Ana Márcia Diogénes é jornalista, professora e consultora. Mestre em Políticas Públicas, especialista em Responsabilidade Social e Psicologia Positiva. Foi diretora de Redação do O POVO, coordenadora do Unicef, secretária adjunta da Cultura e assessora Institucional do Cuca. É autora do livro De esfulepante a felicitante, uma questão de gentileza
Foto: RODRIGO CARVALHO em 2015
Vaga de estacionamento de deficiente e idoso
Vocês já pararam para pensar se existe diferença entre cara de pau e bom senso? No dicionário Aulete, digital, diz-se que cara de pau é a “pessoa que é desavergonhada e cínica, que comete sem embaraço ou vergonha atos reprováveis (imorais, desonestos etc.)”.
No mesmo dicionário, senso é a “capacidade de julgar, entender; juízo; percepção”. Alguém sem senso, então, seria uma pessoa que não tem ou não exerce esta capacidade.
Alguns podem achar que as duas expressões são similares. É possível que entendam que o cara de pau é mais nefasto, uma vez que é proativo no seu cinismo e também por não se envergonhar de ações consideradas reprováveis. Já quem não tem bom senso poderia ser enquadrado naquele tipo que faz coisas erradas e/ou muito erradas porque não consegue perceber a gravidade delas.
Não sei se vocês encontram alguma diferença entre os dois. Na verdade, acho que nem deve ter diferença mesmo para quem é afetado pelo resultado de uma atitude vinda de uma pessoa cara de pau ou sem senso. Vocês podem estar se perguntando onde quero chegar com essa conversa. Vou explicar o motivo de ter pensado nisso.
Deixei de contar as vezes em que tenho visto pessoas sem qualquer deficiência física ignorarem totalmente o símbolo dos PCDs (Pessoa com deficiência) pintados nas vagas de estacionamento de supermercados e lojas de rua. Em shoppings percebo menos, talvez porque tenha mais fiscalização.
Elas estacionam, irresponsavelmente, na vaga. Alguns nem olham para a pintura diferenciada nos espaços reservados aos PcDs. Simplesmente estacionam e saem.
Outros, olham para a pintura e mesmo assim miram a vaga e a surrupiam. Será que os do primeiro exemplo são os que não têm bom senso, porque não percebem que o símbolo é diferente dos outros? E os cínicos do segundo exemplo seriam os tais caras de pau?
Vagas para idoso, PcD, gestante ou pessoa autista existem para garantir direitos a pessoas com peculiaridades que limitam locomoção, que estão sujeitas a mais riscos ou que podem se desestabilizar. Todas elas têm uma sinalização específica, feita justamente para que possam ser distinguidas das vagas comuns.
Cada pessoa que estaciona seu veículo numa dessas vagas, identificadas para um determinado tipo de público, está bloqueando que um direito – duramente conquistado – seja exercido. Na legislação de trânsito a infração é considerada gravíssima: multa de R$ 293,47, sete pontos na CNH e remoção do veículo.
Faz-se necessário que os gestores de políticas públicas, em parceria com a iniciativa privada, encontrem formas mais eficazes de identificar esses caras de pau e/ou sem senso, que negam direitos a quem a própria lei garante. Tá faltando o quê para serem multados?
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