Foto de André Bloc
clique para exibir bio do colunista

Jornalista formado na Universidade Federal do Ceará (UFC). Foi repórter do Vida&Arte, redator de Primeira Página e, desde 2018, é editor de Esportes. Trabalhou na cobertura das copas do Mundo (2014) e das Confederações (2013), e organizou a de 2018. Assinou coluna sobre cultura pop no Buchicho, sobre cinema no Vida&Arte, assumiu espaço sobre diversidade sexual no mesmo caderno e, agora, escreve sobre a inserção de minorias (com enfoque na população LGBTQ+) no meio esportivo

André Bloc esportes

Com Silvana Lima, Douglas Souza e mais 158, as Olimpíadas são cada vez mais LGBT

Sucesso de Douglas Souza e bela campanha de Silvana são dois exemplos de brasileiros assumidos e orgulhosos fazendo bonito entre os pelo menos 160 LGBTs em Tóquio-2020
Tipo Opinião
Douglas Correia de Souza (à direita) do Brasil lança a bola na partida masculina de vôlei do Grupo B entre Brasil e Tunísia durante as Olimpíadas de Tóquio 2020 na Ariake Arena em Tóquio em 24 de julho de 2021. (Foto: YURI CORTEZ / AFP) (Foto: YURI CORTEZ / AFP)
Foto: YURI CORTEZ / AFP Douglas Correia de Souza (à direita) do Brasil lança a bola na partida masculina de vôlei do Grupo B entre Brasil e Tunísia durante as Olimpíadas de Tóquio 2020 na Ariake Arena em Tóquio em 24 de julho de 2021. (Foto: YURI CORTEZ / AFP)

O site OutSports — que já citei ao falar da saída do armário de Carl Nassib, do futebol americano — publicou levantamento que mostra que pelo menos 160 dos mais de 11 mil atletas na disputa da Olimpíada de Tóquio-2020 são gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, não binários, intergêneros, queers ou algum dos outros e ricos espectros de diversidade sexual. O número é enorme e pequeno ainda.

Enorme porque é mais do dobro de Londres-2012 e Rio-2016, somados. Pequeno porque representa só quem conseguiu se assumir, uma fração de quem é LGBTQIA+. Isso dá uma dimensão do quanto avançamos e do quando ainda precisamos avançar. Falemos de alguns desses nomes.

São 15 os brasileiros assumidos, segundo o estudo. Faço questão de citar todos. Marta, Andressa Alves, Bárbara, Formiga, Letícia, Aline Reis e Debinha (futebol); Izabela da Silva (lançamento de disco), Babi Arenhart (handebol), Isadora Cerullo (rúgbi), Silvana Lima (surfe), Ana Marcela Cunha (maratona aquática), Carol, Carol Gattaz e Douglas Souza (vôlei).

Silvana Lima: de Paracuru a Tóquio

Saída das praias de Paracuru, Silvana tem uma trajetória diversa a de boa parte dos surfistas do mundo. Origem humilde e atrasada — a primeira prancha veio na adolescência — não impediram que a bi vicecampeã mundial fosse uma pioneira. Em Tóquio, ela só foi parada por Carissa Moore, atual melhor surfista do planeta, nas quartas de final. 

Nas vitórias, nos discursos, Silvana sempre agradeceu à "namorida" Juliana Sousa. Em entrevista ao O POVO, ela definiu a participação na estreia do surfe em Olimpíadas como um "orgulho". Eu não poderia descrevê-la melhor.

Douglas Souza: entre Gil e Juliette

Existe um fato que chama atenção na lista de 15 nomes. São 14 mulheres, um homem. Escrevi sobre o Douglas Souza em coluna exclusiva para o online e compartilho alguns pontos, alguns argumentos. Porque ele é muito mais que um homem assumido. Ele é um homem pintoso, livre, orgulhoso. E um craque.

A "Poc de Tóquio", para usarmos uma gíria gay, foi o primeiro campeão olímpico antes mesmo de entrar em quadra pela primeira vez. Ele, que diga-se, já é dono de um ouro e já era assumido àquela época.

O ex-BBB João Luiz explicou ao Douglas que ele era é a "Juliette das Olimpíadas". Há quem aponte que ele talvez seja o "Gil do Vigor de Tóquio". Bom, uma coisa não exclui a outra. Ele é um homossexual com todas as afetações que fazem alguém virar alvo desde criança. E ele é carismático como poucos. Sabe fazer das supostas vulnerabilidades a própria força.

É lindo vê-lo crescer no esporte, na vida e no mundo. 

Essa notícia foi relevante pra você?
Logo O POVO Mais