Catanduvas (PR), pela periculosidade. Responde a duas dezenas de processos por homicídio, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

4. HUMBERTO ÁLVARO DE SOUZA PEREIRA, o “Jacaré ou “Alvin”, 29 anos. É da linha de comando da GDE. Em novembro de 2018, foi preso depois de gravar vídeo fazendo ameaças a policiais. Em sua casa, foi descoberto um laboratório de refino de cocaína, armas e munições de vários calibres. Responde por homicídios, receptação, adulteração de chassis, tráfico e organização criminosa.

5. IRAD RONIER GOMES DA SILVA. Foi preso em setembro de 2015. Em sua casa, no Conjunto Planalto Montenegro, no bairro José Walter, ele mantinha um laboratório para fabricar e distribuir crack e cocaína. Foi condenado, em 2016, a 12 anos e meio. Responde judicialmente por outros casos de tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo, ameaça, receptação, associação criminosa, furto e roubo.

6. FRANCISCO TIAGO ALVES DO NASCIMENTO, o "Tiago Magão". Um dos principais nomes da GDE. Foi preso em abril deste ano. Estava numa vida de luxo na praia de Boa Viagem, em Recife. Usava carros caros e morava em apartamento de alto padrão. Desfrutava do dinheiro que era arrecadado em crimes e mensalidades pelos outros membros da facção. Era um dos que portavam anéis de ouro, como membro da alta cúpula da facção. Na sua prisão, também foi capturado Francisco de Assis Fernandes da Silva, o "Barrinha", outro chefe da organização.

7. MARCOS ANDRÉ SILVA FERREIRA, o “Branquinho” ou “Dedé”. Preso em outubro de 2018, na mesma operação que capturou Marquinhos Chinês, da alta cúpula da GDE, em um apartamento avaliado em R$ 1 milhão na Beira-Mar. Já respondia por homicídios, receptação, roubo e porte ilegal de arma de fogo. A Polícia o apontou levando uma vida de luxo proporcionada pelo crime. Um dos três veículos descobertos com ele era uma picape blindada. Estava cursando o quarto semestre de Direito numa faculdade particular e foi detido com mais de R$ 5 mil.

8. ADAILO DE SOUSA COSTA, 34 anos. É condenado a sete anos por assalto a mão armada, num crime cometido em Messejana em 2012.

9. SUELITON BORGES DE SOUSA, "Sb" ou "Rei da Colômbia". É apontado como um dos "conselheiros finais" da GDE, após a prisão e transferência de outros líderes da facção, no início de 2019. Estava residindo em Olinda (PE) e de lá comandando ações criminosas no Ceará. Foi preso em setembro deste ano em Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana de Recife. Responde por lesão corporal dolosa e tráfico de drogas. Em 2016, chegou a ser preso durante uma festa em Pacatuba em que foram apreendidas drogas. Era investigado por assaltos a bancos em Pernambuco.

10. JOSÉ ALDIR LOPES DE OLIVEIRA, o "Zé de Paulo Vaqueiro", 45 anos. Em 2013, teria comandado um sequestro de dentro da CPPL do Carrapicho, em Caucaia. O caso foi contra um garoto em Morada Nova, filho de um empresário local.

11. NILSON LOPES SARAIVA, o "Nilsin", 35 anos. Possui diversos registros criminais por tráfico de drogas, homicídio, porte ilegal de arma de fogo, roubo com restrição de liberdade e sequestro e cárcere privado. Em 2017, segundo a Polícia, foi ele que ordenou a morte de um homem que tentou se desligar da facção GDE, no bairro Farias Brito, em Fortaleza. Chefiava o comércio de drogas na área.

12. WELLINGTON MOREIRA DA SILVA. É acusado de tráfico de drogas, homicídio, roubo e furto.

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